
Conselho de Segurança debate escalada no Golfo enquanto Irão e EUA mantêm conversações indiretas
Sessão de emergência convocada pelo Barém expôs acusações cruzadas sobre ataques a navios e alvos civis, com a ONU a alertar para o risco de erro de cálculo e a apelar à contenção.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas reuniu-se em sessão de emergência na quinta-feira, a pedido do Barém, para analisar a escalada de tensões no Golfo Pérsico, num momento em que prosseguem em Doha as conversações indiretas entre Washington e Teerão. A vice-secretária-geral adjunta para a Consolidação da Paz, Elizabeth Spehar, descreveu um cenário de fragilidade, saudou a decisão conjunta de redução da tensão, mas sublinhou que os recentes confrontos militares — incluindo ataques a navios mercantes e a infraestruturas civis — demonstram que o risco de agravamento permanece elevado. A responsável apelou a que todas as partes exerçam a máxima contenção e respeitem a liberdade de navegação, recordando que qualquer novo incidente pode desencadear um erro de cálculo com consequências graves para a economia global.
A representação norte-americana, pela voz do embaixador Mike Waltz, acusou o Irão de atacar deliberadamente zonas residenciais e de tentar tomar a economia mundial como refém, ao perturbar o tráfego no Estreito de Ormuz. Waltz mostrou imagens de danos em áreas civis no Barém e afirmou que a paciência do Presidente Donald Trump “não é ilimitada”, embora tenha reconhecido que está em cima da mesa uma oportunidade diplomática. O ministro dos Negócios Estrangeiros baremita, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, quantificou 808 ataques contra o seu país desde o início das hostilidades, incluindo 203 mísseis balísticos e 605 drones, que causaram três mortos e 465 feridos civis. Al Zayani pediu um mecanismo de monitorização do cumprimento dos compromissos e classificou as ações como violação da Carta das Nações Unidas e da Resolução 2817.
Em sentido oposto, o representante permanente do Irão, Amir Saeid Iravani, rejeitou todas as acusações e descreveu os Estados Unidos e Israel como responsáveis por duas guerras de agressão contra o seu país, que classificou como traições à diplomacia. Iravani invocou o direito de legítima defesa ao abrigo do Artigo 51.º da Carta e afirmou que as ações militares iranianas visaram exclusivamente bases e ativos norte-americanos na região. A Rússia, através da sua representante adjunta Anna Evstigneeva, considerou essencial a aplicação integral do memorando de entendimento entre Teerão e Washington, alertando que a troca de ataques do fim de semana anterior poderia ter comprometido os esforços diplomáticos em curso.
O memorando de 17 de junho, mediado pelo Paquistão e pelo Catar, prevê um período de sessenta dias para negociar um acordo abrangente que inclua o programa nuclear iraniano, o levantamento de sanções e a reabertura do Estreito de Ormuz. Na perspetiva de observadores em Lisboa e Brasília, a perturbação prolongada daquela via marítima teria impacto direto nos preços da energia e nos fluxos comerciais de países lusófonos dependentes de importações. Apesar do tom duro na sala do Conselho, os mediadores anunciaram progressos positivos na ronda de Doha e a criação de um canal de comunicação para relatar eventuais violações do memorando, mantendo aberta a via diplomática enquanto o dossiê nuclear e as garantias de segurança continuam por definir.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O Irã apresenta a reunião do Conselho de Segurança como um fórum onde os EUA e Israel lançam acusações infundadas, enquanto Teerã permanece firme. O aumento das exportações de petróleo prova a resiliência iraniana apesar das sanções e conspirações. Qualquer ameaça à liderança ou ao povo iraniano receberá uma resposta imediata e poderosa.
A reunião do Conselho de Segurança destaca as ações desestabilizadoras do Irã no Golfo, incluindo ataques à navegação e ameaças à segurança regional. Os EUA alertaram Israel para não alvejar autoridades iranianas, mas o Irã continua violando compromissos. A comunidade internacional deve responsabilizar o Irã por sua agressão.
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