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Mídia e Entretenimentosexta-feira, 10 de julho de 2026

A avó que rasteja na estrada e o novo fôlego sangrento de 'Evil Dead'

O sexto filme da franquia abandona o humor pastelão e mergulha no terror corporal extremo, enquanto o género conquista recordes de bilheteira e de crítica.

Uma perna decepada para escapar ao incêndio. O rasto de sangue no asfalto. A idosa Polly, possuída por um demónio, rasteja até que uma automobilista se detém para ajudar. “Ela roubou-me as pernas”, murmura, antes de se lançar sobre a boa samaritana: “Mas as tuas servem perfeitamente.” A cena, que surge a meio dos créditos finais de Evil Dead Burn, condensa o espírito do sexto capítulo da saga criada por Sam Raimi: um terror sem piedade, onde a violência grotesca se sobrepõe a qualquer subtileza narrativa.

Realizado pelo francês Sébastien Vaniček, o filme retoma o fio deixado por Evil Dead Rise (2023) e centra-se em Alice (Souheila Yacoub), uma viúva que, após a morte do marido, se vê encurralada com a família dele numa casa isolada. O irmão mais novo, Joseph, descobre as pesquisas do avô sobre o Necronomicon e a Adaga Kandariana, despertando as entidades conhecidas como Deadites. A partir daí, o argumento serve sobretudo de pretexto para uma sucessão de mortes inventivas: um encosto de cabeça de automóvel transforma-se em estaca, um corta-sebes vira arma de defesa, um cão é esfaqueado com um garfo. A brutalidade, notam críticos francófonos, ecoa a tradição do terror extremo francês, mas sem a densidade psicológica de obras como Hereditário.

A longa-metragem insere-se num momento de euforia para o cinema de terror. Nas últimas semanas, as salas foram ocupadas por fenómenos como Obsession, que arrecadou mais de 400 milhões de dólares com um orçamento de 750 mil, e Backrooms, a produção independente mais rentável de 2026, que regressa agora em versão alargada. Evil Dead Burn, com um custo estimado de 20 milhões, aponta para uma estreia entre 20 e 30 milhões nos Estados Unidos, competindo diretamente com a adaptação live-action de Moana. O apetite do público por experiências viscerais parece insaciável, e a franquia Evil Dead capitaliza esse desejo com uma consistência rara: segundo o agregador Rotten Tomatoes, todos os seis filmes da série mantêm uma classificação “fresca” acima dos 60%, um feito inédito entre as grandes sagas do género.

O que distingue esta nova vaga, porém, é a forma como o terror se tornou um espaço de resistência industrial. Enquanto blockbusters de 250 milhões de dólares lutam para recuperar o investimento, produções contidas como Evil Dead Burn multiplicam receitas e alimentam um ecossistema de plataformas de streaming. A estratégia da Warner Bros. prevê que o filme chegue ao aluguer digital cinco semanas após a estreia e à HBO Max em setembro, um calendário que reflete a confiança do estúdio na longevidade do título. Em mercados como o Brasil e Portugal, onde o terror tem uma base fiel mas ainda carece de produção local em escala, a expectativa recai sobre a disponibilização nas plataformas.

No final, a imagem que perdura não é a do fogo que consome a casa, mas a da avó mutilada a arrastar-se pelo alcatrão, pronta a arrancar as pernas de quem a socorrer. É um retrato fiel de uma franquia que, ao abandonar a ironia dos primeiros filmes, encontrou na crueldade explícita uma nova forma de vitalidade — e um recorde de frescura que nenhum slasher conseguiu igualar.

Divergência — quem conta como
Eixo: Entusiasmo vs. Neutralità
50%Média
2 blocos · posições de 0.00 a +1.00
NeutralitàTrionfo
LATATL
Divergência entre blocos de imprensa
Imprensa latino-americana+1.00aligned
Imprensa atlântica / anglosfera0.00neutral
Os meios de comunicação latino-americanos e atlânticos cobrem o filme, mas as partes diretas (produtores, diretores) não estão representadas neste cluster.
Imprensa latino-americana+1.00
Voz

O filme é um triunfo, um retorno às raízes que satisfaz os fãs com sangue e terror.

Mecanismotrionfalismo

Usa linguagem hiperbólica e apelos emocionais para criar expectativa e engajamento, sem oferecer análise crítica.

Omissão

Não menciona críticas negativas ou críticas sobre falta de originalidade, presentes na cobertura atlântica.

TriunfoAlarme
Imprensa atlântica / anglosfera0.00
Voz

O filme é uma mistura: por um lado um sucesso de bilheteria, por outro uma obra em declínio que não corresponde ao original.

Mecanismocontrapposizione

Apresenta pontos de vista contrastantes para dar uma impressão de objetividade, mas a crítica negativa é mais incisiva.

CeticismoPragmatismoTriunfoVozes divididas

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sexta-feira, 10 de julho de 2026

A avó que rasteja na estrada e o novo fôlego sangrento de 'Evil Dead'

O sexto filme da franquia abandona o humor pastelão e mergulha no terror corporal extremo, enquanto o género conquista recordes de bilheteira e de crítica.

Uma perna decepada para escapar ao incêndio. O rasto de sangue no asfalto. A idosa Polly, possuída por um demónio, rasteja até que uma automobilista se detém para ajudar. “Ela roubou-me as pernas”, murmura, antes de se lançar sobre a boa samaritana: “Mas as tuas servem perfeitamente.” A cena, que surge a meio dos créditos finais de Evil Dead Burn, condensa o espírito do sexto capítulo da saga criada por Sam Raimi: um terror sem piedade, onde a violência grotesca se sobrepõe a qualquer subtileza narrativa.

Realizado pelo francês Sébastien Vaniček, o filme retoma o fio deixado por Evil Dead Rise (2023) e centra-se em Alice (Souheila Yacoub), uma viúva que, após a morte do marido, se vê encurralada com a família dele numa casa isolada. O irmão mais novo, Joseph, descobre as pesquisas do avô sobre o Necronomicon e a Adaga Kandariana, despertando as entidades conhecidas como Deadites. A partir daí, o argumento serve sobretudo de pretexto para uma sucessão de mortes inventivas: um encosto de cabeça de automóvel transforma-se em estaca, um corta-sebes vira arma de defesa, um cão é esfaqueado com um garfo. A brutalidade, notam críticos francófonos, ecoa a tradição do terror extremo francês, mas sem a densidade psicológica de obras como Hereditário.

A longa-metragem insere-se num momento de euforia para o cinema de terror. Nas últimas semanas, as salas foram ocupadas por fenómenos como Obsession, que arrecadou mais de 400 milhões de dólares com um orçamento de 750 mil, e Backrooms, a produção independente mais rentável de 2026, que regressa agora em versão alargada. Evil Dead Burn, com um custo estimado de 20 milhões, aponta para uma estreia entre 20 e 30 milhões nos Estados Unidos, competindo diretamente com a adaptação live-action de Moana. O apetite do público por experiências viscerais parece insaciável, e a franquia Evil Dead capitaliza esse desejo com uma consistência rara: segundo o agregador Rotten Tomatoes, todos os seis filmes da série mantêm uma classificação “fresca” acima dos 60%, um feito inédito entre as grandes sagas do género.

O que distingue esta nova vaga, porém, é a forma como o terror se tornou um espaço de resistência industrial. Enquanto blockbusters de 250 milhões de dólares lutam para recuperar o investimento, produções contidas como Evil Dead Burn multiplicam receitas e alimentam um ecossistema de plataformas de streaming. A estratégia da Warner Bros. prevê que o filme chegue ao aluguer digital cinco semanas após a estreia e à HBO Max em setembro, um calendário que reflete a confiança do estúdio na longevidade do título. Em mercados como o Brasil e Portugal, onde o terror tem uma base fiel mas ainda carece de produção local em escala, a expectativa recai sobre a disponibilização nas plataformas.

No final, a imagem que perdura não é a do fogo que consome a casa, mas a da avó mutilada a arrastar-se pelo alcatrão, pronta a arrancar as pernas de quem a socorrer. É um retrato fiel de uma franquia que, ao abandonar a ironia dos primeiros filmes, encontrou na crueldade explícita uma nova forma de vitalidade — e um recorde de frescura que nenhum slasher conseguiu igualar.

Divergência — quem conta como
Eixo: Entusiasmo vs. Neutralità
50%Média
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NeutralitàTrionfo
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Os meios de comunicação latino-americanos e atlânticos cobrem o filme, mas as partes diretas (produtores, diretores) não estão representadas neste cluster.
Imprensa latino-americana+1.00
Voz

O filme é um triunfo, um retorno às raízes que satisfaz os fãs com sangue e terror.

Mecanismotrionfalismo

Usa linguagem hiperbólica e apelos emocionais para criar expectativa e engajamento, sem oferecer análise crítica.

Omissão

Não menciona críticas negativas ou críticas sobre falta de originalidade, presentes na cobertura atlântica.

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O filme é uma mistura: por um lado um sucesso de bilheteria, por outro uma obra em declínio que não corresponde ao original.

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