
Cimeira da NATO em Ancara decorre sob pressão de Trump por mais gastos e 'lealdade' europeia
Às vésperas do encontro de 32 líderes em Ancara, o presidente americano considera 'ridículo' manter o apoio atual e pressiona por uma redistribuição de encargos e lealdade no conflito com o Irão.
A menos de uma semana da cimeira da NATO em Ancara, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou de “ridículo” o atual nível de apoio americano à Aliança Atlântica e afirmou que a relação “não é recíproca”. A declaração, publicada na rede Truth Social, surge num momento em que os 32 Estados-membros se preparam para um encontro que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, já descreveu como “provavelmente o mais importante da história da organização”. Trump deverá chegar à capital turca acompanhado por uma delegação de cerca de mil pessoas e manterá, na véspera da cimeira, um encontro bilateral com o Presidente Recep Tayyip Erdogan, durante o qual se espera a aprovação da venda de motores para o caça turco Kaan.
Na perspetiva de Washington, a cimeira deve selar uma nova repartição de encargos. O secretário da Defesa, Pete Hegseth, avisou que, se os aliados não cumprirem as metas de investimento — 5% do PIB em segurança até 2035, dos quais 3,5% em despesa estritamente militar —, a contribuição americana para o orçamento comum será reduzida. O Pentágono conduz uma revisão de seis meses com o objetivo de transferir para os europeus “a responsabilidade principal pela defesa do continente”, o que inclui a retirada de um dos dois grupos de porta-aviões e de todos os submarinos atribuídos à Aliança. A exigência de “lealdade” estende-se ao conflito com o Irão: Trump criticou os aliados que restringiram o uso de bases durante os bombardeamentos, com destaque para a recusa italiana em permitir o reabastecimento de aeronaves na Sicília.
Do lado europeu, o diagnóstico é de um dilema sem solução rápida. Décadas de dependência militar não se desfazem num ou dois orçamentos, e a construção de capacidade industrial e doutrina própria exigirá tempo e consenso político. Em Lisboa, o governo enfrenta o mesmo desafio, com a meta de 5% do PIB a impor um esforço orçamental que colide com outras prioridades. A Turquia, anfitriã da cimeira, procura tirar partido da sua posição: Ancara quer garantir o acesso a componentes americanos essenciais para o Kaan, o caça de quinta geração que pretende integrar no inventário militar até 2030, e Erdogan emerge como interlocutor privilegiado de Trump.
A cimeira de 7 e 8 de julho será, assim, um momento de definição do futuro modelo da Aliança. A questão ucraniana permanece na agenda, mas a mensagem de Washington é clara: Kiev está longe e a solução do conflito cabe aos europeus. O encontro entre Trump e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, após o desentendimento público no G7, será um dos mais observados. O que está em causa, sublinham analistas em Bruxelas, é a própria arquitetura de segurança que, desde 1949, fez dos Estados Unidos a âncora incontestada da defesa coletiva do Ocidente.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A cimeira da NATO em Ancara desenha-se como um confronto decisivo. As palavras de Trump, classificando de ridículo o apoio unilateral à aliança, soam como um alerta para a Europa. Perfila-se um futuro em que os EUA se afastam, deixando aos europeus o fardo da defesa e da resolução do conflito ucraniano.
Trump critica o apoio unilateral à NATO, classificando-o de ridículo, e aponta o dedo aos aliados europeus pela sua posição sobre a guerra no Irão. A região observa com pragmatismo o desengajamento americano, ciente de que as prioridades de Washington estão a mudar. A cimeira de Ancara é vista como um passo técnico e não como uma rutura histórica.
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