
Ben Stokes anuncia aposentadoria do críquete internacional em meio a teste decisivo
Capitão inglês surpreende ao comunicar fim da carreira durante jogo contra Nova Zelândia, encerrando trajetória de 15 anos marcada por feitos históricos e exaustão emocional.
A notícia irrompeu no gramado de Trent Bridge enquanto Ben Stokes iniciava o 11.º over de uma longa sequência de lançamentos. Aos 35 anos, o capitão da Inglaterra comunicara aos companheiros, no vestiário, que aquela seria a sua última partida internacional. A confirmação pública, divulgada pela federação inglesa, provocou uma ovação de pé da torcida de Nottingham. No lance seguinte, Stokes derrubou o wicket do neozelandês Zak Foulkes, num roteiro que definiu a sua carreira. Promovido a abridor na perseguição a 373 corridas, rebateu 30 em 20 bolas antes de ser eliminado, deixando a Inglaterra em 103 para quatro ao fim do dia, à beira da derrota na série.
A decisão, explicou o próprio Stokes após o jogo, resultou de um esgotamento acumulado desde a goleada por 4 a 1 na Austrália, na última Ashes. “Não tenho mais luta em mim”, confessou, referindo-se ao desgaste físico e mental de quatro anos e meio de capitania. O regresso à seleção para o teste decisivo ocorrera dias depois de ter sido afastado por violar o recolher obrigatório, após uma noite num clube noturno de Londres. O episódio, investigado pela entidade reguladora do críquete, reacendeu dúvidas sobre a sua continuidade, mas Stokes foi ilibado de conduta grave. Ainda assim, admitiu que a semana em Lord’s lhe trouxera “sentimentos negativos” e que se sentia “queimado”.
A despedida encerra um percurso de 15 anos que redefiniu o críquete inglês. Stokes foi o arquiteto do primeiro título mundial de 50 overs da Inglaterra, em 2019, com 84 corridas na final contra a Nova Zelândia, e semanas depois produziu um 135 invicto em Headingley que salvou as Ashes. Como capitão desde 2022, liderou a revolução do “Bazball”, devolvendo à equipa uma identidade ofensiva. É um dos dois únicos jogadores na história a acumular mais de 7.000 corridas e 250 wickets em testes. Na imprensa britânica, antigos capitães como Michael Vaughan e Michael Atherton manifestaram perplexidade com o momento do anúncio, enquanto o treinador Brendon McCullum e o companheiro Joe Root o descreveram como um “talismã” insubstituível. A análise na Austrália sublinhou a “energia de personagem principal” que marcou a sua trajetória, para o bem e para o mal.
Em países lusófonos, onde o críquete tem expressão reduzida, a notícia foi recebida como o ocaso de uma figura que transcendeu a modalidade, ainda que sem o impacto imediato observado no mundo anglófono. A Inglaterra terá agora de nomear um novo capitão para o ciclo que inclui a próxima Ashes em casa, enquanto o teste em Nottingham define o vencedor da série empatada em 1 a 1. A saída de Stokes, independentemente do desfecho, deixa um vazio de liderança e de momentos decisivos que o críquete inglês dificilmente preencherá a curto prazo.
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