
Califórnia mantém condenação de Weinstein, mas ordena revisão da pena; Nova York retira acusação
Tribunal de apelação da Califórnia confirmou o veredicto de culpa, mas determinou nova dosimetria da pena; no mesmo dia, promotores de Nova York desistiram de novo julgamento por violação.
A 2.ª Câmara de Apelação da Califórnia confirmou, por unanimidade, a condenação de Harvey Weinstein por violação e agressão sexual, proferida em 2022, mas determinou que o juiz de primeira instância recalcule a pena de 16 anos de prisão. A decisão, divulgada na sexta-feira (26 de junho de 2026), baseia-se no facto de o magistrado ter considerado, como fator agravante, condenações de Nova York que foram posteriormente anuladas. Um dia antes, o Ministério Público de Manhattan retirou a acusação de violação contra Weinstein relacionada com a atriz Jessica Mann, depois de esta afirmar que não suportaria testemunhar pela quarta vez.
A defesa do antigo produtor de cinema argumentou, sem sucesso, que o julgamento na Califórnia fora injusto porque a juíza Lisa B. Lench impediu a apresentação de mensagens do Facebook que, segundo os advogados, demonstrariam uma relação sexual entre a queixosa Evgeniya Chernyshova e o diretor do festival de cinema onde o crime teria ocorrido. O tribunal de apelação considerou que a exclusão das mensagens respeitou a lei californiana de proteção de vítimas de crimes sexuais e que a defesa pôde apresentar a sua tese com outras provas. O porta-voz de Weinstein, Juda Engelmayer, declarou que a equipa jurídica discorda da decisão e tenciona recorrer para o Supremo Tribunal da Califórnia, por entender que houve erros legais significativos.
Em Nova York, a desistência da acusação encerra um ciclo de quatro tentativas de julgamento pelo mesmo episódio. A condenação original de 2020, que abrangia os casos de Jessica Mann e de Miriam Haley, foi anulada em 2024 pelo tribunal superior do estado, que considerou ter havido uso indevido de testemunhos. Nos dois julgamentos subsequentes, o júri não chegou a um veredicto unânime sobre a acusação de violação de Mann, embora Weinstein tenha voltado a ser condenado por agredir sexualmente Haley. A sentença desse processo está marcada para setembro, com os procuradores a pedirem 20 anos de prisão. Weinstein, de 74 anos, permanece detido e só começará a cumprir a pena da Califórnia depois de concluir o período de reclusão em Nova York.
Na perspetiva de analistas jurídicos norte-americanos, a sequência de anulações e impasses ilustra a dificuldade de rejulgar casos de crimes sexuais quando as provas dependem fortemente da credibilidade das testemunhas e de comunicações privadas cuja admissibilidade é contestada. O caso tem sido acompanhado com interesse no Brasil e em Portugal, onde o movimento #MeToo também suscitou debates sobre o equilíbrio entre a proteção das vítimas e as garantias do devido processo legal. A decisão da Califórnia de manter a condenação, mas corrigir a dosimetria da pena, é vista por observadores em Lisboa como um exemplo de como os tribunais de apelação podem validar o veredicto do júri sem endossar automaticamente a severidade da punição.
O processo na Califórnia deverá regressar ao tribunal de primeira instância para a realização de uma nova audiência de sentença, ainda sem data definida. Paralelamente, a defesa de Weinstein prepara o recurso para a mais alta instância estadual, enquanto em Nova York a sentença do caso Haley está prevista para setembro. O Ministério Público de Los Angeles e os advogados de Chernyshova não se pronunciaram de imediato sobre a decisão da corte de apelação.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Um tribunal de apelações da Califórnia manteve a condenação por estupro de Harvey Weinstein em 2022, mas ordenou que o juiz de primeira instância o sentencie novamente. O painel rejeitou suas contestações constitucionais, enquanto seu porta-voz reconheceu que a sentença não poderia subsistir. A decisão veio um dia depois que os promotores de Nova York retiraram uma acusação separada.
Os promotores de Nova York retiraram uma acusação de estupro de terceiro grau contra Harvey Weinstein depois que a acusadora disse que não poderia suportar um quarto julgamento. O gabinete do promotor afirmou acreditar em seu depoimento, mas respeitou sua decisão, chamando o processo de provação. O caso já havia resultado em dois júris sem veredicto.
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