
Gaseiro russo exibe metralhadoras no Báltico e acirra tensão com a NATO
Fotografias da guarda costeira estónia mostram, pela primeira vez, armamento pesado num navio civil russo que abastece Kaliningrado, num contexto de crescente militarização da região.
A guarda costeira da Estónia fotografou, em meados de maio, o navio-tanque de gás natural liquefeito “Marshal Vasilevskiy” com duas metralhadoras pesadas Kord de 12,7 mm instaladas na ponte de comando, protegidas por sacos de areia. A embarcação, propriedade da Gazprom e de bandeira russa, é a única unidade flutuante de regaseificação da Rússia e desempenha um papel central no abastecimento energético do enclave de Kaliningrado. Trata-se do primeiro caso documentado de um navio civil russo a ostentar armamento pesado, segundo o consórcio de jornalistas que teve acesso às imagens e às listas de passageiros.
De acordo com os registos obtidos, desde agosto de 2025 o navio transportou 50 passageiros, dos quais pelo menos 22 tinham vínculos com as forças armadas, o serviço de segurança (FSB) ou a Guarda Nacional russa. Para um responsável dos serviços de informações de um país báltico, citado na investigação, a presença das metralhadoras é “50% um sinal para o Ocidente” e 50% uma medida de defesa contra drones navais ucranianos. Analistas de defesa dinamarqueses e neerlandeses avaliam que o armamento visa dissuadir eventuais abordagens ou inspeções por parte de Estados da NATO, numa altura em que vários países da região intensificaram o controlo sobre a chamada “frota sombra” russa. O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia e a Gazprom não comentaram publicamente o caso.
O “Marshal Vasilevskiy” não integra a frota sombra — composta por navios antigos e de propriedade opaca que contornam sanções —, navega sob bandeira russa, está em bom estado e não está sujeito a sanções internacionais. Por isso, não há fundamento jurídico evidente para uma detenção. Contudo, a instalação de armamento e a presença de militares a bordo colocam a embarcação numa zona cinzenta do direito marítimo: o princípio da livre navegação permite a passagem inocente, mas o uso de força contra uma eventual inspeção poderia desencadear uma escalada. Na perspetiva de Lisboa, que acompanha a segurança marítima no flanco atlântico da NATO, o episódio ilustra a crescente indistinção entre meios civis e militares nas rotas energéticas europeias.
A tensão no Báltico aumentou desde o início de 2025, quando a NATO reforçou patrulhas na sequência de suspeitas de sabotagem em cabos submarinos. A Rússia, por seu lado, passou a fazer escoltar navios da frota sombra por embarcações militares. O armamento do “Marshal Vasilevskiy” surge também após o ataque com drones ao gaseiro “Arctic Metagaz” no Mediterrâneo, em março, atribuído a forças ucranianas. Até ao momento, não há registo de reação oficial da Aliança Atlântica ou da União Europeia. O navio continua a operar na rota entre o porto de Bolshoi Bor e Kaliningrado, enquanto o Reino Unido investiga um incidente separado com tiros de advertência de um navio de guerra russo no canal da Mancha.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A mídia ocidental divulgou imagens de armas em um navio civil russo, mas trata-se de uma medida defensiva para proteger cargas energéticas. A Rússia está apenas reagindo às repetidas inspeções e ameaças contra seus navios no Báltico.
A Rússia está armando seus navios-tanque civis de gás com metralhadoras pesadas e pessoal militar, numa escalada perigosa no Báltico. Esta medida sem precedentes, após inspeções da OTAN, levanta sérias preocupações sobre a militarização do transporte marítimo civil.
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