
Cabo Verde encara Argentina com fé inabalável e bloco defensivo que frustrou a Espanha
Estreante em Mundiais, a seleção africana chega aos dezesseis-avos-de-final como a equipa-revelação, apoiada em declarações de confiança do presidente ao capitão e num sistema tático que já anulou os campeões europeus.
O Hard Rock Stadium, em Miami, recebe na próxima sexta-feira um duelo que opõe a campeã mundial Argentina à mais pequena nação de sempre a atingir a fase a eliminar de um Campeonato do Mundo. Cabo Verde, arquipélago de dez ilhas e meio milhão de habitantes, desembarca nos dezesseis-avos-de-final depois de empatar com Espanha (0-0), Uruguai (2-2) e Arábia Saudita (0-0), terminando em segundo lugar no Grupo H. O presidente José Maria Neves fixou o marcador: “Acho que Cabo Verde pode vencer a Argentina por 1-0”, disse à BBC, ecoando o discurso do capitão Diney Borges, para quem “no futebol não existem impossíveis”.
A confiança cabo-verdiana assenta num bloco defensivo que, na perspetiva de analistas em Madrid, revelou ser um osso duro de roer. Contra a Espanha, a equipa de Bubista cedeu 74% de posse de bola e permitiu 27 remates, mas apenas sete foram à baliza; os cruzamentos espanhóis (39) tiveram escassa eficácia. O ex-selecionador português José Rui Águas, que orientou Cabo Verde em dois ciclos, descreveu ao canal argentino TN um conjunto “muito solidário, muito unido, sem grandes valores individuais, mas com uma dupla de centrais muito estável e um número seis importante”. Águas antecipa um plano semelhante ao utilizado diante da Espanha: defender com linhas juntas e explorar as poucas oportunidades.
A narrativa de superação extravasa o relvado. Em Acra, o autoproclamado vidente ganês Nana Kwaku Bonsam garantiu que Cabo Verde eliminará a Argentina e que Portugal será campeão mundial, profecia que ganhou eco depois de ter antecipado a ineficácia de Harry Kane frente ao Gana. Já o médio Deroy Duarte confessou sentir-se “num sonho”, enquanto o treinador Bubista, enrolado na bandeira nacional, sublinhou que “enfrentar a Argentina e Messi é excelente para o nosso país, independentemente do resultado”. O próprio Borges, defesa-central do Al Bataeh, admitiu ser “um orgulho e um privilégio” defrontar Lionel Messi, mas avisou que, quando a bola rolar, o foco estará apenas no trabalho coletivo.
Do lado argentino, a imprensa de Buenos Aires regista o respeito pelo adversário que já travou a Espanha e que, nas palavras de Águas, “nunca se rende”. A Albiceleste, que chega embalada pelo primeiro lugar no Grupo J, sabe que encontrará um muro defensivo semelhante ao que a eliminou nos penáltis diante de Marrocos em 2022. O vencedor do confronto segue para os quartos-de-final, onde poderá reencontrar a Espanha ou medir forças com a Áustria de Ralf Rangnick. Para Cabo Verde, o Mundial já é histórico, mas o discurso unânime é de que a missão ainda não está cumprida.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O presidente de Cabo Verde prevê com confiança uma vitória por 1-0 sobre a Argentina, enquadrando o jogo como uma oportunidade histórica para a pequena nação insular continuar a escrever o seu destino. Os Tubarões Azuis são retratados como estreantes destemidos que prosperam com as baixas expectativas e procuram surpreender o mundo de forma permanente. É um momento de orgulho nacional e esperança audaciosa.
Jogadores e ex-treinadores cabo-verdianos expressam respeito pela Argentina, mas insistem que no futebol nada é impossível, destacando o seu espírito guerreiro e a recusa em render-se. A imprensa argentina regista a fé da equipa desfavorecida, mantendo uma visão cautelosa e ligeiramente paternalista do desafio. A narrativa equilibra a admiração pela coragem do adversário com uma confiança subjacente na superioridade dos campeões do mundo.
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