
Renovação do Espelho d’Água em Washington fracassa e acirra embate entre Biden e Trump
Ex-presidente acusa Trump de 'perdedor' e associa falhas no projeto a corrupção e vaidade, enquanto governo atribui danos a vandalismo e enfrenta críticas técnicas e políticas.
A reforma do Lincoln Memorial Reflecting Pool, um dos monumentos mais icónicos de Washington, tornou-se palco de um fracasso técnico e político. A intervenção, promovida pela administração de Donald Trump como parte das celebrações dos 250 anos da independência dos EUA e orçada em mais de 14 milhões de dólares, resultou numa proliferação de algas que tingiu a água de verde, na morte de patos e no descolamento do novo revestimento azul. A piscina, que se estende entre o Monumento a Washington e o Memorial de Lincoln, foi alvo de obras entre abril e junho, mas poucos dias após a reabertura, o cenário contrastava com a promessa presidencial de torná-la "melhor do que nunca".
No sábado, durante um evento do Partido Democrata no Maryland, o ex-presidente Joe Biden capitalizou o episódio para atacar duramente o seu sucessor. "Que perdedor", exclamou Biden, após enumerar o que classificou como "projetos de vaidade" de Trump: a demolição da Ala Leste da Casa Branca para construir um salão de baile, a aposição do seu nome no Kennedy Center, a edificação de um arco triunfal em sua honra e a contratação do seu "homem das piscinas" para reparar o espelho d’água. Biden acusou a administração de "corrupção descarada" e de uma "escala nunca vista na história americana". A plateia democrata recebeu as palavras com aplausos, num discurso que marcou o segundo aniversário do debate desastroso que, em 2024, precipitou a sua saída da corrida presidencial. Em contrapartida, o governo Trump atribuiu os danos a atos de vandalismo, com o presidente a garantir que apresentará provas em tribunal, embora as imagens divulgadas até agora sejam pouco conclusivas.
Especialistas consultados pela imprensa norte-americana, como o ecólogo Peter May (Universidade de Maryland), apontam causas técnicas para o fiasco: a pintura de um azul-escuro intenso, escolhida para evocar a bandeira nacional, absorveu mais calor e acelerou o crescimento de algas; a água da torneira municipal, rica em fósforo e azoto, funcionou como nutriente; e a profundidade rasa do tanque criou um "sistema perfeito" para a proliferação. A concessão sem concurso a uma empresa cujo proprietário doou fundos à campanha de Trump em 2020 acrescenta uma dimensão política ao escândalo, que é acompanhado com perplexidade em capitais como Brasília e Lisboa, onde se vê no episódio um sintoma da polarização extrema nos EUA, onde até um espelho d’água se transforma em arma de combate partidário.
O caso ocorre num momento de fragilidade para Biden. Com 83 anos e a braços com um cancro da próstata em fase avançada, o ex-presidente enfrenta uma popularidade de apenas 30% e o descontentamento de setores democratas que o responsabilizam pela derrota em 2024. A sua aparição enérgica no Maryland, porém, sinaliza a intenção de se manter ativo no xadrez político, enquanto o partido se prepara para as eleições intercalares de novembro. Para já, o futuro do espelho d’água permanece incerto: enquanto equipas tentam conter as algas com químicos, o Congresso poderá vir a investigar os contratos, e os organizadores das comemorações do 4 de Julho avaliam se o monumento estará à altura da efeméride.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Biden denunciou veementemente Trump por embolsar bilhões desde que voltou ao poder, classificando-o de sem-vergonha e uma desgraça para o país. O discurso retratou a presidência de Trump como um esquema corrupto de fazer dinheiro.
A crítica contundente de Biden a Trump foi ofuscada por sua luta desajeitada para encontrar a saída, precisando de ajuda e levantando questões sobre sua apresentação pública.
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