
Ativistas detidos na Líbia em comboio humanitário para Gaza são libertados após um mês
Espanhóis e italianos entre os dez voluntários retidos no leste líbio regressam a casa; organização critica falta de condenação oficial às condições de detenção.
Os governos de Espanha e Itália confirmaram esta quarta-feira a libertação dos seus cidadãos detidos há um mês no leste da Líbia, quando integravam um comboio terrestre de ajuda humanitária com destino à Faixa de Gaza. A espanhola Alicia Armesto, secretária técnica do Sindicato de Jornalistas de Madrid, foi libertada e iniciou o regresso a casa com escala em Istambul, segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares. Do lado italiano, Domenico Centrone, Leonarda Alberizia e Matias Alvarez Rodriguez, uruguaio com cidadania italiana, chegaram ao aeroporto de Fiumicino, em Roma, após passagem por Tunes. A organização da missão, Global Sumud, adiantou que os restantes seis ativistas de outras nacionalidades deverão ser libertados nas 24 horas seguintes.
Na perspetiva de Madrid e de Roma, o desfecho resultou de um trabalho diplomático discreto mas intenso, coordenado com as embaixadas e consulados na Líbia e na Turquia. O ministro italiano Antonio Tajani agradeceu publicamente o empenho dos serviços diplomáticos e de inteligência. Já as autoridades do leste da Líbia, território sob controlo do marechal Khalifa Haftar e não reconhecido internacionalmente, justificaram a detenção com a entrada no país “sem completar os procedimentos legais” e enquadraram a deportação no cumprimento de uma decisão do Procurador-Geral do Tribunal de Recurso de Benghazi, em respeito pela “soberania do Estado líbio” e pela preservação da ordem pública.
A Global Sumud Italia, porta-voz do movimento, reagiu com críticas acesas ao governo italiano, acusando-o de celebrar a libertação sem emitir uma condenação formal pelas violações do direito internacional sofridas pelos ativistas durante a detenção. Em comunicado citado pela imprensa italiana, a organização denunciou “silêncio ensurdecedor” de 30 dias, exigiu sanções contra os responsáveis e a suspensão de toda a cooperação com as entidades envolvidas. Os próprios ativistas, já em solo italiano, relataram ter sido capturados antes de um posto de controlo, mantidos incomunicáveis e submetidos a pressão psicológica contínua, embora sem violência física. Domenico Centrone classificou a experiência como “inaceitável” e descreveu um desaparecimento forçado de três dias antes de qualquer registo oficial.
O comboio terrestre, composto por cerca de 200 pessoas, ambulâncias e camiões de mantimentos, partira da Mauritânia em meados de maio com o objetivo de furar o bloqueio israelita a Gaza por via terrestre, enquanto uma flotilha marítima tentava o mesmo por mar. A interceção dos barcos em águas internacionais por Israel, com mais de 430 ativistas detidos, já tinha gerado condenações internacionais. O episódio líbio expõe a fragmentação do país e a dificuldade de movimentos humanitários operarem em territórios controlados por autoridades não reconhecidas. A campanha “Free Them All”, apoiada pela Amnistia Internacional, mantém mobilizações em várias cidades italianas, e o dossiê continua aberto enquanto os últimos detidos aguardam libertação e as organizações exigem responsabilização pelas condições de cárcere.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A libertação dos ativistas da caravana para Gaza foi obtida através da diplomacia europeia, mas o seu regresso foi marcado por tensões: no aeroporto de Bilbao houve confrontos com a polícia, enquanto em Itália os ativistas recém-libertados criticaram o governo, minimizando o sucesso diplomático. O caso evidencia os nós líbios e as contradições de uma missão humanitária que também envolveu figuras controversas.
A Itália confirmou a libertação de três ativistas detidos ilegalmente na Líbia por se juntarem a uma missão humanitária com destino a Gaza. A sua detenção foi condenada como parte da repressão israelita contra aqueles que tentam quebrar o cerco, gerando indignação internacional. O caso sublinha a criminalização da ajuda humanitária e a solidariedade com a causa palestiniana.
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