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Ciência e Saúdequinta-feira, 25 de junho de 2026

Astrónomos detetam dois planetas gigantes com densidade inferior à do algodão-doce

Os exoplanetas TOI-791 b e TOI-791 c, do tamanho de Júpiter, são os mais leves já registados na sua categoria e desafiam os modelos de formação planetária.

Uma equipa internacional de astrónomos identificou dois planetas extrassolares cuja densidade é comparável à de uma porção de espuma de barbear, tornando-os os mundos conhecidos mais leves com dimensões semelhantes às de Júpiter. Os corpos, designados TOI-791 b e TOI-791 c, orbitam uma estrela a 1110 anos-luz da Terra, na constelação austral de Volans, e foram detetados pelo satélite TESS da NASA ao longo da última década. A confirmação das massas e densidades exigiu observações complementares a partir de telescópios terrestres, que revelaram valores extremamente baixos: o primeiro planeta tem apenas 3,0% da massa de Júpiter, enquanto o segundo atinge 5,9%, apesar de ambos apresentarem diâmetros praticamente idênticos aos do gigante gasoso do Sistema Solar.

A descoberta, publicada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, insere estes objetos na categoria rara dos “super-puffs”, da qual se conhecem menos de quatro dezenas de exemplares entre os quase 6300 exoplanetas confirmados. De acordo com George Dransfield, da Universidade de Oxford, que liderou o estudo, a composição provável é dominada por hidrogénio e hélio, mas serão necessárias observações de seguimento com o Telescópio Espacial Webb para determinar a química exata. A equipa suspeita que as atmosferas possam exibir tonalidades brancas ou azuis, dependendo da cobertura de nuvens, e não o cor-de-rosa associado ao algodão-doce.

Do ponto de vista da formação planetária, estes mundos representam um enigma. Os modelos atuais sugerem que os “super-puffs” se formam em discos ricos em gás à volta de estrelas jovens, perdendo progressivamente material ao longo do tempo. Contudo, as órbitas excecionalmente longas destes dois planetas — 139 e 232 dias — e a sua baixíssima densidade colocam desafios às teorias vigentes. Jon Jenkins, do Centro de Investigação Ames da NASA, sublinhou que “a principal razão pela qual estes planetas são interessantes é que não esperávamos vê-los”, acrescentando que constituem um puzzle sobre como se formam gigantes gasosos como Júpiter.

A deteção foi possível graças à interação gravitacional mútua entre os dois planetas, que provoca variações regulares nos tempos de trânsito e permitiu calcular as massas com precisão. A estrela hospedeira, TOI-791, tem características semelhantes às do Sol, o que oferece um laboratório comparativo para estudar a evolução de sistemas planetários sob radiação análoga à que banhou o nosso próprio sistema. O próximo marco observacional será a análise espetroscópica detalhada com o Webb, que poderá confirmar a presença de hidrogénio e hélio e revelar a estrutura vertical das atmosferas destes planetas invulgarmente leves.

Divergência — quem conta como
Eixo: Rilevanza scientifica vs. indifferenza
41%Média
3 blocos · posições de −0.30 a +0.70
Scienza marginalizzata, scetticaScienza trionfale, celebrativa
LATIRNATL
Divergência entre blocos de imprensa
Imprensa latino-americana+0.20neutral
Imprensa iraniana e afins−0.30critical
Imprensa atlântica / anglosfera+0.70aligned
Imprensa latino-americana+0.20
Voz

Scientific progress is announced soberly, without excessive celebration.

Mecanismoneutralità tecnica

It relies on the objectivity of numbers and discoveries to avoid political stance.

PragmatismoDistanciamento
Imprensa iraniana e afins−0.30
Voz

Western science does not deserve priority over local concerns, and is relegated to the background.

Mecanismoderubricazione

The news is placed in short snippets, minimizing the importance of the discovery.

CeticismoDistanciamento
Imprensa atlântica / anglosfera+0.70
Voz

American science leads the discovery, demonstrating national technological superiority.

Mecanismotrionfalismo tecnologico

A narrative of linear progress is built, where each discovery is a step toward a better future, emphasizing the role of the US.

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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Astrónomos detetam dois planetas gigantes com densidade inferior à do algodão-doce

Os exoplanetas TOI-791 b e TOI-791 c, do tamanho de Júpiter, são os mais leves já registados na sua categoria e desafiam os modelos de formação planetária.

Uma equipa internacional de astrónomos identificou dois planetas extrassolares cuja densidade é comparável à de uma porção de espuma de barbear, tornando-os os mundos conhecidos mais leves com dimensões semelhantes às de Júpiter. Os corpos, designados TOI-791 b e TOI-791 c, orbitam uma estrela a 1110 anos-luz da Terra, na constelação austral de Volans, e foram detetados pelo satélite TESS da NASA ao longo da última década. A confirmação das massas e densidades exigiu observações complementares a partir de telescópios terrestres, que revelaram valores extremamente baixos: o primeiro planeta tem apenas 3,0% da massa de Júpiter, enquanto o segundo atinge 5,9%, apesar de ambos apresentarem diâmetros praticamente idênticos aos do gigante gasoso do Sistema Solar.

A descoberta, publicada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, insere estes objetos na categoria rara dos “super-puffs”, da qual se conhecem menos de quatro dezenas de exemplares entre os quase 6300 exoplanetas confirmados. De acordo com George Dransfield, da Universidade de Oxford, que liderou o estudo, a composição provável é dominada por hidrogénio e hélio, mas serão necessárias observações de seguimento com o Telescópio Espacial Webb para determinar a química exata. A equipa suspeita que as atmosferas possam exibir tonalidades brancas ou azuis, dependendo da cobertura de nuvens, e não o cor-de-rosa associado ao algodão-doce.

Do ponto de vista da formação planetária, estes mundos representam um enigma. Os modelos atuais sugerem que os “super-puffs” se formam em discos ricos em gás à volta de estrelas jovens, perdendo progressivamente material ao longo do tempo. Contudo, as órbitas excecionalmente longas destes dois planetas — 139 e 232 dias — e a sua baixíssima densidade colocam desafios às teorias vigentes. Jon Jenkins, do Centro de Investigação Ames da NASA, sublinhou que “a principal razão pela qual estes planetas são interessantes é que não esperávamos vê-los”, acrescentando que constituem um puzzle sobre como se formam gigantes gasosos como Júpiter.

A deteção foi possível graças à interação gravitacional mútua entre os dois planetas, que provoca variações regulares nos tempos de trânsito e permitiu calcular as massas com precisão. A estrela hospedeira, TOI-791, tem características semelhantes às do Sol, o que oferece um laboratório comparativo para estudar a evolução de sistemas planetários sob radiação análoga à que banhou o nosso próprio sistema. O próximo marco observacional será a análise espetroscópica detalhada com o Webb, que poderá confirmar a presença de hidrogénio e hélio e revelar a estrutura vertical das atmosferas destes planetas invulgarmente leves.

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