
Apreensões de cocaína no México acendem alerta para demanda da Copa do Mundo
Especialistas apontam que a proximidade do torneio pode ter levado cartéis a estocar droga perto da capital, enquanto autoridades negam vínculo.
Forças de segurança do México apreenderam pouco mais de três toneladas de cocaína em 22 de junho, em duas operações distintas realizadas no mesmo dia. A droga foi interceptada no estado de Guerrero, no oeste do país, e em Tlaxcala, estado central sem litoral que não figura entre as rotas tradicionais do narcotráfico. As apreensões ocorrem a menos de um mês do início da Copa do Mundo de 2026, que terá partidas na Cidade do México, Guadalajara e Monterrey.
Seis especialistas em segurança consultados pela agência Reuters consideram que o torneio é a explicação mais provável para a presença de um carregamento tão volumoso em Tlaxcala. Andrés Sumano, investigador do El Colegio de la Frontera Norte, em Tijuana, afirmou que o aumento esperado da procura durante o Mundial pode ter levado grupos criminosos a reforçar os estoques em armazéns próximos da capital, facilitando uma apreensão desta escala. Três traficantes que atuam na Cidade do México relataram à Reuters ter observado um crescimento da demanda nas últimas semanas, descrevendo os grandes eventos internacionais como “uma boa oportunidade” para ampliar as vendas.
As autoridades, contudo, não estabeleceram qualquer relação oficial entre as apreensões e a Copa. O porta-voz do governo de Tlaxcala, Antonio Martínez, declarou que a operação “não constitui prova de que Tlaxcala seja um centro de operação ou distribuição do crime organizado, nem há qualquer informação que permita vincular este fato a eventos internacionais”. O pesquisador Vicente Sánchez, do Sistema Nacional de Pesquisadores do México, sustenta que a hipótese do Mundial permanece a mais plausível, dada a quantidade incomum de cocaína armazenada num local tão próximo da Cidade do México.
O episódio reacende o debate sobre a exposição de milhões de visitantes a mercados ilegais de drogas durante o torneio. O México é o único dos três países-sede que recebe o Mundial sem um mercado regulado de cannabis, o que, segundo representantes da indústria e organizações como a Revolución con Flores, deixa turistas e cidadãos à mercê de redes informais. Dados citados pela organização indicam que 29% dos viajantes norte-americanos manifestam interesse em consumir cannabis durante a estadia no país, percentual que sobe para 50% entre os millennials. As investigações sobre as apreensões de cocaína prosseguem, sem que até ao momento tenha sido confirmada uma conexão direta com o evento desportivo.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A Copa do Mundo está impulsionando um aumento no tráfico de cocaína para a Cidade do México, com os cartéis buscando atender à demanda de turistas e torcedores. Grandes apreensões em Guerrero e Tlaxcala mostram que as forças de segurança estão interceptando remessas maiores, mas o influxo levanta preocupações sobre violência e segurança pública durante o torneio.
Analistas levantam uma nova hipótese: a Copa do Mundo está levando os cartéis a mover mais cocaína para a capital. Duas grandes apreensões, incluindo uma em um estado de trânsito incomum, sugerem que os traficantes estão adaptando as rotas para suprir o esperado aumento no consumo.
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