
Inglaterra adia chegada e esconde hotel para enfrentar México na altitude do Azteca
Seleção inglesa adota logística de último momento e sigilo total para as oitavas de final no estádio mais temido das Américas, enquanto o México se apoia em campanha perfeita e na rarefação do ar.
A decisão da Inglaterra de postergar ao máximo sua chegada à Cidade do México e manter em segredo o hotel de concentração domina os preparativos para o confronto de domingo, pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O técnico Thomas Tuchel confirmou que a equipe viajará de sua base em Kansas City apenas na sexta-feira, menos de 48 horas antes da partida no Estádio Azteca, contrariando a prática de aclimatação gradual. A medida visa, segundo a imprensa britânica, proteger os treinos táticos de olhares adversários e evitar o assédio noturno de torcedores mexicanos, que na rodada anterior perturbaram o sono da delegação do Equador com buzinas, alto-falantes e motocicletas.
A altitude de 2.240 metros é o obstáculo mais citado por especialistas europeus. Tuchel classificou a desvantagem como “impossível de superar em quatro dias”, ecoando análises de médicos do esporte que apontam a queda na pressão parcial de oxigênio e a dilatação dos vasos sanguíneos como fatores que reduzem o rendimento aeróbico. Na perspetiva de observadores em Lisboa, o calendário apertado do torneio — com apenas 102 horas entre o jogo anterior em Atlanta e o apito inicial no Azteca — torna inviável qualquer adaptação significativa, já que a produção de glóbulos vermelhos exige dias ou semanas. O México, por sua vez, disputou três partidas no estádio durante a fase de grupos e chega com quatro vitórias, oito gols marcados e nenhum sofrido, consolidando uma campanha que a imprensa mexicana descreve como a mais sólida desde 1986.
Fora de campo, o sigilo sobre a hospedagem inglesa reflete o temor de que se repitam as “serenatas” que levaram o Equador a apresentar queixa formal à Fifa. A federação inglesa, segundo relatos na imprensa da Cidade do México, planeja distribuir protetores auriculares e máquinas de ruído branco aos jogadores, além de recorrer a remédios naturais para dormir. A polícia capitalina reforçará a segurança no entorno do hotel, enquanto o governo local, após a morte de quatro pessoas em comemorações na rodada anterior, instalou telões em vários pontos da cidade para dispersar multidões e emitiu alertas para evitar aglomerações no Ángel de la Independencia.
O histórico do Azteca pesa. Em 89 partidas oficiais no estádio, o México perdeu apenas duas — para Costa Rica em 2001 e Honduras em 2013 — e jamais foi derrotado em dez jogos de Copa do Mundo no local. A memória afetiva dos ingleses é igualmente intensa: foi ali que, em 1986, Diego Maradona marcou o “Gol do Século” e a “Mão de Deus” para eliminar a Inglaterra nas quartas de final. Agora, o duelo reedita o único encontro mundialista entre as seleções, vencido pelos ingleses por 2 a 0 na fase de grupos de 1966, ano do seu único título. Para os leitores brasileiros, o estádio evoca a consagração de Pelé em 1970, mas também a dificuldade crónica de equipas europeias em render na altitude, tema que a imprensa do Rio de Janeiro acompanha com interesse pela presença de vários jogadores da Premier League no confronto.
Apesar do favoritismo atribuído à Inglaterra pelas casas de apostas, analistas na Cidade do México sublinham que o “Tri” de Javier Aguirre combina solidez defensiva com o apoio de quase 90 mil torcedores. O vencedor enfrentará nos quartos de final o ganhador do duelo entre Argentina e Dinamarca, mantendo viva a possibilidade de um clássico sul-americano mais adiante. A partida está marcada para as 18h00 locais (21h00 em Brasília) de domingo, com transmissão para o Brasil e Portugal.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A Inglaterra adiou a viagem à Cidade do México para evitar espionagem tática, ao mesmo tempo que reconhece o inevitável desafio da altitude no Azteca. A equipe encara uma missão difícil no mata-mata da Copa.
A altitude da Cidade do México é apresentada como uma vantagem decisiva para os donos da casa, com especialistas médicos alertando que a falta de aclimatação da Inglaterra será crítica. Até mesmo figuras como 'Checo' Pérez enfatizam como é difícil respirar, enquanto o treinador inglês reclama da adaptação física impossível.
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