
Alerta sísmico do Android deu segundos cruciais à Venezuela
Sistema do Google usou acelerómetros de telemóveis para detetar sismos e enviar avisos antes dos abalos mais destrutivos, suprindo a falta de rede oficial no país.
A 24 de junho, dois sismos de magnitude 7,2 e 7,5 abalaram o norte da Venezuela, causando pelo menos 589 mortos. Milhões de utilizadores Android receberam alertas nos telemóveis segundos antes de sentirem os tremores, ganhando tempo para se protegerem. O sistema Android Earthquake Alerts, da Google, transformou os smartphones numa rede sísmica distribuída, colmatando a inexistência de um sistema de alerta precoce oficial no país.
A tecnologia baseia-se nos acelerómetros dos dispositivos, que detetam as ondas P, mais rápidas e menos percetíveis. Quando muitos aparelhos na mesma zona registam vibrações simultâneas, os servidores da Google triangulam o epicentro e emitem alertas antes da chegada das ondas S, mais lentas e destrutivas. O tempo de aviso depende da distância: a 100 km do epicentro pode chegar a 50 segundos, mas perto do foco reduz-se a poucos segundos. Na Venezuela, relatos indicam margens de 10 a 35 segundos, e o sistema não faz previsões, apenas deteta o início do evento.
Operacional desde 2020, o sistema abrange mais de 2,5 mil milhões de dispositivos e alerta mensalmente cerca de 18 milhões de telemóveis para 60 sismos. Nos EUA, integra a rede oficial ShakeAlert; noutros países, funciona como substituto. Especialistas italianos, como Marco Savoia da Universidade de Bolonha, notam que em sismos terrestres pouco profundos, como os da Venezuela e os típicos em Itália, o aviso é mínimo para as zonas mais afetadas. Por isso, a Google não ativou o sistema em Itália. O sistema também registou falhas, como um falso alarme no Brasil em 2025 e a omissão nos sismos da Turquia e Síria em 2023, o que motivou ajustes nos algoritmos.
Na Venezuela, onde não há cultura sísmica nem construções preparadas, os alertas foram um recurso vital, mas a elevada mortalidade mostra que segundos de aviso são apenas um elemento da resiliência. Observadores latino-americanos sublinham que a tecnologia não substitui códigos de construção rigorosos nem a educação da população. O próximo marco será observar se a tragédia impulsiona investimentos em sistemas oficiais de alerta na região ou aperfeiçoamentos do algoritmo para sismos superficiais. As operações de resgate continuam, com o Serviço Geológico dos EUA a alertar para uma probabilidade elevada de réplicas.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Os alertas sísmicos baseados em smartphones mostraram-se salva-vidas na Venezuela, mas os especialistas alertam que tais sistemas só são eficazes para quem está longe do epicentro. Na Itália, o sistema de alerta do Android não está ativo, levantando questões sobre a preparação. A tecnologia é promissora, mas não substitui as redes nacionais de alerta precoce.
Muitos venezuelanos receberam alertas de terremoto em seus smartphones Android momentos antes dos tremores mortais. O sistema, que usa sensores do telefone para detectar atividade sísmica, está disponível tanto no Android quanto no iOS. O evento destaca o potencial da tecnologia móvel no alerta de desastres, mesmo em países sem sistemas oficiais.
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