
Eliminação alemã para o Paraguai expõe crise de liderança e futuro incerto de Nagelsmann
Derrota nos pênaltis no Mundial de 2026 desencadeia críticas internas, recusa de cobrança decisiva e pressão por troca de comando técnico.
A Alemanha foi eliminada do Mundial de 2026 nos dezasseis-avos-de-final, ao cair nos penáltis frente ao Paraguai (4-3), após um empate 1-1 em Boston. Kai Havertz ainda resgatou a Mannschaft com o golo que anulou a vantagem paraguaia de Julio Enciso, mas o prolongamento não desfez a igualdade. Na decisão por penáltis, Havertz, Nick Woltemade e Jonathan Tah falharam as suas cobranças, enquanto o Paraguai converteu quatro dos cinco remates. A eliminação precoce prolonga um ciclo de insucessos: desde o título de 2014, a Alemanha não voltou a ultrapassar os oitavos-de-final, tendo caído na fase de grupos em 2018 e 2022.
A derrota expôs fissuras no balneário. Imagens televisivas mostraram o capitão Joshua Kimmich a procurar voluntários para o sexto penálti, com Leon Goretzka a recusar por duas vezes, segundo a imprensa alemã. Coube a Jonathan Tah, defesa sem experiência em penáltis, assumir a responsabilidade e falhar. O antigo capitão Lothar Matthäus, em comentários repercutidos na Europa e na América do Sul, atribuiu o fracasso a distrações extra-campo: a presença de familiares desde o início do torneio teria gerado ciúmes e discussões sobre privilégios de viagem, repetindo o ambiente de 1994. “Havia demasiada agitação que não se via do exterior”, afirmou, sublinhando que o foco nunca esteve no Mundial.
O futuro do selecionador Julian Nagelsmann tornou-se o centro do debate. O técnico de 38 anos recusou demitir-se, declarando-se disponível para continuar até ao Europeu de 2028, mas admitiu que a decisão cabe à federação (DFB). O diretor desportivo Rudi Völler manifestou apoio público, enquanto o presidente Bernd Neuendorf prometeu uma análise serena nos próximos dias. Nos meios de comunicação alemães, contudo, ganha força a hipótese de Jürgen Klopp, atualmente executivo da Red Bull, assumir o cargo. O próprio Klopp, comentador televisivo durante o torneio, evitou alimentar a especulação, mas fontes próximas indicam que estaria recetivo a um projeto de reconstrução.
Analistas alemães e de outras praças europeias divergem sobre as causas. Para Oliver Kahn, antigo guarda-redes e dirigente, o problema é estrutural: três selecionadores com ideias distintas caíram no mesmo ponto, o que revela uma crise de responsabilidade dos jogadores. Já Bastian Schweinsteiger apontou a perda da “identidade alemã” — intensidade e robustez — e classificou a equipa como “mediana”. A imprensa sul-americana, por seu lado, destacou a fragilidade anímica germânica e a atitude defensiva de Nagelsmann na entrevista à jornalista Lili Engels, da ZDF, que se tornou viral.
Enquanto a comitiva regressava a Munique sob chuva e Nagelsmann evitava a imprensa, a DFB prepara uma cimeira decisiva. A anfitriã do próximo Europeu vê-se perante a necessidade de redefinir o seu futebol, com a sombra de Klopp a pairar sobre um Nagelsmann que, apesar do contrato até 2028, pode não resistir ao terceiro fracasso consecutivo em grandes torneios.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Após perder nos pênaltis para o Paraguai, a Alemanha está fora da Copa do Mundo. O técnico Nagelsmann admitiu que sua equipe não é mais de elite mundial. Crescem as especulações de que Jürgen Klopp assumirá o comando, enquanto o futuro de Nagelsmann segue incerto.
O fiasco alemão na Copa do Mundo colocou Nagelsmann à beira da demissão. Os dirigentes da federação discutem sua saída, e uma frase de Rudi Völler é interpretada como um sinal de adeus. Jürgen Klopp é apontado como o salvador para reconstruir a equipe.
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