
Alemanha atribui crise do Estreito de Ormuz a Trump e condiciona reabertura ao apoio de Irã e Omã
Ministro da Defesa Boris Pistorius afirmou que a operação militar americano-israelita contra o Irã originou o bloqueio e que a Europa depende da reabertura para garantir abastecimento energético e recuperação econômica.
O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, responsabilizou publicamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo fechamento do Estreito de Ormuz, via marítima estratégica para o transporte global de petróleo e gás. Em entrevista à televisão ARD, Pistorius declarou que “a rolha no gargalo do Estreito de Ormuz foi empurrada por Donald Trump, não por nós”, mas frisou que a Europa tem “interesse em retirá-la”. A afirmação ocorre num momento de renovada tensão, após o Irã ter ameaçado bloquear novamente a passagem, desta vez em resposta aos ataques israelitas no Líbano.
Segundo fontes iranianas, o estreito foi fechado em finais de fevereiro, como reação às operações militares conjuntas dos EUA e de Israel contra o Irã, iniciadas a 28 de fevereiro. Um memorando de entendimento assinado entre Trump e o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, permitiu a reabertura progressiva do tráfego marítimo. Contudo, Teerão advertiu no sábado que poderá voltar a encerrar a via, alegando a continuação dos bombardeamentos israelitas em território libanês. Na perspetiva iraniana, qualquer trânsito deve ser coordenado com as autoridades do país, e está vedado a navios ligados aos EUA, a Israel e aos seus aliados. O papel de Omã é também sublinhado: o próprio ministro alemão reconheceu que qualquer acordo para a reabertura duradoura exige o envolvimento de Teerão e de Mascate.
Para os países lusófonos, a crise no Estreito de Ormuz tem impactos indiretos mas significativos. Observadores em Lisboa notam que Portugal, altamente dependente das importações de combustíveis, fica particularmente exposto à volatilidade dos preços do petróleo, numa conjuntura de fragilidade económica europeia. No Brasil, analistas apontam que a perturbação das rotas marítimas pode influenciar os custos logísticos globais, com reflexos no comércio exterior brasileiro, embora o país seja grande produtor de petróleo. Para Angola e Moçambique, produtores emergentes de hidrocarbonetos, a instabilidade no Golfo Pérsico poderá representar uma oportunidade de maior procura pelos seus recursos, mas também acarreta riscos de contágio financeiro e de escalada de preços.
A posição alemã distancia-se da estratégia de Washington. O chanceler Friedrich Merz já classificara a guerra “não como um assunto para a NATO” e criticara, à semelhança de Pistorius, a falta de consulta prévia aos aliados antes dos ataques ao Irã. Quando Trump pressionou os aliados para ajudarem a reabrir ou a proteger o estreito, em abril, a Alemanha recusou envolver-se militarmente. O impasse atual coloca em evidência a fragilidade do memorando de entendimento, cuja cláusula quinta atribui ao Irã a determinação da administração futura e dos serviços marítimos no estreito, em diálogo com Omã. Enquanto não houver um cessar-fogo alargado que inclua o Líbano, o risco de um novo fecho permanece, e a diplomacia europeia concentra esforços em evitar uma escalada que afete ainda mais o abastecimento energético e a recuperação económica do bloco.
Perante a incerteza, o governo alemão reitera que qualquer solução deve ser multilateral, com o envolvimento iranianos e omanitas, e que a segurança do estreito é vital para a Europa. Em Teerã, a equipa negociadora iraniana alertou para que as forças armadas estão prontas a responder de “outra forma”, enquanto Oman desempenha discretamente um papel de mediação. A perspetiva de um alargamento do conflito, com potenciais repercussões nas economias lusófonas, mantém a comunidade internacional em alerta, e as capitais europeias avaliam mecanismos diplomáticos para evitar que o “gargalo” de Ormuz volte a fechar-se.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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The Southeast Asian press reported that the German defense minister attributed the closure of the Strait of Hormuz to former President Trump, emphasizing Europe's interest in reopening the vital waterway. The coverage focused on the minister's statement without adding much commentary, presenting the issue as a practical concern for global trade and energy supplies.
The Russian state-affiliated press highlighted the German minister's accusation against Trump, framing it as a confirmation of US responsibility for the crisis. The reporting subtly endorsed the view that the United States, not Europe or Russia, caused the blockade, and noted the need for a resolution involving Iran and Oman.
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