
África celebra campanha histórica no Mundial e expande CAN para 28 seleções
Nove das dez seleções africanas chegaram aos 16-avos de final do Mundial de 2026, o melhor desempenho de sempre, enquanto a CAF anuncia alargamento da Taça das Nações e duplica prémios do CAN feminino.
O apito final da fase de grupos do Mundial de 2026 selou um feito inédito para o futebol africano: nove das dez seleções do continente avançaram para os 16-avos de final, a percentagem mais elevada de sempre (90%). Apenas a Tunísia ficou pelo caminho, enquanto Egito e Marrocos prolongaram a campanha até aos quartos de final. Cabo Verde, Costa do Marfim, RD Congo, Senegal, África do Sul, Gana e Argélia completaram o lote de apurados, num torneio alargado a 48 equipas. Na perspetiva de Brasília, o desempenho de Cabo Verde — a única seleção lusófona presente — foi saudado como um sinal de consolidação do trabalho de base no arquipélago, que já integrara a fase final do CAN com regularidade.
O presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF), Patrice Motsepe, sublinhou que o continente representou 20,8% das seleções participantes, mas contribuiu com 28,1% das equipas nos mata-matas, um rácio apenas superado pela UEFA. Em conferência de imprensa em Joanesburgo, Motsepe anunciou a realização de um congresso com treinadores, antigos internacionais e especialistas para avaliar a prestação e preparar recomendações com vista ao Mundial de 2030. “Identificámos áreas específicas onde há margem para melhoria e estou confiante de que as equipas técnicas e os jogadores vão implementar as correções necessárias”, afirmou, citado pela imprensa africana.
A par do balanço mundialista, a CAF confirmou que a Taça das Nações Africanas (CAN) de 2027, a disputar no Quénia, Uganda e Tanzânia, será a primeira edição com 28 seleções, mais quatro do que o formato atual. As equipas serão distribuídas por sete grupos de quatro, apurando-se as duas primeiras de cada grupo e os dois melhores terceiros para os oitavos de final. Observadores em Lisboa notam que o alargamento pode abrir espaço para regressos de seleções lusófonas como Angola e Moçambique, que têm lutado por um lugar na fase final. A CAF justificou a medida com o objetivo de tornar a competição mais inclusiva e competitiva, dando mais oportunidades de exposição internacional.
No futebol feminino, o CAN de 2026, que arranca a 26 de julho em Marrocos, terá um aumento de 100% no prémio para a campeã, que passa para dois milhões de dólares. O bolo total de prémios sobe 67%, para 5,8 milhões de dólares, e cada uma das 16 seleções participantes receberá 150 mil dólares de verba de participação. Cabo Verde integra o Grupo D, juntamente com Camarões, Mali e Gana, enquanto a anfitriã Marrocos partilha o Grupo A com Argélia, Senegal e Quénia. A Nigéria, campeã em título, defende o troféu no Grupo C, frente a Zâmbia, Egito e Malawi.
O próximo ciclo competitivo já está em marcha: as eliminatórias para a CAN 2027 arrancam em setembro, com o Gana inserido no Grupo C ao lado de Costa do Marfim, Somália e Gâmbia. A CAF abriu ainda o processo de candidatura para as edições de 2028, 2032 e 2036 do CAN, e lançou um concurso para os direitos comerciais desses torneios, com o objetivo de maximizar receitas e reinvestir no desenvolvimento das 54 federações-membro. A assembleia geral ordinária da organização está marcada para 21 de novembro, em Abuja, Nigéria.
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| Imprensa árabe Levante-Magrebe | +0.30 | aligned |
O presidente da CAF proclama o recorde como um sucesso coletivo africano e um projeto de crescimento.
Declarações oficiais e dados percentuais são usados para transformar um evento esportivo em uma narrativa de progresso continental.
A CAF anuncia reformas estruturais para ampliar a participação e aumentar as recompensas financeiras nas competições africanas.
Ao relatar decisões sem celebrar o recorde mundial, a narrativa se desloca para o desenvolvimento institucional e o planejamento futuro.
O bloco não menciona o recorde mundial das equipes africanas, concentrando-se apenas nas decisões estruturais da CAF.
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