
Mali, Níger e Burkina Faso formalizam candidatura conjunta ao CAN 2032
Reunidos em Nova Iorque com Patrice Motsepe, os três países do Sahel governados por juntas militares deram o passo formal para acolher a principal competição do futebol africano.
A candidatura conjunta de Mali, Níger e Burkina Faso para sediar a edição de 2032 do Campeonato Africano das Nações (CAN) foi formalizada no sábado, em Nova Iorque, durante uma reunião com o presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF), Patrice Motsepe. O encontro, que contou com os dirigentes das três federações nacionais, foi descrito pela Federação Maliana de Futebol como “uma etapa crucial no processo de candidatura”, permitindo agora avançar com os procedimentos previstos nos regulamentos da CAF para a atribuição do torneio.
Os três vizinhos, que integram a Aliança dos Estados do Sahel (AES) e são liderados por juntas militares saídas de golpes de Estado, enfrentam uma crise de segurança devido a ataques de grupos jihadistas que causaram milhares de mortos. Apesar deste contexto, os países apresentam infraestruturas desportivas em diferentes fases de desenvolvimento: o Mali dispõe de cinco estádios homologados pela CAF, o Burkina Faso obteve em 2025 a aprovação do seu principal recinto em Ouagadougou e o Níger prossegue as obras de reabilitação do Estádio General Seyni Kountché, interditado para jogos internacionais desde 2022. O Burkina Faso organizou o CAN em 1998 e o Mali em 2002, enquanto o Níger nunca acolheu a competição.
Na perspetiva da CAF, o processo de seleção será conduzido com base em critérios técnicos e de segurança. Motsepe afirmou que os três países “terão as mesmas oportunidades que todos os outros” e que as questões de segurança serão avaliadas, sublinhando que a democracia e a liberdade de expressão são “innegociáveis”. O dirigente sul-africano anunciou que visitará os países para discutir a vertente futebolística e que a decisão final caberá ao comité executivo da organização. A CAF estuda ainda a expansão do torneio de 24 para 28 seleções e a sua realização a cada quatro anos a partir de 2028.
A candidatura insere-se num movimento mais amplo de integração regional promovido pela AES, que inclui a criação de plataformas mediáticas conjuntas, como a Rádio Daande Liptako e a televisão Tafouk, aprovadas esta semana pelo parlamento de transição do Burkina Faso. A próxima edição do CAN, em 2027, será coorganizada por Quénia, Tanzânia e Uganda, marcando a primeira vez que três países partilham a organização do evento.
| Imprensa africana subsaariana | −0.10 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.10 | neutral |
Reconhecemos a ambição da candidatura conjunta dos estados do Sahel, mas o caminho está repleto de violência jihadista e fragilidade política.
Ao contrapor repetidamente a linguagem aspiracional da candidatura com referências concretas à insegurança e ao governo militar, a narrativa cria uma tensão que torna a candidatura ao mesmo tempo audaciosa e precária.
Deixa de lado o enquadramento da soberania dos estados do Sahel como uma posição independente positiva, concentrando-se exclusivamente nas questões de legitimidade e nos desafios de segurança.
Os estados do Sahel afirmam a sua soberania ao candidatarem-se à CAN apesar da ameaça jihadista, provando a sua resiliência e caminho independente.
Ao ligar a candidatura a políticas soberanas independentes e justapô-la com a violência mortal em curso, a narrativa retrata a candidatura como um ato desafiador de resiliência.
Omite a reunião de alto nível com o presidente da CAF em Nova Iorque que o bloco subsaariano destaca, o que pode minimizar a seriedade diplomática da candidatura.
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