
Ação coletiva nos EUA acusa gigantes de DRAM de cartel, enquanto Apple sobe preços
Samsung, SK Hynix e Micron são processadas por alegada restrição de oferta de memória, num contexto de aumentos generalizados nos eletrónicos de consumo e pressão sobre pequenos fabricantes.
Uma ação coletiva apresentada a 25 de junho no tribunal federal do Distrito Norte da Califórnia acusa a Samsung, a SK Hynix e a Micron de coordenarem cortes na produção de DRAM para inflacionar os preços. No mesmo dia, a Apple anunciou aumentos de até 20% nos MacBook e iPad, fazendo as ações da empresa caírem 6% — a pior sessão em mais de um ano. A queixa, subscrita por consumidores e pequenos negócios, alega que o trio, que controla a quase totalidade do mercado mundial, reduziu deliberadamente o fabrico de módulos DDR3 e DDR4, redirecionando recursos para a memória de alta largura de banda (HBM) usada em centros de dados de inteligência artificial.
Segundo a petição, a escassez artificial fez os preços da DRAM subirem cerca de 700% em quatro anos. A acusação sustenta que, num mercado saudável, a subida de preços atrairia mais oferta, mas as rés terão mantido o estrangulamento, aproveitando barreiras à entrada que incluem custos de dezenas de mil milhões de dólares por fábrica e décadas de segredos industriais. O processo recorda que, em 2005, a Samsung pagou 300 milhões de dólares em multas por fixação de preços no mesmo setor, e que a China investigou os três fabricantes durante o pico de preços de 2016-2018.
A pressão nos custos levou a Apple a procurar diversificar fornecedores. Analistas em Taiwan indicam que a empresa está a negociar com a Casa Branca autorização para comprar à chinesa CXMT, atualmente sob restrições de exportação, não para baixar custos, mas para gerir o risco de ruptura de abastecimento. A escassez atinge sobretudo os pequenos fabricantes: nos EUA, a IDC descreve uma “crise existencial” para marcas de telemóveis de baixo custo, enquanto a GoPro alertou para risco de falência e a Sonos viu as ações caírem 23%. A Microsoft aumentou o preço da Xbox em até 150 dólares, citando custos de memória 2,5 vezes superiores.
A decisão da Apple gerou críticas políticas — o senador independente Bernie Sanders acusou o CEO Tim Cook de “ganância empresarial” — mas analistas de Wall Street consideraram o aumento inevitável para preservar margens. No mercado russo, distribuidores estimam que os stocks existentes atrasem a subida de preços por semanas ou meses, enquanto na Indonésia a Apple confirmou a atualização das tabelas. O tribunal da Califórnia irá agora decidir se aceita a ação como coletiva, o que poderia expor as rés a indemnizações triplas. O próximo marco factual será o relatório de resultados da Apple a 30 de julho, o primeiro a refletir o impacto dos novos preços na procura.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Uma ação coletiva nos EUA acusa Samsung, SK Hynix e Micron de coordenar cortes de produção para inflacionar os preços das DRAM. A queixa destaca a velocidade e a escala impressionantes dos aumentos, deixando consumidores e pequenas empresas a braços com custos de memória galopantes.
A Apple aumentou os preços dos seus laptops e tablets, citando subidas inevitáveis nos custos dos chips de memória. Os consumidores russos preparam-se agora para que esses aumentos cheguem ao mercado local, enquanto a escassez global de semicondutores continua a propagar-se pelas cadeias de abastecimento.
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