
Geração de 90 envelhece mais rápido, mas exercício na meia-idade rejuvenesce o cérebro
Estudo com 160 mil pessoas revela aceleração biológica em jovens e risco de cancro precoce, enquanto atividade física aos 40 anos reduz idade cerebral; especialistas reforçam papel do sono.
Um estudo observacional publicado na revista Nature Medicine, que analisou dados de mais de 160 mil pessoas nos Estados Unidos e no Reino Unido, concluiu que os nascidos na década de 1990 apresentam uma idade biológica superior à das gerações anteriores quando comparados na mesma idade cronológica. A investigação, conduzida pela Faculdade de Medicina da Universidade de Washington, utilizou biomarcadores sanguíneos para calcular o índice PhenoAge e detetou que o envelhecimento sistémico aumentou nas coortes mais recentes. A cada incremento significativo nos indicadores de envelhecimento biológico, o risco de desenvolver tumores sólidos antes dos 55 anos — como cancro de pulmão, gastrointestinal e de útero — subiu cerca de 8%, e o grupo com maior envelhecimento registou um risco 15% superior. Os autores apontam como prováveis fatores o stress crónico, o sedentarismo e as alterações na alimentação, embora o desenho do estudo não permita estabelecer causalidade.
Em contraponto, um ensaio clínico com 130 homens e mulheres sedentários, a maioria na casa dos 40 anos, revelou que um ano de exercício aeróbico regular foi suficiente para rejuvenescer funcionalmente o cérebro. As ressonâncias magnéticas mostraram que a idade cerebral dos participantes que se exercitaram diminuiu, enquanto a do grupo de controlo aumentou ligeiramente, segundo os investigadores do AdventHealth Research Institute, em Orlando. “O cérebro é modificável e o exercício é uma excelente forma de o modificar”, afirmou Kirk Erickson, autor sénior do trabalho. A descoberta reforça a meia-idade como um ponto de inflexão para a saúde cerebral. Paralelamente, especialistas em sono na Argentina e em Espanha sublinham que a privação de descanso acelera o desgaste celular. A partir dos 45 anos, o relógio biológico adianta-se, a produção de melatonina ocorre mais cedo e os despertares matinais tornam-se mais frequentes, comprometendo a reparação noturna de toxinas e danos celulares.
Outras frentes de investigação detalham como o momento e o tipo de atividade física influenciam o organismo. Dados dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA indicam que o exercício aeróbico matinal favorece a perda de peso, enquanto o treino de força à noite melhora a qualidade do sono e o ganho muscular. Já os alongamentos estáticos antes do exercício podem reduzir temporariamente a potência muscular, recomendando-se em seu lugar movimentos dinâmicos. Sinais corporais quotidianos também merecem atenção: o ressonar crónico e a sonolência diurna excessiva podem ser indícios de apneia obstrutiva do sono, condição que aumenta o risco de hipertensão e doenças cardiovasculares, alertam médicos em Nova Deli. Flatulência frequente, cãibras noturnas ou comichão no couro cabeludo, embora geralmente benignos, podem refletir intolerâncias alimentares, desidratação ou carências minerais, e a inatividade na reforma está associada a declínio cognitivo e alterações de humor, nota um reabilitador norte-americano.
Os autores do estudo da Nature Medicine defendem que a idade biológica seja incorporada nos rastreios de cancro para diagnóstico precoce. O ensaio sobre exercício e cérebro prossegue com a análise de quais as modalidades e intensidades ideais para preservar a função cognitiva. Enquanto não chegam respostas definitivas, a convergência das evidências disponíveis aponta para a manutenção de rotinas de sono de sete a nove horas, a prática regular de atividade física e a atenção a sinais persistentes do corpo como as intervenções de maior impacto na trajetória de envelhecimento.
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