
Wimbledon: Osaka brilha na quadra e na moda, enquanto tradição resiste ao futebol
A tenista japonesa venceu e exibiu um vestido inspirado no quimono, num torneio que mantém o silêncio absoluto mesmo com o Mundial de futebol a decorrer.
Naomi Osaka garantiu a passagem à terceira ronda de Wimbledon com uma vitória categórica sobre Anastasia Gasanova, por 6-3 e 6-2, mas foi o seu visual que voltou a dominar as atenções. Depois de no primeiro jogo ter usado um vestido branco com cauda inspirado no quimono de noiva japonês, desenhado por Hana Yagi, a tenista surgiu com um modelo mais simples, mas igualmente marcante, com lenço decorado e casaco comprido. No final, Osaka revelou uma motivação extra: “Amanhã é o terceiro aniversário da minha filha. Queria ficar mais tempo aqui, não queria que ela tivesse de viajar no dia do aniversário.”
A indumentária de Osaka insere-se na rígida tradição de Wimbledon, que desde 1880 impõe o uso quase total de branco para minimizar as manchas de suor, consideradas impróprias. Apenas pequenos detalhes coloridos de até um centímetro são permitidos. Em 2022, o torneio flexibilizou a regra para que as tenistas pudessem usar calções escuros por baixo da saia, respondendo a preocupações com o ciclo menstrual. Na perspetiva de Brasília, onde o torneio é acompanhado com interesse pela presença do jovem João Fonseca, a rigidez do código de vestuário contrasta com a criatividade que Osaka trouxe ao relvado, transformando a quadra numa passerelle cultural.
Fora das quadras, o público famoso também está a abandonar o branco. Observadores em Lisboa notam que celebridades como AJ Odudu, Jameela Jamil e Mollie King optaram por tons pastel, padrões de bolinhas e fatos cor-de-rosa, num afastamento do “luxo silencioso” em direção ao “dopamine dressing”. A tendência, analisam especialistas de moda citados pela imprensa britânica, reflete uma vontade de expressar personalidade através de cores vibrantes, mesmo num ambiente historicamente contido.
A tradição também se impõe no silêncio. A organização recusou transmitir os jogos do Campeonato do Mundo de futebol nos ecrãs gigantes do complexo, mesmo com o Inglaterra–RD Congo a coincidir com a jornada desta quarta-feira. A presidente do All England Club, Sally Bolton, afirmou que o foco está no ténis, embora os adeptos possam usar os telemóveis. O episódio de 2024, quando Novak Djokovic interrompeu um jogo para simular um penálti após a multidão festejar um golo de Inglaterra, mostra como o futebol consegue infiltrar-se no templo do ténis.
Osaka, que nunca passou da terceira ronda em Wimbledon, enfrentará agora a vencedora do duelo entre Daria Kasatkina e Janice Tjen. A sua campanha, dentro e fora do court, ilustra o delicado equilíbrio entre a herança vitoriana do torneio e as forças contemporâneas da moda, do desporto global e da vida pessoal das atletas.
| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | +0.50 | aligned |
| Imprensa do Golfo árabe | −0.30 | critical |
Wimbledon faces a choice: modernize or lose relevance. Change is normal, as long as it is gradual.
The tension is presented as a natural system adaptation, smoothing over conflict and normalizing external pressure.
The world is changing and Wimbledon must adapt: football and new generations show the way toward a more inclusive and authentic sport.
The football experience is universalized as a symbol of modernity and social justice, contrasted with a closed, classist institution.
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