
Washington veta regresso de líder opositora e acusa-a de oportunismo após sismos na Venezuela
Administração Trump rejeitou pedidos de María Corina Machado para voltar ao país após os terremotos de 24 de junho, priorizando a ajuda humanitária coordenada com o governo de Delcy Rodríguez.
O governo dos Estados Unidos bloqueou nas últimas semanas as tentativas da líder opositora venezuelana María Corina Machado de regressar a Caracas após os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 que devastaram o estado de La Guaira em 24 de junho, deixando mais de 2.200 mortos. Segundo fontes diplomáticas em Washington, a administração de Donald Trump considerou os pedidos “irritantes” e viu nas gestões da Nobel da Paz um “oportunismo político grotesco”, receando que a sua presença desestabilizasse um país sob “tutela absoluta” dos EUA, na expressão de analistas citados pela imprensa argentina.
Na perspetiva da Casa Branca, a prioridade é a resposta humanitária coordenada com o governo de Delcy Rodríguez, que Washington vê como interlocutor viável apesar das tensões históricas. A CIA e altos funcionários do Departamento de Estado terão convencido o presidente de que a chegada de Machado acrescentaria um “ingrediente explosivo” ao cenário político, podendo comprometer as operações de resgate e a distribuição de ajuda. Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que “acrescentar questões políticas sensíveis neste momento é contraproducente”, enquanto fontes do Executivo revelaram à imprensa norte-americana que o secretário de Estado Marco Rubio está “no limite” com a impaciência da dirigente.
Machado, exilada no Panamá desde que saiu clandestinamente do país no ano passado, insistiu em vídeos nas redes sociais que quer “acompanhar” as vítimas e coordenar esforços cidadãos. Acusou o “regime” de fechar temporariamente o espaço aéreo e de ameaçar quem facilitasse o seu regresso. A sua tentativa de usar Curaçau como escala foi travada pelas autoridades neerlandesas depois de Washington se recusar a avalizar a operação. Na oposição venezuelana, as opiniões dividem-se: dirigentes em Caracas, sob anonimato, admitem que “não é o momento” devido ao risco de uma rebelião civil, enquanto outros setores veem no regresso um símbolo de esperança.
O episódio expõe uma reconfiguração da política externa de Trump em relação à Venezuela, onde, segundo o analista Piero Trepiccione, do Centro Gumilla, a Casa Branca exerce “controlo quase absoluto” sobre o governo e mantém “enorme influência” sobre a oposição. A antiga sintonia entre Washington e a líder opositora — simbolizada pela oferta da sua medalha do Nobel a Trump — deu lugar a uma rutura aberta. Enquanto a ajuda internacional prossegue, Machado permanece no Panamá e afirma estar “pronta para fazer o que for preciso”, mas sem o respaldo logístico ou político dos EUA. O dossier mantém-se em aberto, sem data para um eventual regresso.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Washington, que antes apoiava Machado como ferramenta contra Caracas, agora acha seus pedidos irritantes e bloqueia seu retorno após os terremotos. O governo Trump duvida de sua utilidade e prioriza a estabilidade de seu protetorado, revelando a natureza transacional das alianças americanas.
Machado tenta desesperadamente voltar à Venezuela explorando a tragédia do terremoto, mas até seus padrinhos em Washington estão cansados dela. A Casa Branca, temendo a desestabilização de seu protetorado de fato, bate a porta, enquanto o próprio campo antichavista duvida de sua viabilidade política. O episódio expõe a subordinação da oposição aos interesses dos EUA e o cinismo de usar um desastre natural para ganho político.
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