
Washington autoriza transações financeiras com a Venezuela para socorro após sismos
Licença temporária do Tesouro americano visa facilitar ajuda humanitária, mas mantém congelados ativos do governo de Caracas.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos emitiu uma licença que suspende temporariamente as sanções financeiras contra a Venezuela para permitir transações relacionadas com as operações de socorro após os dois sismos de magnitude superior a 7 que atingiram o país na noite de 24 para 25 de junho. A autorização, válida até 23 de outubro de 2026, abrange todas as transferências bancárias e comerciais destinadas exclusivamente à assistência humanitária, mas não descongela bens do Estado venezuelano atualmente bloqueados no exterior. A medida foi anunciada horas depois de Washington ter prometido 150 milhões de dólares em ajuda, dos quais 100 milhões serão canalizados através do escritório de coordenação humanitária da ONU (OCHA).
Na perspetiva de Washington, a decisão representa uma exceção humanitária pontual que não altera a arquitetura de pressão económica mantida contra o governo interino de Delcy Rodríguez. O Tesouro sublinhou que a licença não se aplica a quaisquer outras transações proibidas por ordens executivas ou pelo Regulamento de Sanções contra a Venezuela. Observadores na capital americana recordam que, desde a captura do ex-presidente Nicolás Maduro em janeiro passado, os EUA têm emitido licenças limitadas para o setor petrolífero, mas a atual flexibilização é a primeira motivada por uma catástrofe natural. A administração Trump, segundo fontes diplomáticas, procura dissociar a resposta humanitária da disputa política, mantendo o congelamento de fundos estatais.
A partir de Caracas, a presidente interina Delcy Rodríguez agradeceu publicamente ao presidente Donald Trump pela solidariedade e decretou estado de emergência no estado de La Guaira, o mais afetado. Os sismos, com magnitudes de 7,2 e 7,4 (ou 7,5, segundo algumas agências) e um intervalo de apenas 39 segundos, causaram pelo menos 235 mortos, mais de 4.300 feridos e dezenas de milhares de desaparecidos, de acordo com registos não oficiais. Equipas de resgate internacionais começaram a chegar ao país, enquanto hospitais locais operam acima da capacidade.
Na perspetiva de Brasília, o governo brasileiro mobilizou uma missão humanitária que inclui 36 bombeiros de três estados, nove toneladas de equipamentos de busca e salvamento, e um hospital de campanha com purificadores de água movidos a energia solar. O avião KC-390 da Força Aérea Brasileira partiu na sexta-feira de Guarulhos, e um segundo voo está previsto para sábado. O presidente Lula da Silva conversou por telefone com Rodríguez para coordenar o apoio. O Itamaraty confirmou a morte de dois cidadãos brasileiros nos desabamentos. A operação brasileira insere-se num esforço multilateral que inclui também equipas norte-americanas e de outros países, enquanto a licença do Tesouro americano facilita o fluxo financeiro para organizações humanitárias.
A licença expira em outubro de 2026, mas o quadro sancionatório mais amplo permanece em vigor. A medida não implica o descongelamento de ativos nem a reabertura de canais comerciais regulares. O Conselho de Segurança da ONU ainda não se pronunciou, mas a OCHA já está a operar no terreno. A comunidade internacional continua a monitorizar a situação, enquanto as equipas de resgate correm contra o tempo para encontrar sobreviventes sob os escombros.
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Os Estados Unidos suspenderam temporariamente as sanções para permitir transações humanitárias com a Venezuela após os dois terremotos devastadores. A licença, válida até outubro de 2026, é apresentada como uma resposta pragmática a uma tragédia que deixou mais de 180 mortos e dezenas de milhares de desaparecidos. O foco permanece na urgência do socorro, sem comentários explícitos sobre as restrições anteriores.
Washington foi forçado a flexibilizar suas sanções contra a Venezuela para permitir a ajuda após os catastróficos terremotos, expondo assim a crueldade de suas restrições anteriores. A medida é retratada como um passo inevitável diante da emergência humanitária, com um reconhecimento implícito do fracasso da política de sanções. A autorização temporária é vista com ceticismo, como um gesto tardio que não apaga o sofrimento infligido.
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