
Wall Street recupera com trégua no Irã e impulso de chips
Acordo entre EUA e Irã alivia tensões no Estreito de Ormuz e derruba petróleo, enquanto Intel dispara com parceria da Apple; Europa reage com cautela.
Wall Street encerrou em alta nesta quinta-feira, impulsionada por uma combinação de alívio geopolítico e euforia no setor de semicondutores. O anúncio de um acordo interino entre Estados Unidos e Irã, que prorroga por 60 dias o cessar-fogo de abril, acalmou os mercados ao permitir a retomada da navegação no Estreito de Ormuz — rota vital para o transporte de petróleo, gás e fertilizantes. Simultaneamente, a Intel disparou mais de 10% depois de o presidente Donald Trump revelar que a Apple colaborará com a fabricante de chips para projetar e produzir semicondutores em território americano, levando o índice de semicondutores da Filadélfia a um salto de 6,4%.
A queda acentuada dos preços do petróleo — para mínimos desde o início de março — aliviou temores inflacionários que vinham pressionando as bolsas desde a invasão da Ucrânia. O recuo das cotações contrasta com a sessão anterior, quando os índices americanos caíram diante da perspetiva de novas altas de juros pelo Federal Reserve. O novo presidente do Fed, Kevin Warsh, reiterou a necessidade de conter a inflação, e as projeções do comitê sinalizaram um aperto monetário mais prolongado. Apesar disso, o mercado passou a atribuir 50% de probabilidade a uma elevação de 25 pontos-base em setembro, segundo a ferramenta FedWatch do CME Group.
Na perspetiva europeia, as bolsas do Velho Continente reagiram com menor entusiasmo, ainda digerindo a comunicação mais dura do Fed. Paris, Frankfurt e Milão oscilaram perto da estabilidade, enquanto Londres recuou de forma expressiva, pressionada pela exposição de seu índice a empresas de energia que sofreram com a queda do petróleo. Observadores em Lisboa notam que o alívio nos preços da energia beneficia economias importadoras como a portuguesa, mas a incerteza quanto à trajetória dos juros nos EUA mantém os investidores cautelosos, sobretudo num contexto de desaceleração da zona euro.
Para o Brasil, a dinâmica é ambivalente. A redução das cotações do barril pode conter pressões sobre a Petrobras e aliviar a inflação de combustíveis, fator sensível para a popularidade do governo e para a política monetária do Banco Central. No entanto, a postura mais agressiva do Fed tende a fortalecer o dólar globalmente, encarecendo o serviço da dívida externa e limitando o espaço para cortes na Selic. Analistas em São Paulo avaliam que o efeito líquido dependerá da duração da trégua no Oriente Médio e da evolução dos dados de atividade nos EUA.
O acordo com o Irã permanece frágil: Trump ameaçou retomar ataques caso Teerã não honre os compromissos, e a reabertura do Estreito de Ormuz ainda é incipiente. A combinação de um novo regime no Fed, projeções hawkish e dispersão de opiniões entre os dirigentes sugere, na leitura de estrategistas, um período prolongado de política monetária em compasso de espera. Enquanto a distensão geopolítica oferece um respiro, a trajetória das bolsas seguirá refém da inflação e das decisões do banco central americano.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Os índices de Wall Street recuperam, impulsionados pelo rally dos semicondutores e pelo otimismo com a trégua EUA-Irã, que leva o petróleo ao menor nível desde março. O entusiasmo é contido pelo Fed, com analistas projetando uma longa pausa nos juros.
Wall Street sobe com a força dos chips e a trégua com o Irã, mas Trump ameaça retomar os ataques se Teerã não cumprir o acordo. O pacto oferece apenas um alívio temporário, mantendo o risco de nova escalada.
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