
Wai Ching Ho (1943-2026): a vilã de 'Daredevil' que distribuía gengibre e sabedoria
A atriz, que se eternizou como a enigmática Madame Gao nas séries da Marvel, faleceu aos 82 anos e é recordada pela generosidade discreta e pela força nos palcos e ecrãs.
Era quase meia-noite quando a produção do filme The World's Greatest perdeu o cenário de filmagem. Na manhã seguinte, Wai Ching Ho apresentou-se no novo local, já pronta para atuar, trazendo inclusive o seu próprio guarda-roupa. Dias depois, ao procurá-la em casa para assinar documentos esquecidos, a produtora Judy Lei encontrou a atriz sem um traço de deceção pela inexperiência da equipa. Esse gesto de discrição e disponibilidade reapareceu nos tributos que se seguiram à notícia da sua morte, no sábado, 11 de julho de 2026, aos 82 anos, confirmada pelo colega de Daredevil Peter Shinkoda.
Nascida em Hong Kong em 1943, Wai Ching Ho mudou-se para os Estados Unidos e consolidou uma carreira que atravessou teatro, televisão e cinema. Contudo, foi o papel de Madame Gao, a enigmática líder criminosa que fundou a seita A Mão, nas séries da Marvel produzidas pela Netflix (Daredevil, Iron Fist, The Defenders), que a projetou para uma audiência planetária. Personagem de poucas palavras e presença magnética, Gao tornou-se uma das antagonistas mais lembradas daquele universo televisivo, e Ho, com mais de setenta anos à época das gravações, trouxe-lhe uma serenidade que contrastava com a violência das suas ações. Na perspetiva de observadores em São Paulo, a atriz representava um exemplo tardio mas vigoroso de reconhecimento para intérpretes asiáticas em Hollywood.
Para além do universo Marvel, a filmografia de Ho reflete uma notável versatilidade. Em As Golpistas (2019), contracenou com Jennifer Lopez e Constance Wu; emprestou a voz à avó Wu na animação da Pixar Red - Crescer é uma Fera (2022), que conquistou o público lusófono de Norte a Sul. Em Portugal e no Brasil, a longevidade da sua carreira — que incluiu dezenas de participações nas franquias Lei & Ordem, Orange is the New Black e na comédia Awkwafina Is Nora from Queens — foi vista como a persistência de uma artesã do ofício, que nunca se deixou aprisionar por estereótipos apesar das limitações impostas a atores de ascendência asiática. A atriz Mahira Kakkar, que com ela partilhou o palco numa montagem de Henrique VI em 2018, recordou nas redes sociais que Ho, 'aos 82 ou 83 anos', interpretou um papel protagónico com a força de um Lear feminino, e que a sua filosofia de vida se resumia a um conselho que repetia aos colegas: 'Comam duas fatias de gengibre cru por dia e não adoecerão!'
As homenagens que se multiplicaram nas plataformas digitais — de Shinkoda a Kakkar, passando por Judy Lei — sublinharam menos a fama que a atriz alcançou e mais a sua humanidade nos bastidores. Numa indústria muitas vezes marcada pela competição e pela efemeridade, Wai Ching Ho surge, nessas narrativas, como uma figura que aliava o rigor profissional a uma generosidade quase maternal. Em Lisboa, leitores de cultura pop notaram que a comoção gerada pela sua morte ecoava a de outras figuras que, ultrapassada a barreira dos oitenta anos, continuaram a expandir os seus horizontes criativos. Para o público que a descobriu tardiamente através do streaming, Ho tornou-se a prova de que o carisma não depende da idade.
Nas palavras de Mahira Kakkar, a atriz merecia 'todas as ovações de pé'. Mas o gesto que talvez melhor a defina é o mais prosaico: a recomendação quase culinária que deixou aos jovens colegas nos camarins. Duas fatias de gengibre cru, todos os dias, como antídoto contra a indiferença do tempo. Uma receita de resistência para uma mulher que, até ao fim, transformou papéis secundários em presenças inesquecíveis.
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