
Volkswagen duplica cortes e prepara fecho de quatro fábricas na Alemanha
Plano de reestruturação prevê eliminar até 100 mil postos de trabalho, o dobro do inicialmente anunciado, e cessar produção em Hannover, Zwickau, Emden e Neckarsulm.
O grupo Volkswagen prepara o mais profundo programa de reestruturação da sua história de 89 anos, com a eliminação de até 100 mil postos de trabalho a nível global e o encerramento faseado de quatro unidades industriais na Alemanha. A informação, divulgada pela revista Manager Magazin e confirmada por fontes próximas do processo a agências como a Reuters e o Financial Times, duplica a meta anterior de 50 mil saídas até 2030 e representa cerca de 15% da força de trabalho total do consórcio, que emprega aproximadamente 657 mil pessoas. O plano inclui ainda uma redução de 15% nos investimentos previstos para os próximos cinco anos, limitando-os a pouco mais de 130 mil milhões de euros, e a separação jurídica da marca principal e da divisão de componentes em entidades autónomas.
A pressão sobre o maior fabricante automóvel europeu resulta de um conjunto de fatores que alteraram estruturalmente o mercado. A concorrência dos construtores chineses de veículos elétricos, como a BYD e a Geely, reduziu a quota da Volkswagen na China — onde perdeu a liderança em 2024 e caiu para terceiro lugar em 2025 — e acelerou a penetração dessas marcas na Europa, que já representam mais de um décimo das vendas no continente. A isto somam-se as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, o abrandamento da procura de elétricos e os elevados custos de produção na Alemanha. Um porta-voz do grupo reconheceu que o modelo tradicional de “conceber automóveis na Alemanha, produzi-los na Europa e exportá-los para o mundo” deixou de funcionar para todas as marcas.
A reação dos representantes dos trabalhadores foi imediata. O poderoso sindicato IG Metall e o conselho de empresa da Volkswagen afirmaram, em comunicado conjunto, que farão “tudo o que estiver ao nosso alcance” para impedir o encerramento de fábricas e os despedimentos adicionais. O estado da Baixa Saxónia, segundo maior acionista do grupo, também manifestou oposição. Observadores em Berlim notam que a resistência sindical e política poderá suavizar a dimensão final dos cortes, como já aconteceu em rondas negociais anteriores, mas a dimensão da crise atual reduz a margem para compromissos que não ataquem os custos fixos.
Para a economia alemã, o anúncio representa um golpe simbólico e material no coração do seu modelo industrial. As quatro fábricas sob avaliação — Hannover, Zwickau, Emden e a unidade Audi de Neckarsulm — empregam diretamente mais de 45 mil pessoas e estão integradas em cadeias de fornecimento que se estendem por toda a Europa. Na perspetiva de Lisboa e de São Paulo, onde o grupo mantém operações relevantes, não foram sinalizadas medidas equivalentes, mas a contração do investimento e a reorganização global poderão, a prazo, influenciar decisões sobre plataformas e modelos atribuídos a outras regiões.
O plano será formalmente apresentado ao conselho de supervisão a 9 de julho, órgão onde os trabalhadores ocupam metade dos assentos. A sessão constitui o próximo marco factual para avaliar o alcance real das medidas, num contexto em que as ações da Volkswagen caíram para mínimos de 16 anos e a administração, liderada por Oliver Blume, insiste que a transformação é inevitável para garantir a competitividade futura do grupo.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A Volkswagen prepara um plano de lágrimas e sangue com até 100 mil cortes de empregos e quatro fábricas alemãs ameaçadas de fecho. A reestruturação, muito mais profunda do que o esperado, expõe a crise da indústria automóvel europeia entre a transição elétrica lenta e a pressão chinesa. A gestão procura defender margens e investimentos com uma ação radical.
O gigante alemão que abandonou a Rússia prepara-se agora para despedir cem mil trabalhadores. Depois de sair do mercado russo, a Volkswagen é forçada a um corte drástico com encerramento de fábricas na Alemanha. A crise do construtor é apresentada como consequência das suas escolhas geopolíticas e da perda de competitividade.
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