
Vice-presidente dos EUA viajará à Suíça para negociar com Irã em meio a tensão em Ormuz
JD Vance confirma ida à Suíça para negociar com o Irã, enquanto Teerã anuncia novo fechamento do Estreito de Ormuz e mediadores marcam conversações técnicas para domingo.
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou neste sábado (20) que viajará à Suíça "nos próximos dias" para dar seguimento às negociações de paz com o Irã, em meio a um novo episódio de tensão no Golfo Pérsico. A decisão ocorre horas depois de o Irã ter anunciado um novo fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio global de petróleo, em retaliação a ataques de Israel no Líbano. Vance, em entrevista à Fox News, disse que os enviados americanos Jared Kushner e Steve Witkoff já se encontram em território suíço cuidando de "aspectos técnicos" das conversas, enquanto o Comando Central dos EUA (CENTCOM) assegurou que a passagem marítima permanece aberta e que a presença militar americana monitora o cumprimento dos compromissos assumidos entre Washington e Teerã.
A reaproximação diplomática, costurada nas últimas semanas com mediação de Paquistão e Catar, levou à assinatura de um memorando de entendimento em Islamabad que previa a reabertura do Estreito de Ormuz e a suspensão de sanções portuárias e petrolíferas dos EUA. O acordo preliminar abriu caminho para um período de negociações de 60 dias sobre o programa nuclear iraniano e a segurança regional, com a promessa de descongelamento de ativos e um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões. Contudo, a retomada dos bombardeios israelenses contra alvos do Hezbollah no sul do Líbano — que Teerã considera violação do cessar-fogo — reativou a retórica de bloqueio naval. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, advertiu que a implementação do acordo "atravessa dificuldades" e acusou Washington de descumprir parte dos compromissos. Em contrapartida, fontes diplomáticas em Islamabad confirmaram que uma delegação iraniana, incluindo o chanceler Abbas Araghchi, viaja à Suíça para as conversas técnicas de domingo em Bürgenstock.
Para observadores em Lisboa e Brasília, o impasse reflete a fragilidade de um entendimento que depende simultaneamente da contenção de múltiplos atores regionais. Na perspetiva de analistas brasileiros, a instabilidade no Estreito de Ormuz tem impacto direto sobre os preços internacionais do petróleo e, consequentemente, sobre economias lusófonas como a de Angola, fortemente dependente das exportações de crude. O próprio Vance descreveu o planeamento da viagem como uma "dança delicada de coordenação", sujeita a protocolos diplomáticos e à evolução dos combates no Levante.
O Paquistão anunciou que as conversações técnicas de domingo serão as primeiras desde a assinatura do memorando e contarão com mediadores paquistaneses e cataris. Ainda que o CENTCOM garanta que o tráfego marítimo não foi interrompido — 55 navios mercantes teriam cruzado o estreito num só dia —, o novo anúncio de Teerã mantém os mercados em alerta. O estado do dossier permanece incerto: ambas as partes mantêm os canais abertos, mas o teste decisivo, segundo Baghaei, será a fase de implementação, que começará a ser discutida no domingo. A ida de Vance, ainda sem data confirmada, dependerá dos progressos nessas reuniões técnicas.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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The Latin American press reports the closure of the Strait of Hormuz and Vance's move with a tone of skepticism, highlighting growing tensions and the uncertain nature of negotiations. It emphasizes the conflict context and contradictions in statements, focusing on the fragility of the peace process.
The Indian and South Asian press, with Pakistan as mediator, reports the announcement of technical talks with factual detachment, emphasizing the timing and structure of negotiations. The tone is sober and optimistic about mediation, without dramatizing the situation.
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