
Trump ameaça impor pedágios no Estreito de Ormuz se acordo de paz com Irão fracassar
Presidente dos EUA reage a anúncio iraniano de novo fechamento da rota e condiciona livre circulação ao desfecho das negociações, enquanto conversações em Genebra arrancam sob tensão regional.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou no sábado que não haverá cobrança de pedágios no Estreito de Ormuz durante o cessar-fogo de 60 dias com o Irão, mas advertiu que, caso as conversações de paz não cheguem a um acordo final, Washington poderá impor taxas próprias à passagem de navios. A mensagem, publicada na rede Truth Social, surgiu horas depois de Teerão ter anunciado o encerramento temporário do estreito em retaliação por ataques israelitas no sul do Líbano, que o regime iraniano classifica como violação do memorando de entendimento assinado a 18 de junho. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) contrariou a versão iraniana, assegurando que o tráfego comercial continuou ao longo do dia, com pelo menos 55 embarcações a atravessar a rota.
A posição de Trump visa neutralizar a ameaça, reiterada por Teerão, de introduzir “taxas de serviço” para a navegação findo o período de negociação. O presidente norte-americano enquadrou uma eventual cobrança pelos EUA como compensação pelo papel de “anjo da guarda” desempenhado por Washington na segurança do Médio Oriente. Do lado iraniano, a Guarda Revolucionária justificou o bloqueio como uma primeira resposta aos bombardeamentos israelitas, que, segundo Teerão, desrespeitam a cláusula do memorando que exige o fim das hostilidades “em todas as frentes”. Observadores em Teerão sublinham que o gesto procura pressionar os EUA a conterem o aliado israelita antes do início formal do diálogo.
O Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do consumo global de petróleo, tornou-se o epicentro da disputa. O memorando de 18 de junho previa a liberdade de navegação durante os 60 dias de tréguas e o levantamento do bloqueio naval americano a portos iranianos, mas deixou ambíguo o regime futuro da via. Analistas de mercados energéticos, incluindo em centros como São Paulo e Lisboa, notam que qualquer interrupção ou novo custo de trânsito teria impacto imediato nos preços do crude e do gás natural liquefeito, afetando economias importadoras e produtores africanos de língua oficial portuguesa que dependem da estabilidade das rotas marítimas.
As negociações entre as delegações norte-americana e iraniana estão marcadas para domingo, em Genebra, com a participação do vice-presidente J.D. Vance e do ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi. Teerão condicionou o arranque efetivo dos trabalhos ao cumprimento integral do memorando, nomeadamente à cessação dos ataques israelitas no Líbano. A comunidade internacional acompanha com apreensão o impasse: a ameaça recíproca de pedágios e o vaivém do fecho do estreito ilustram a fragilidade do cessar-fogo e a dificuldade de converter um acerto provisório num acordo duradouro que garanta a segurança de uma das artérias mais vitais do comércio mundial.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O presidente dos EUA afirmou que não haverá pedágio no Estreito de Ormuz durante o cessar-fogo de 60 dias, mas alertou que Washington pode impor suas próprias taxas se as negociações de paz com o Irã fracassarem. A proposta é vista como uma tática de pressão que pode desestabilizar ainda mais a região.
O presidente dos EUA ameaçou cobrar taxas de trânsito marítimo internacional pelo Estreito de Ormuz se as negociações com o Irã não forem bem-sucedidas em 60 dias. Durante o cessar-fogo, não se aplicam pedágios, de acordo com suas declarações, mas a advertência aumenta a pressão sobre o frágil processo de paz.
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