
UNESCO põe Sebastia e castelos do Líbano sob proteção máxima, com oposição de Israel
Comité do Património Mundial alega urgência para travar expropriações na Cisjordânia e preservar fortalezas ameaçadas pela guerra no sul do Líbano.
O Comité do Património Mundial da UNESCO, reunido em Busan, na Coreia do Sul, aprovou na sexta-feira a inscrição de seis sítios do Médio Oriente nas listas do Património Mundial e do Património em Perigo. Entre eles contam-se a aldeia de Sebastia, na Cisjordânia ocupada, e um conjunto de cinco castelos na região de Jabal Amel, no sul do Líbano. A decisão foi adoptada ao abrigo de um procedimento de emergência, com a organização a invocar os conflitos em curso na região para justificar a celeridade.
De acordo com responsáveis palestinianos, a designação de Sebastia — identificada como a antiga Samaria bíblica e local da sepultura de João Batista — representa um travão às ambições israelitas de confiscar cerca de 180 hectares de terrenos circundantes. O vice-presidente da câmara local afirmou que o plano de expropriação, anunciado em 2025, é parte de uma estratégia de expansão dos colonatos e ameaça tanto o património como a subsistência dos residentes, dependentes do turismo. A diplomacia palestiniana, que submeteu a candidatura pela primeira vez em 2012, interpreta o reconhecimento da UNESCO como um instrumento para mobilizar condenação internacional contra um novo projeto de lei israelita que alargaria o controlo civil sobre sítios arqueológicos na Cisjordânia.
Do lado israelita, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Gideon Saar, condenou a decisão, classificando-a como uma manobra política destinada a «apagar a profunda e bem documentada história judaica e cristã» do local. O governo israelita, que se retirara da UNESCO em 2019 acusando a organização de parcialidade, emitira um comunicado onde denunciava a «instrumentalização do património cultural» pela Autoridade Palestiniana. A respeito dos castelos libaneses, o mesmo comunicado alertava que o Hezbollah transformara a fortaleza de Beaufort num bastião militar, escavando túneis e lançando rockets a partir dali — acusações que o representante libanês refutou, afirmando que as instalações são usadas «exclusivamente para fins culturais e turísticos» desde a retirada israelita de 2000.
Em Beirute, o Ministério da Cultura acrescentou que uma das fortalezas, Shamaa, foi destruída por ataques israelitas durante a recente guerra, e que a lista visa precisamente travar novas perdas. A decisão de Busan insere-se num padrão de confronto diplomático: na mesma sessão, o comité também colocou a cidade fenícia de Tiro, no Líbano, sob estatuto de proteção reforçada. A UNESCO não dispõe de meios para impor a conservação, mas a inclusão na lista de sítios ameaçados cria um quadro de monitorização internacional que, na leitura de diplomatas ocidentais, pode aumentar a pressão sobre Israel para suspender as expropriações e respeitar as convenções da organização. A aplicação prática das designações dependerá da vontade política dos Estados-membros, num momento em que as tensões no Médio Oriente continuam a escalar.
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