
EUA suspendem ataques ao Irão após alertas sobre escassez de mísseis Patriot
A pausa nos bombardeamentos, após 13 noites consecutivas, surge num momento em que o Pentágono admite que os stocks de intercetores estão em níveis perigosamente baixos e Teerão negoceia com Omã sobre o Estreito de Ormuz.
Os Estados Unidos interromperam, pela primeira vez em quase duas semanas, os ataques aéreos noturnos contra o Irão, numa decisão que, segundo o New York Times e a CNN, foi influenciada por avisos do Pentágono sobre a perigosa redução das reservas de mísseis intercetores Patriot e de outras munições de defesa aérea no Médio Oriente. O Irão, por sua vez, anunciou ter suspendido as operações de retaliação contra países do Golfo, afirmando que a sua estratégia é “essencialmente de resposta”. A calma súbita reavivou as expectativas de um regresso à diplomacia, ainda que o bloqueio naval ao Estreito de Ormuz, epicentro do conflito, se mantenha em vigor.
Na perspetiva de Washington, a decisão foi tomada após uma reunião na Casa Branca, na sexta-feira, em que o vice-presidente JD Vance e o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, manifestaram preocupações com a escalada. Fontes citadas pela CNN indicam que Caine alertou para o risco de as operações de grande envergadura esgotarem os intercetores disponíveis no Comando Central, responsável pelas operações na região. A administração Trump, através do diretor de comunicação Steven Cheung, reiterou que o presidente “prefere uma solução diplomática”, mas mantém “todas as opções em cima da mesa” caso o Irão prossiga “atividades terroristas no Estreito de Ormuz”. Paralelamente, o Pentágono confirmou que as operações estão “em pausa”, enquanto mediadores regionais intensificam esforços para evitar o regresso a uma guerra total.
Do lado iraniano, o Exército atribuiu a pausa a uma “fadiga estratégica” americana e à incapacidade de Washington de atingir os seus objetivos no terreno. Teerão iniciou conversações técnicas com Omã sobre a gestão do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, tendo o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, classificado as rondas de sexta e sábado como “úteis” e com “progressos”, embora sem alterações na situação da navegação. Ainda assim, o Irão advertiu que a guerra se “alargará ainda mais” se os EUA retomarem os ataques, apontando para a possível influência da visita do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a Washington.
O conflito, que Trump estimava durar quatro ou cinco semanas, aproxima-se do quinto mês e já extravasou para outras frentes. Os rebeldes houthis do Iémen, apoiados por Teerão, reivindicaram ataques com mísseis e drones contra instalações da Aramco em Jizan e Yanbu, na Arábia Saudita, em retaliação por bombardeamentos sauditas a Hodeida. A paralisação quase total do tráfego em Ormuz e as hostilidades no Mar Vermelho pressionam os preços do petróleo — o barril de Brent subiu cerca de 27% em duas semanas, afetando economias lusófonas dependentes de importações energéticas. Com as eleições intercalares americanas de novembro no horizonte e os mediadores do Catar e do Paquistão a tentarem reativar o cessar-fogo provisório de junho, o dossiê depende agora do desfecho das conversações indiretas e do posicionamento de aliados como Israel e as monarquias do Golfo.
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