
México amplia domínio centro-americano em dia de surpresas no tiro com arco
Nadadores mexicanos conquistam mais dois ouros nas águas abertas de Santo Domingo, mas arqueiros de El Salvador frustram favoritismo local nas finais por equipas.
A jornada deste domingo nos Jogos Centro-Americanos e do Caribe Santo Domingo 2026 reservou um desenlace amargo para o México no tiro com arco composto, modalidade em que as equipas feminina e masculina entraram como favoritas e saíram com a medalha de prata. No feminino, Andrea Maya Becerra, Dafne Quintero e Ana Hernández foram superadas por El Salvador por um ponto apenas (223-222), num duelo decidido por dois oitos mexicanos e uma série praticamente imaculada das salvadorenhas Camila Alvarenga, Paola Corado e Sofía Paiz. Minutos depois, o trio masculino Lot Méndez, Rodrigo González e Sebastián García sucumbiu por 237-233 frente a Duglas Noasco, Miguel Veliz e Roberto Hernández, que registaram apenas três flechas de nove em toda a final. Na perspetiva da capital mexicana, a jornada trouxe um revés inesperado, mas a reação veio rapidamente das águas abertas.
A natação de fundo voltou a confirmar o domínio absoluto do México na região. Paulo Strehlke, de 20 anos, conquistou a sua segunda medalha de ouro ao vencer os 3 km sprint knock-out com 6:53.8, completando um fim de semana perfeito depois do título nos 10 km. O nadador de Cuernavaca, que divide os treinos entre Munique e o México sob orientação da alemã Sheela Schult e já participou dos Jogos de Paris-2024, liderou uma exibição em que o país somou sete das oito medalhas possíveis nas águas abertas. No feminino, Dalia Moreno (7:49.0) e Yuritzi Salgado (7:56.2) fizeram a dobradinha no sprint, melhorando o resultado do dia anterior e sublinhando o crescimento da disciplina. Para observadores em Lisboa, a trajetória de Strehlke e a logística europeia de treino despertam natural interesse, num contexto em que fundistas portugueses também miram o circuito mundial.
Ainda no domingo, o remo mexicano acrescentou um ouro no double scull feminino (W2x), com Melissa Márquez e Aylin Ibarra a cumprirem o percurso em 7:19.85, à frente de Cuba e Guatemala, e uma prata no double scull masculino (M2x), com Alexis López e Andre Simsch a cederem apenas aos cubanos Suárez e Cardona. Enquanto isso, a Colômbia fechou a primeira jornada no quarto lugar do medalheiro, com o ouro de Wálter Vargas no contrarrelógio individual de ciclismo (47:13,46 minutos) e pratas no tiro com arco recurvo por equipas e no judo. Analistas em Bogotá destacam a diversidade de modalidades a pontuar já no arranque, mas a distância para o líder México, que acumula múltiplos ouros, é considerável.
Fora do contexto caribenho, os Estados Unidos conquistaram a Copa do Mundo de polo aquático feminino, em Sydney, ao derrotarem a Espanha por 13-9. A atuação de Emily Ausmus, com seis golos, e da guarda-redes Amanda Longan, com 13 defesas, devolveu o título mundial às americanas. Embora sem relação direta com os Jogos Centro-Americanos, o triunfo ecoa nos ambientes olímpicos e reforça o domínio norte-americano na modalidade, um dado que comissões técnicas do Brasil e de outras potências lusófonas acompanham de perto com vista a Los Angeles-2028.
A competição em Santo Domingo prossegue com provas individuais de tiro com arco e estreias na natação em piscina, onde Strehlke ambiciona mais finais. Para o México, a liderança do medalheiro parece sólida, mas as surpresas do arco composto lembram que a hegemonia regional tem novos desafios. Do ponto de vista do desporto lusófono, as marcas e os nomes que emergem nestes Jogos antecipam o perfil competitivo que se encontrará nos próximos Jogos Pan-Americanos, onde Brasil e demais nações de língua portuguesa medirão forças com estas mesmas delegações.
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