
Trump exige cessar-fogo total no Médio Oriente após acordo preliminar com Irão
Presidente dos EUA condiciona avanço das negociações ao fim das hostilidades em todas as frentes, enquanto Israel mantém operações no Líbano e o Irão ameaça responder a violações.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apelou na quinta-feira a um cessar-fogo completo em todas as frentes do Médio Oriente, incluindo o Líbano, o Hezbollah e Israel, um dia depois de Washington e Teerão terem assinado um memorando de entendimento que estabelece um período de negociação de 60 dias para um acordo definitivo. Na sua rede Truth Social, Trump afirmou que os EUA estão "empenhados na paz" e encorajou todos os atores regionais a manterem o compromisso de permitir que as negociações "se desenrolem de forma harmoniosa". O presidente norte-americano sublinhou ainda a reação positiva dos mercados financeiros, com a queda acentuada dos preços do petróleo e a subida generalizada dos índices bolsistas, num sinal de que os investidores antecipam uma redução dos riscos geopolíticos.
O memorando, assinado à distância por Trump e pelo Presidente iraniano Massoud Pezeshkian, prevê a cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, a reabertura do Estreito de Ormuz, o levantamento do bloqueio naval aos portos iranianos e o compromisso de Teerão de não desenvolver armas nucleares. Na perspetiva de Washington, o documento representa uma transição da fase militar para a diplomática, mas fontes próximas das negociações advertem que divergências de fundo persistem. Em Teerão, o Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou a assinatura e fontes militares iranianas ameaçaram com uma "resposta dura" caso Israel continue a violar o cessar-fogo no sul do Líbano, contabilizando 84 incidentes nos dois dias seguintes ao anúncio do entendimento.
Israel, que não participou nas conversações, mantém uma posição de resistência. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que as tropas israelitas permanecerão no sul do Líbano "enquanto as necessidades de segurança o exigirem", e um alto responsável israelita descreveu à Reuters "negociações teimosas" com a administração Trump sobre os limites do destacamento militar, que poderá estender-se até dez quilómetros dentro do território libanês. O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, criticou publicamente o que classificou como "pânico estranho" e "reação exagerada" de Israel ao memorando, apelando à contenção tanto do Hezbollah como do Estado hebraico. Analistas em Beirute observam que a continuidade dos ataques israelitas no Líbano constitui um teste imediato à credibilidade do processo de paz.
O memorando é o culminar de um longo ciclo de contactos indiretos, mediados pelo Paquistão e por Omã desde abril de 2025, centrados no programa nuclear iraniano, no alívio de sanções e na normalização da navegação no Golfo Pérsico. A reabertura do Estreito de Ormuz, iniciada na quinta-feira, é um desenvolvimento com impacto direto nos mercados globais de energia, particularmente relevante para economias importadoras como a portuguesa e para exportadores como o Brasil, cujas receitas petrolíferas podem ser afetadas pela volatilidade dos preços. O período de 60 dias para a conclusão de um acordo final teve início a 18 de junho, com término previsto para 17 de agosto, mas o desfecho permanece incerto enquanto não forem conciliadas as posições divergentes sobre o dossiê nuclear e a presença militar israelita no Líbano.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O apelo de Trump por um cessar-fogo total ocorre logo após Israel retomar os ataques contra o Hezbollah no Líbano, lançando dúvidas sobre a credibilidade do processo de paz. Os EUA afirmam compromisso com a paz, mas o momento levanta questões sobre se todas as partes realmente cessarão as hostilidades. A narrativa destaca a contradição entre o otimismo diplomático e as ações militares em curso.
A declaração de Trump sobre um cessar-fogo abrangente em todas as frentes, incluindo o Líbano, é vista como um passo positivo que já impulsionou os mercados, com queda nos preços do petróleo e alta nas ações. Os EUA incentivam todas as partes a apoiar as negociações, e a recuperação econômica sinaliza confiança na via diplomática. O foco está nos benefícios concretos do acordo e na perspectiva de estabilidade.
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