
EUA levantam bloqueio naval ao Irão e reabrem Estreito de Ormuz após acordo de paz
Memorando assinado por Trump e Pezeshkian inicia trégua de 60 dias, mas incertezas persistem sobre acordo final e reação de Israel.
Os Estados Unidos suspenderam na quinta-feira o bloqueio naval aos portos iranianos, permitindo a retoma do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, horas depois de o presidente Donald Trump e o seu homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, terem assinado um memorando de entendimento que põe fim à guerra no Médio Oriente. O Comando Central das Forças Armadas norte-americanas (CENTCOM) anunciou que todos os esforços de fiscalização do bloqueio cessaram, enquanto navios de guerra permanecem na região para monitorizar o cumprimento do acordo. O vice-presidente J.D. Vance revelou que, na noite de quarta-feira, mais de 12,5 milhões de barris de petróleo atravessaram o canal, e que o Irão não disparou contra embarcações pela segunda noite consecutiva. A assinatura do documento, ocorrida durante um jantar à luz de velas no Palácio de Versalhes com o presidente francês Emmanuel Macron, desencadeou uma queda imediata nos preços do petróleo e aliviou os mercados globais.
O memorando de 14 pontos estabelece um cessar-fogo imediato e permanente em todas as frentes, incluindo o Líbano, e abre um período de 60 dias para negociações sobre um acordo final que abordará o programa nuclear iraniano, o levantamento de sanções e a retirada das forças americanas. As conversações estão previstas para começar na Suíça, mas permanece a incerteza sobre se as duas partes, sem relações diplomáticas desde 1979, se encontrarão pessoalmente. Trump reagiu com dureza às críticas internas, classificando de “tolos” os republicanos que o acusam de fazer concessões excessivas a Teerão, enquanto Vance advertiu Israel para não “atacar o único aliado poderoso que lhe resta” e respeitar o processo de paz. Em Teerão, o regime apresentou o entendimento como uma vitória, e analistas independentes consideram que os termos favorecem o Irão.
Na perspetiva de Brasília, a reabertura de Ormuz é vista como um fator de estabilização dos preços energéticos, benéfico para as exportações brasileiras de petróleo do pré-sal, ao reduzir a volatilidade do mercado. Em Lisboa, diplomatas europeus encaram o protagonismo de Macron como um trunfo, mas mantêm cautela quanto à fragilidade do pacto. Observadores em Luanda e Maputo notam que o fim do bloqueio pode diminuir os custos de transporte para as exportações de crude de Angola e Moçambique, embora o impacto de longo prazo dependa do acordo definitivo. A mediação do primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, que ajudou a costurar o chamado “Memorando de Islamabade”, sublinha a natureza multipolar das negociações.
O caminho pela frente é incerto. A janela de 60 dias testará se a trégua provisória pode converter-se numa paz duradoura. A oposição declarada de Israel, que analistas em Telavive consideram capaz de inviabilizar o processo, representa um risco significativo. O documento deixa por responder questões cruciais, como o destino do urânio enriquecido iraniano, o calendário exato do levantamento das sanções e a retirada dos ativos navais americanos. À medida que as conversações na Suíça se iniciam, o mundo observa uma détente frágil que tanto pode redesenhar a geopolítica do Médio Oriente como colapsar sob o peso das suas próprias ambiguidades.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Os Estados Unidos suspenderam o bloqueio naval ao Irã, permitindo a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, como primeiro passo para negociações incertas. O vice-presidente Vance pode viajar à Suíça neste fim de semana para avançar as conversações, mas permanecem dúvidas sobre o desfecho.
O Comando Central dos EUA anunciou o fim do bloqueio naval aos portos iranianos por ordem do presidente Trump. Navios de guerra americanos permanecerão na região para monitorar o cumprimento do memorando de entendimento assinado entre Washington e Teerã.
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