
Trump e príncipe herdeiro saudita discutem negociações com o Irão e segurança no Estreito de Ormuz
Contacto telefónico entre Washington e Riade sublinha a proteção das rotas marítimas, enquanto Teerão envia delegações a Omã e ao Catar e os EUA impõem um ultimato sobre os ataques a navios.
O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mantiveram uma conversa telefónica na sexta-feira centrada nas conversações entre Washington e Teerão e na segurança das vias marítimas da região. Segundo a agência noticiosa saudita SPA, ambos os líderes sublinharam a importância de garantir a segurança da navegação e proteger as rotas marítimas internacionais, além de manifestarem apoio a todos os esforços que contribuam para a estabilidade regional. O diálogo ocorreu num momento de intensa atividade diplomática, com o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, a deslocar-se a Omã para discutir a situação no Estreito de Ormuz, e com uma delegação técnica iraniana a participar em Doha, no Catar, em reuniões trilaterais com mediadores cataris e paquistaneses para avançar com o acordo de Islamabade para o fim da guerra.
Na perspetiva de Washington, a pressão sobre Teerão foi reforçada por um ultimato: fontes norte-americanas indicaram que o Irão teria até sábado para condenar publicamente os ataques a navios no Estreito de Ormuz e declarar que a passagem pela via marítima está aberta sem cobrança de taxas. A administração Trump mantém conversações diretas com o Irão sobre o programa nuclear, o levantamento de sanções e o descongelamento de ativos, mas a tensão aumentou após relatos de ataques a um navio qatariano e a um navio saudita esta semana, atribuídos à República Islâmica. Em Riade, a SPA noticiou ainda que o ministro dos Negócios Estrangeiros saudita, príncipe Faisal bin Farhan, falou por telefone com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, para reiterar a coordenação estreita entre os dois países na promoção da segurança regional.
A movimentação diplomática insere-se num quadro mais amplo de reconfiguração de alianças no Golfo. A Arábia Saudita, que nos últimos anos retomou relações diplomáticas com o Irão sob mediação da China, de Omã e do Iraque, procura equilibrar a sua parceria estratégica com os EUA e a necessidade de evitar uma escalada que afete o trânsito de petróleo. Para observadores em Brasília, a segurança do Estreito de Ormuz é um fator crítico para a estabilidade dos preços internacionais do crude, com impacto direto na economia brasileira, dependente da importação de combustíveis e da exportação de matérias-primas. Em Lisboa, analistas sublinham que a União Europeia, e Portugal em particular, acompanha com preocupação qualquer ameaça à liberdade de navegação numa rota por onde transita uma parte significativa do abastecimento energético europeu.
O dossiê permanece em aberto, com o prazo do ultimato norte-americano a aproximar-se e as conversações indiretas entre Washington e Teerão a decorrerem em Omã e no Catar. A presença simultânea de enviados norte-americanos, como Steve Witkoff e Jared Kushner, em Doha, e da delegação iraniana na mesma cidade, sugere que os mediadores regionais tentam criar canais de descompressão. Os próximos passos conhecidos incluem a avaliação, por parte dos EUA, da resposta iraniana ao ultimato, e a continuação das consultas de Riade com todas as partes para evitar uma perturbação do tráfego marítimo no Golfo Pérsico.
| Imprensa iraniana e afins | +0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa do Golfo árabe | 0.00 | neutral |
O Irã reafirma sua iniciativa diplomática, enviando seu ministro a Omã enquanto Riade e Washington coordenam pressão.
O Irã desloca o foco do ultimato EUA-Arábia Saudita para sua própria diplomacia proativa, destacando a viagem do ministro a Omã, redefinindo assim a dinâmica de poder.
O bloco iraniano omite qualquer referência a um ultimato ou à ênfase dos EUA e da Arábia Saudita na dissuasão militar, apresentando a ligação como uma troca diplomática de rotina.
O eixo Riade-Washington reafirma a centralidade da segurança marítima e da cooperação bilateral, sem mencionar a diplomacia iraniana paralela.
O bloco do Golfo árabe usa o relatório oficial da agência de notícias saudita para enfatizar a convergência entre Riade e Washington, normalizando a pressão sobre Teerã como uma questão de segurança regional.
O bloco do Golfo árabe omite o movimento diplomático iraniano de enviar o ministro a Omã, apresentando a situação como um diálogo exclusivo entre os EUA e a Arábia Saudita.
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