
Trump diz que Irã aceitou quase todas as condições dos EUA após conversações em Doha
Presidente americano afirma que Teerã cedeu em exigências nucleares e que forças dos EUA infligiram derrota militar ao Irã, enquanto mediadores anunciam progressos e marcam nova rodada para depois do funeral do líder supremo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista à CNBC que o Irã concordou com “praticamente tudo” o que Washington exige nas negociações indiretas mediadas pelo Catar e pelo Paquistão. A declaração foi feita após a conclusão, em 2 de julho, de mais uma ronda de conversações em Doha centrada na implementação do memorando de entendimento assinado em junho, que estabeleceu um cessar-fogo de 60 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz. Trump descreveu o conflito como uma operação de “desnuclearização” do Irã e assegurou que as forças americanas destruíram a marinha, a força aérea e os radares iranianos, além de terem eliminado várias camadas de liderança.
Segundo Washington, a campanha militar, que durou cerca de quatro meses, atingiu os seus objetivos e o bloqueio económico elevou a inflação iraniana a 300%. A administração Trump insiste no desmantelamento completo do programa nuclear iraniano, no fim do apoio a grupos armados regionais e na liberdade de navegação no Golfo. Na perspetiva de Teerã, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Kazem Gharibabadi, informou que as conversações resultaram num acordo para criar um canal de comunicação destinado a registar alegadas violações do cessar-fogo e para discutir o descongelamento de ativos iranianos, prevendo-se a utilização de parte de um montante inicial de seis mil milhões de dólares para a compra de bens essenciais. O Irão mantém a reivindicação do direito ao enriquecimento de urânio para fins pacíficos e condiciona qualquer acordo final a garantias para a população iraniana.
O memorando mediado por Doha e Islamabad surgiu após a guerra iniciada com ataques norte-americanos e israelitas no final de fevereiro de 2026, que incluíram a operação israelita “Nação dos Leões” contra infraestruturas nucleares e de defesa iranianas em junho de 2025. O líder supremo Ali Khamenei foi morto no primeiro dia do conflito, e o poder transitou para o seu filho Mojtaba. Apesar do cessar-fogo, registaram-se trocas de fogo esporádicas no Golfo: o Comando Central dos EUA atacou alvos iranianos em resposta ao que descreveu como agressão contra navios comerciais, e Teerã retaliou contra bases no Kuwait e no Barém. A situação acalmou nos dias que antecederam a ronda de Doha.
A próxima reunião indireta está prevista para depois das cerimónias fúnebres de Khamenei, cujo enterro ocorrerá a 9 de julho em Mashhad. Até lá, o canal de comunicação servirá para registar incidentes. A questão nuclear, central para os EUA, ficou para discussões posteriores, enquanto o foco imediato recai sobre a consolidação do cessar-fogo e os arranjos para o Estreito de Ormuz. Observadores em Moscovo notam que a desconfiança mútua e as divisões internas na liderança iraniana continuam a dificultar o processo, mesmo com os sinais de otimismo emitidos por Trump.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Trump alega que o Irã aceitou quase todas as exigências dos EUA, gabando-se de uma vitória militar rápida. A mídia russa relata essas declarações com um toque de ceticismo, observando que as negociações ainda estão em andamento e o resultado permanece incerto. A narrativa contrasta o breve conflito com as longas guerras dos EUA no Vietnã e no Afeganistão.
A imprensa indiana relata a afirmação de Trump de que o Irã concordou com quase tudo o que os EUA querem, mas a enquadra como uma alegação, não como um fato comprovado. A cobertura se concentra na continuação das conversas indiretas em Doha e no potencial para um acordo nuclear, mantendo um tom neutro e factual.
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