
Ataque russo a Kiev mata 28 às vésperas de cimeira da NATO na Turquia
Zelensky pede mísseis Patriot e Trump diz que resolução do conflito está 'mais próxima', enquanto Moscovo explora défice de defesas aéreas ucranianas.
Um ataque combinado da Rússia com mísseis e drones contra Kiev e arredores matou pelo menos 28 civis e feriu mais de uma centena na madrugada de segunda-feira, horas antes do início da cimeira da NATO em Ancara. De acordo com a Força Aérea ucraniana, Moscovo disparou 68 mísseis e 351 drones; todos os 29 mísseis balísticos lançados atingiram os alvos, enquanto a maioria dos drones e mísseis de cruzeiro foi intercetada. O Presidente Volodymyr Zelensky classificou a ofensiva como “brutal” e sublinhou que a incapacidade de travar os projéteis balísticos expõe a escassez crítica de mísseis intercetores Patriot, os únicos capazes de neutralizar este tipo de armamento.
Na perspetiva de Kiev, a cimeira da NATO deve produzir decisões “fortes” de reforço da defesa aérea, incluindo a possibilidade de fabrico sob licença dos mísseis Patriot em território ucraniano. Zelensky considerou “simplesmente absurdo” que a produção mundial não tenha sido escalada para fazer face ao que descreveu como “terror balístico”. O Ministério da Defesa russo, por seu lado, afirmou que o ataque visou empresas da indústria militar, como fábricas de drones e componentes de mísseis, bem como infraestruturas energéticas. A ofensiva ocorreu depois de a Ucrânia ter atingido pela primeira vez a refinaria de Omsk, na Sibéria, a cerca de 2.500 quilómetros da fronteira, no quadro de uma campanha de drones de longo alcance que tem provocado escassez de combustível em várias regiões da Rússia.
Em Washington, o Presidente Donald Trump revelou ter mantido conversas telefónicas “muito boas” com Vladimir Putin e com Zelensky, afirmando que ambos os líderes “querem chegar a um acordo” e que a resolução do conflito está “mais próxima do que as pessoas imaginam”. Trump deverá encontrar-se com Zelensky à margem da cimeira, na quarta-feira, para discutir uma nova iniciativa diplomática. O Kremlin, contudo, indicou que não vê alterações na posição norte-americana e que Putin e Trump acordaram manter contactos no futuro próximo. Observadores em Bruxelas notam que o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, instou os aliados a garantir que a Ucrânia receba o que necessita para defender a sua soberania, num momento em que a exploração russa das vulnerabilidades aéreas de Kiev se intensifica.
A guerra, que entrou no seu quinto ano, mantém a Rússia na posse de cerca de um quinto do território ucraniano, com avanços lentos no leste. A campanha de drones ucranianos conferiu a Kiev uma nova capacidade de projeção, mas a dependência de sistemas Patriot para intercetar mísseis balísticos continua a ser um ponto fraco, agravado pela escassez global destes equipamentos, em parte devido à procura no Médio Oriente. A cimeira de Ancara, que decorre na terça e quarta-feira, é assim observada como um teste à coesão aliada e à capacidade de dar resposta ao pedido urgente de Kiev, enquanto a via diplomática permanece incerta e sem cedências públicas de parte a parte.
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Trump assegura que a paz está próxima e que ambas as partes a desejam. A cúpula da OTAN será o local para avançar.
Citação direta de Trump como fonte autoritária, sem contrapeso.
Os ataques em andamento e as vítimas não são mencionados, o que poderia desafiar a afirmação de Trump.
Trump reconhece o desejo de Putin de acabar com o conflito e classifica a conversa como positiva. A Rússia é apresentada como uma parte construtiva.
Ao destacar a validação de Trump do desejo de Putin, a Rússia é apresentada como cooperativa.
As acusações ucranianas de ataques russos em andamento não são mencionadas, o que contradiria o otimismo de Trump.
Trump anuncia uma paz iminente, mas os fatos no terreno contam uma história diferente: ataques russos e vítimas civis.
Usando o contraste entre as palavras de Trump e a realidade da guerra para criar dúvidas.
A declaração otimista de Trump sobre o desejo de paz de Putin não é relatada, concentrando-se em vez disso nos ataques em andamento.
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