
Trump desautoriza FBI e rejeita teorias conspirativas sobre morte de senador aliado
Presidente afirma que agência 'perde tempo' ao investigar óbito de Lindsey Graham, cuja causa preliminar aponta para dissecção aórtica, enquanto irmã do senador assume o cargo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na terça-feira que o FBI estaria a “perder tempo” se estiver a investigar “teorias da conspiração” em torno da morte súbita do senador republicano Lindsey Graham, ocorrida no sábado. A declaração, feita no Salão Oval durante um encontro com o primeiro-ministro iraquiano, surge depois de agentes federais terem sido vistos na residência do senador em Washington e de o diretor do FBI, Kash Patel, ter afirmado que a agência estava a “prestar assistência às autoridades locais”. O gabinete do médico legista do Distrito de Colúmbia divulgou conclusões preliminares que atribuem o óbito a uma dissecção aórtica — uma rotura na parede da principal artéria do corpo — causada por doença cardiovascular arteriosclerótica.
Na perspetiva da Casa Branca, Trump baseou a sua posição em relatórios médicos e em explicações dos seus próprios médicos, sublinhando que a condição era “quase indetetável” e que o pai de Graham morrera de um problema semelhante aos 69 anos. O presidente acrescentou que “gostaria que ele tivesse cuidado melhor de si” e que não via “muita maldade” no sucedido. A imprensa norte-americana notou, contudo, que Trump pareceu contradizer o relatório preliminar do legista ao afirmar que a dissecção não estava relacionada com artérias obstruídas, quando o documento associava a rotura ao endurecimento das artérias. O próprio senador, que regressara de Kiev na véspera da morte, queixara-se de dores no peito a um assessor, segundo relatos de colegas republicanos.
A presença do FBI na residência de Graham alimentou especulações nas redes sociais, sobretudo entre apoiantes de Trump, sobre um eventual crime — hipótese que o presidente rejeitou. Fontes policiais citadas pela imprensa norte-americana indicaram que a investigação prossegue por “excesso de precaução”, mas que até ao momento não surgiram indícios de crime. O senador John Cornyn, republicano do Texas, defendeu a divulgação do relatório toxicológico para “descartar qualquer suspeita de crime” e pôr fim às teorias falsas. Na perspetiva de analistas em Washington, a morte de Graham priva Trump de um dos seus mais fiéis aliados no Congresso, num momento em que o Partido Republicano enfrenta um calendário eleitoral exigente.
O governador da Carolina do Sul, Henry McMaster, nomeou Darline Graham Nordone, irmã do senador, para cumprir o restante do mandato, que termina em janeiro de 2027. A tomada de posse ocorreu na terça-feira à tarde. Está prevista para o próximo mês uma eleição primária especial para escolher o candidato republicano às eleições intercalares de novembro, nas quais Graham concorreria a um quinto mandato. O relatório final da autópsia, incluindo os exames toxicológicos e microscópicos, ainda não tem data de conclusão, e o FBI mantém a colaboração com as autoridades locais enquanto se aguardam esses resultados.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.30 | critical |
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| Imprensa iraniana e afins | 0.00 | neutral |
| Imprensa latino-americana | 0.00 | neutral |
Trump minimiza a investigação do FBI, mas os fatos médicos o contradizem.
Ao contrastar as declarações de Trump com o relatório do médico legista, cria-se uma discrepância que mina a credibilidade da versão oficial.
Trump acusa o FBI de perder tempo com teorias da conspiração, sem mais detalhes.
Ao relatar apenas as palavras de Trump sem contexto, sua versão é apresentada como a única informação disponível.
Omite o relatório do médico legista que contradiz a afirmação de Trump sobre a causa da morte.
Trump diz que o FBI perde tempo e que gostaria que Graham tivesse cuidado melhor de si.
Ao incluir o comentário pessoal de Trump ('gostaria que ele tivesse cuidado melhor de si'), a figura do presidente é humanizada e a atenção é desviada da controvérsia.
Omite o relatório do médico legista que contradiz a afirmação de Trump sobre a causa da morte.
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