
Senado dos EUA avança com sanções à Rússia e tarifas de 100% sobre compradores de energia
Projeto bipartidário, legado do senador Lindsey Graham, visa China e Índia e concede ao presidente Trump poder para impor tarifas como arma geopolítica.
Um grupo bipartidário de senadores dos Estados Unidos apresentou na terça-feira o projeto de lei ‘Sanctioning Russia Act of 2026’, que prevê sanções obrigatórias contra a cúpula política e militar russa, o setor energético e financeiro do país, bem como a imposição de tarifas de até 100% sobre os cinco maiores importadores de petróleo e gás natural russos. A iniciativa, que contava com o aval do falecido senador republicano Lindsey Graham, morto subitamente no sábado, foi negociada durante meses com a Casa Branca e reflete um compromisso entre a pressão por medidas mais duras e a flexibilidade exigida pelo presidente Donald Trump. O texto final, apoiado por 26 co-patrocinadores, reduz a ameaça tarifária original de 500% e restringe o seu alcance aos principais compradores, entre os quais se destacam a China e a Índia, responsáveis por cerca de 70% das exportações russas de petróleo, segundo estimativas de senadores.
Na perspetiva de Washington, o projeto é apresentado como um instrumento para asfixiar a máquina de guerra de Moscovo e forçar negociações de paz na Ucrânia. A administração Trump, que segundo fontes do Senado deu luz verde ao texto na véspera da morte de Graham, insiste em preservar a prerrogativa presidencial de suspender ou anular as sanções, um ponto que gera resistência entre democratas, receosos de conceder ao presidente novos poderes tarifários unilaterais. O próprio Trump afirmou que há ‘uma boa hipótese’ de o projeto ser aprovado e sugeriu que poderão ser acrescentadas sanções contra o Irão e o Hezbollah. Em Nova Deli, o governo indiano tem defendido as compras de crude russo como uma necessidade económica interna, enquanto Pequim, o maior importador de energia russa, não se pronunciou oficialmente. Aliados europeus como França, Japão e Bélgica poderão beneficiar de isenções, desde que reduzam a dependência do gás russo para menos de 15% do total importado.
A medida, se aprovada, representará a primeira vez que o Congresso autoriza explicitamente o uso de tarifas como arma geopolítica, afastando-se da sua aplicação tradicional contra práticas comerciais desleais. Observadores em Brasília notam que a imposição de tarifas de 100% sobre a Índia poderia afetar setores exportadores como o farmacêutico e o têxtil, com estimativas de uma contração do PIB indiano de até 0,5%. Em Lisboa, analistas sublinham que a pressão sobre compradores asiáticos pode acelerar a reconfiguração dos fluxos globais de energia, mas também acentuar tensões comerciais entre Washington e parceiros estratégicos. O projeto inclui ainda sanções contra a ‘frota sombra’ de petroleiros russos, o banco central e projetos de gás natural liquefeito, além de um dispositivo que permite ao presidente proibir totalmente a importação de urânio russo.
O calendário legislativo permanece incerto. Líderes do Senado manifestaram a intenção de levar o texto a votação antes de agosto, mas a aprovação dependerá de um acordo sobre os poderes de isenção presidencial e do apoio inequívoco de Trump, que até agora não se comprometeu publicamente com o projeto. Na Câmara dos Representantes, o republicano Michael McCaul anunciou que apresentará uma versão paralela ainda esta semana. A morte de Graham, que dedicou os últimos meses a esta iniciativa, imprimiu um impulso emocional à tramitação, mas as divisões sobre a extensão dos poderes tarifários e o receio de que Trump os utilize para fins alheios à pressão sobre Moscovo continuam a travar um consenso alargado.
| Imprensa russa e CEI | −0.40 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa do Golfo árabe | +0.20 | neutral |
A Rússia rejeita as novas sanções como uma tática de pressão, mas destaca a falta de unidade nos EUA.
Ao enfatizar a morte do senador e o ceticismo entre os legisladores dos EUA, a narrativa lança dúvidas sobre a viabilidade do projeto e retrata os EUA como internamente divididos.
Omite o apoio bipartidário e a declaração de Trump de alta probabilidade.
O Golfo acolhe favoravelmente a expansão das sanções ao Irã e ao Hezbollah, vendo-a como um fortalecimento da pressão.
Ao apresentar a declaração de Trump como um fato simples sem análise crítica, a narrativa normaliza a expansão das sanções e implica consenso.
Omite o ceticismo dos legisladores dos EUA e as possíveis consequências negativas para os aliados da Rússia.
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