
Trump declara fim do cessar-fogo com o Irão mas aceita prosseguir negociações
Após nova troca de ataques no Estreito de Ormuz, Washington diz que a trégua 'acabou', mas aceita pedido iraniano para continuar o diálogo, enquanto mediadores do Catar tentam conter a escalada.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na sexta-feira que o cessar-fogo com o Irão, em vigor desde abril e formalizado num memorando de entendimento a 17 de junho, 'acabou', ao mesmo tempo que confirmou ter aceitado um pedido de Teerão para prosseguir as conversações. A declaração, publicada na rede Truth Social, surgiu depois de as forças armadas dos dois países terem retomado ataques mútuos durante a semana, naquela que é a mais grave violação da trégua desde o início do conflito, em fevereiro. Segundo o Comando Central dos EUA, os bombardeamentos americanos visaram cerca de 170 alvos militares iranianos, em retaliação pelo que Washington descreve como ataques iranianos a três navios comerciais no Estreito de Ormuz. Teerão, por sua vez, reivindicou ataques com mísseis e drones contra bases norte-americanas no Kuwait, Barém, Catar e Jordânia.
Na perspetiva de Washington, a ação militar é justificada pela necessidade de manter aberta a via marítima estratégica e de responder a atos que qualifica como 'terrorismo'. A administração Trump sublinha que o Irão não controla o Estreito de Ormuz e que as forças americanas continuarão a garantir a liberdade de navegação. Do lado iraniano, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohammad Bagher Zolghadr, advertiu que qualquer ataque a infraestruturas será respondido 'na mesma moeda' e que Israel também não ficará imune. O parlamento iraniano, através do seu presidente e negociador-chefe, Mohammad Bagher Ghalibaf, insistiu que a reabertura do estreito só ocorrerá 'sob os termos iranianos', rejeitando o que descreve como interferência americana.
O cerne do impasse reside no controlo do Estreito de Ormuz, por onde transitava cerca de um quinto do petróleo mundial antes da guerra. O memorando de entendimento de junho previa que o Irão facilitasse a passagem segura de navios comerciais, mas não especificava os mecanismos, deixando espaço para interpretações divergentes. Teerão tem vindo a impor uma rota costeira sob sua supervisão e a sugerir a cobrança de taxas, enquanto os EUA incentivam uma rota alternativa junto à costa de Omã. A nova escalada fez o tráfego diário de petroleiros cair para níveis próximos da paralisação e levou o preço do barril de Brent a subir mais de 5% na semana, reacendendo receios quanto ao abastecimento energético global. A agência marítima da ONU condenou as tentativas iranianas de impor soberania sobre a hidrovia.
A diplomacia regional tenta evitar o colapso total do frágil entendimento. Uma delegação do Catar, país que tem atuado como mediador principal, viajou para o Irão na sexta-feira para se reunir com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi, e discutir a implementação do memorando e a desescalada. Fontes diplomáticas citadas pela imprensa internacional indicam que as conversações técnicas entre Washington e Teerão prosseguem, estando prevista uma nova ronda na próxima semana, possivelmente na Suíça. No entanto, a decisão do Tesouro americano de revogar a isenção que permitia ao Irão vender petróleo nos mercados internacionais complica o regresso à mesa. Em paralelo, o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, permanece ausente da vida pública desde que sucedeu ao pai, morto no primeiro dia da guerra, o que, segundo analistas em Teerão, introduz uma incógnita adicional sobre a margem de manobra do regime nas negociações. A poucos meses das eleições intercalares nos EUA, a incapacidade de pôr fim a um conflito impopular e o aumento dos preços dos combustíveis aumentam a pressão sobre Trump, enquanto o Irão parece apostar na resistência para consolidar a sua posição negocial.
| Imprensa iraniana e afins | −0.50 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa israelense | +0.30 | aligned |
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.60 | critical |
Iran rejects American claims and reaffirms its readiness for dialogue, but without accepting impositions.
By using quotation marks and the term 'claim', it insinuates that Trump's statement is unfounded, while emphasizing Iran's request to continue talks to present Iran as the reasonable party.
The context of Iranian attacks on tankers that triggered the escalation is omitted, as are the statements of the French representative accusing Iran of destabilizing the region.
Israel supports the American hard line and warns of Iranian threats, emphasizing its own vulnerability.
A hierarchy of threats is constructed in which Iran is the primary source of danger, thus legitimizing the American position and the need for a firm response.
Criticism of Trump's war strategy and the role of American provocations in the escalation are omitted, as are voices questioning the effectiveness of the hard line.
Critical public opinion denounces Trump's hypocrisy and his failed war, using irony to expose contradictions.
Through ironic and sarcastic tones, the absurdity of declaring the ceasefire over while continuing negotiations is highlighted, delegitimizing Trump's leadership.
The fact that Iran actually requested the talks is omitted, and the role of Iranian attacks as a cause of escalation is downplayed, focusing instead on American mistakes.
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