
Trump classifica apoio dos EUA à NATO como “ridículo” às vésperas da cimeira de Ancara
Presidente americano critica aliados europeus por não apoiarem Washington na guerra contra o Irão e exige maior partilha de encargos financeiros, enquanto a aliança tenta evitar uma rutura na cimeira de 7 e 8 de julho.
A menos de uma semana da cimeira da NATO em Ancara, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, qualificou de “ridículo” que Washington mantenha uma relação “unilateral” com a aliança. Numa publicação na rede Truth Social, Trump exibiu um gráfico comparativo das despesas de defesa — com os EUA a investir 999 mil milhões de dólares, muito acima dos restantes membros — e escreveu que “eles não estiveram lá por nós”, numa referência às restrições impostas por vários aliados europeus à utilização de bases durante a guerra contra o Irão. A mensagem reitera a exigência de que a Europa assuma a liderança da sua própria defesa, enquanto Washington reduz compromissos.
Na perspetiva de Bruxelas e de outras capitais europeias, a pressão de Trump é recebida com uma combinação de cedências e resistência. O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, tem sublinhado que os aliados europeus e o Canadá aumentaram as despesas de defesa em 90 mil milhões de dólares em 2025, ultrapassando os 570 mil milhões, e que a maioria honrou os compromissos de disponibilização de espaço aéreo e bases, ainda que sem participação direta no conflito. A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, afirmou que a Europa “deve assumir uma maior responsabilidade pela sua própria segurança”, enquanto o ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, abriu a porta a uma nova missão de imposição da paz no Líbano, em coordenação com Washington. Paralelamente, o Canadá e outros nove parceiros lançaram um banco de investimento em defesa, dotado de 100 mil milhões de dólares, para reforçar a capacidade das “potências médias” perante a anunciada redução do empenho financeiro norte-americano.
A guerra contra o Irão, iniciada em fevereiro de 2026 e atualmente sob um cessar-fogo frágil, é apontada por diplomatas europeus como o principal fator de desgaste da coesão transatlântica. A decisão de Washington de intervir sem consultar os aliados, seguida de retiradas de tropas e de meios aéreos e navais atribuídos aos planos de defesa da NATO, gerou um mal-estar que, segundo um diplomata europeu citado sob anonimato, deixa a aliança “viva, mas algo magoada”. A cimeira de Ancara decorre ainda sob a sombra das ameaças de Trump de anexar a Gronelândia, território da Dinamarca, e das tensões bilaterais com líderes como Giorgia Meloni e Keir Starmer.
Em Lisboa, a cimeira é acompanhada com atenção, dado o papel de Portugal como membro fundador da NATO e a relevância do flanco sul para a segurança europeia. A cimeira, que decorrerá nos dias 7 e 8 de julho, incluirá um encontro bilateral entre Trump e o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, no qual se espera a aprovação da venda de motores para o caça turco Kaan. Os líderes deverão ainda reafirmar o objetivo de elevar a despesa de defesa para 5% do PIB até 2035 e debater o apoio militar à Ucrânia, com a presença de Volodymyr Zelensky num jantar oferecido por Erdogan. O desfecho do encontro definirá o grau de reequilíbrio de uma aliança que, segundo Rutte, continuará a ser transatlântica, mas com os europeus a assumirem maior responsabilidade pela defesa convencional do continente.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A rejeição de Trump ao apoio da OTAN é apresentada como um reconhecimento há muito esperado da irrelevância da aliança. A narrativa do Kremlin sobre a expansão agressiva da OTAN é validada, e a cúpula de Ancara é enquadrada como uma tentativa desesperada de encobrir as fissuras internas. O comentário é celebrado como um passo para desmantelar a ordem pós-Guerra Fria.
A cúpula de Ancara é apresentada como um evento diplomático de rotina onde os líderes da OTAN reafirmam seu compromisso com a defesa coletiva e o apoio à Ucrânia. O foco está nas contribuições financeiras acordadas e na unidade da aliança. A crítica de Trump não é mencionada, pois a cobertura prioriza os resultados positivos da reunião.
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