
Trump condiciona acordo nuclear com Arábia Saudita à normalização com Israel
O presidente dos EUA vinculou a aprovação do pacto de cooperação nuclear civil à adesão de Riade aos Acordos de Abraão, gerando incerteza sobre o futuro do entendimento.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quinta-feira que o acordo de cooperação nuclear civil assinado com a Arábia Saudita no dia anterior “será aprovado, mas está totalmente sujeito à adesão da Arábia Saudita aos muito respeitados e bem-sucedidos Acordos de Abraão”. A declaração, publicada na rede Truth Social, surpreendeu ao introduzir uma condição que não constava do anúncio oficial do pacto, que prevê a construção de reatores nucleares com tecnologia americana. Riade não comentou a exigência, enquanto o gabinete do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, saudou a possibilidade como “um salto histórico para a paz no Médio Oriente”.
Na perspetiva de Washington, o acordo — conhecido como “Acordo 123” — visa assegurar que o programa nuclear saudita permaneça civil, sem enriquecimento de urânio, e gere milhares de milhões de dólares para empresas norte-americanas. O secretário de Estado, Marco Rubio, garantiu que o pacto incluirá salvaguardas para evitar a proliferação. Contudo, legisladores democratas e especialistas em não proliferação alertam que a ausência do Protocolo Adicional da Agência Internacional de Energia Atómica enfraquece as inspeções e que a capacidade de enriquecimento, mesmo que adiada, poderia abrir caminho para uma arma nuclear. A Arábia Saudita, por seu lado, mantém que a normalização com Israel depende de um roteiro credível para a criação de um Estado palestiniano, posição reiterada desde o início da guerra em Gaza.
O acordo surge num momento de tensão regional elevada, com os EUA e Israel envolvidos em operações militares contra o Irão, cujo programa nuclear é o pretexto central do conflito. Analistas em Telavive e em capitais europeias sublinham que a possibilidade de Riade dominar o ciclo do combustível nuclear poderia desencadear uma corrida armamentista no Golfo, sobretudo depois de o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman ter afirmado, em 2018, que o reino procuraria a bomba se o Irão a obtivesse. Em Brasília, observadores notam que o acordo também reflete a competição entre grandes potências: ao oferecer tecnologia nuclear, Washington procura afastar Riade de Pequim e Moscovo, que há anos cortejam o reino com propostas semelhantes.
Os Acordos de Abraão, negociados durante o primeiro mandato de Trump, normalizaram as relações de Israel com os Emirados Árabes Unidos, Barém, Marrocos e Sudão. A administração Biden tentou, sem sucesso, incluir a Arábia Saudita nesse quadro, condicionando um pacto de defesa e cooperação nuclear à normalização. Agora, a exigência de Trump reaviva esse modelo, mas esbarra na resistência saudita. O acordo segue para revisão do Congresso norte-americano, que dispõe de 90 dias de sessão para o analisar; está ainda previsto um estudo de viabilidade de dois anos sobre o enriquecimento. O silêncio de Riade indica que o dossiê permanece em aberto, com o risco de impasse se a condição diplomática não for flexibilizada.
| Imprensa israelense | +0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.50 | critical |
| Imprensa russa e CEI | −0.30 | critical |
Israel acolhe favoravelmente a condição de Trump, mas permanece cético quanto à disposição saudita de normalizar sem um Estado palestino.
Ao apresentar a normalização como um pré-requisito de segurança, legitima a condição de Trump e questiona a seriedade saudita.
O mundo árabe vê a condição de Trump como chantagem que corre o risco de uma corrida armamentista nuclear e mina os direitos palestinos.
Ao enfatizar o risco de proliferação e a falta de salvaguardas, pinta o acordo como uma ameaça à estabilidade regional.
Não menciona que a condição foi imposta após a assinatura do acordo, criando confusão e surpresa.
A Rússia observa o movimento de Trump com distanciamento, destacando o silêncio de Riade e a incerteza do acordo.
Ao destacar o silêncio saudita e a falta de detalhes, cria uma aura de incerteza que mina a credibilidade da iniciativa dos EUA.
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