
Trump ataca New York Times e reivindica vitória militar, mas analistas questionam resultados da guerra com o Irão
Presidente dos EUA ameaça processar o jornal e enumera conquistas, enquanto o acordo de paz deixa em aberto o programa nuclear e os mísseis balísticos, e a maioria dos americanos considera o conflito não ter valido o custo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu com uma publicação na rede Truth Social a uma análise do New York Times que questionava os resultados de quase quatro meses de guerra contra o Irão. Trump classificou a reportagem como “factos falsos e inventados”, acusou o jornal de “traição” e ameaçou incluir as suas notícias num processo judicial de milhares de milhões de dólares. Na mesma mensagem, enumerou o que considera conquistas da operação “Fúria Épica”: forças armadas, marinha e força aérea iranianas “destruídas”, capacidade de lançamento de mísseis e drones “quase eliminada”, duas camadas de liderança “aniquiladas”, inflação a 250%, economia “quebrada”, soldados sem salário, estreito de Ormuz aberto e petróleo a fluir, com a bolsa e o emprego nos EUA em máximos históricos.
A análise do New York Times, assinada por Neil MacFarquhar, sustenta que o memorando de entendimento alcançado para cessar as hostilidades não cumpriu os objetivos declarados por Washington. O programa nuclear iraniano, embora severamente danificado, não foi eliminado e o seu futuro ficou remetido para novas negociações; os mísseis balísticos não são mencionados no acordo; e as milícias apoiadas por Teerão continuam a representar uma ameaça regional. Na perspetiva de Telavive, o oficial de inteligência israelita na reserva Danny Citrinowicz classificou o desfecho como “o colapso de toda a estratégia que tínhamos para o Irão”. Do lado iraniano, o presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o encerramento do estreito durante o conflito transformou “um potencial que nunca tinha sido ativado” numa realidade, atribuindo a decisão a “inimigos estúpidos”.
As conversações na Suíça, mediadas pelo Catar e pelo Paquistão, prolongaram-se pelo segundo dia com a participação de delegações de alto nível. Foi anunciado um mecanismo para prevenir atritos no Líbano, mas o estreito de Ormuz continua sob ameaça de novo bloqueio por parte de Teerão. O senador norte-americano Lindsey Graham, próximo de Trump, declarou que, se a via diplomática falhar, os EUA “tomarão o estreito de Ormuz e geri-lo-ão”, cobrando taxas de passagem. Uma sondagem da CBS News indica que quase três quartos dos cidadãos americanos consideram que o conflito com o Irão não valeu o custo. Para países lusófonos dependentes da exportação ou importação de petróleo, como Brasil e Angola, a reabertura do estreito representa um alívio conjuntural, mas a fragilidade do acordo mantém a incerteza nos mercados globais de energia, notam analistas em Brasília e Lisboa.
O memorando prevê benefícios económicos para Teerão, incluindo o levantamento de sanções e um fundo de reconstrução de centenas de milhares de milhões de dólares, além da retirada de forças americanas não especificadas de zonas “próximas” do Irão. Especialistas do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo e do MIT avaliam que o documento resulta do facto de os EUA “terem abarcado mais do que podiam mastigar” e não desejarem uma escalada. As conversações técnicas prosseguirão na Suíça depois de as discussões de alto nível serem concluídas, enquanto o destino do programa nuclear e dos mísseis balísticos iranianos permanece dependente de rondas negociais futuras.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O presidente dos EUA, classificado como criminoso belicista, repetiu suas alegações delirantes de que as forças militares iranianas foram completamente destruídas. Fontes iranianas rejeitam essas bravatas como falsas, destinadas a mascarar o fracasso da agressão americana.
O presidente Trump rejeitou com veemência uma reportagem que questionava as conquistas da guerra, listando danos extensos ao exército, marinha, força aérea e produção de mísseis iranianos. A resposta veio em meio a conversações diplomáticas históricas com o Irã na Suíça, ressaltando que a pressão militar produziu resultados tangíveis.
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