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Geopolítica & Políticadomingo, 21 de junho de 2026

Em plena diplomacia na Suíça, Trump ameaça novos ataques ao Irão e exige contenção de aliados no Líbano

Apesar do início de negociações diretas mediadas por Paquistão e Catar, presidente dos EUA intensifica tensão com ultimato sobre o Hezbollah e ameaça intervir no Estreito de Ormuz.

No domingo, enquanto delegados dos Estados Unidos e do Irão davam início a conversações diretas na localidade suíça de Bürgenstock, o presidente norte-americano Donald Trump publicou na sua rede Truth Social um ultimato a Teerão: se não travar imediatamente os seus “proxies pagos” no Líbano, os EUA desferirão “um golpe muito duro novamente, como fizemos na semana passada, mas ainda mais forte”. A ameaça, que incluiu a possibilidade de assumir o controlo do Estreito de Ormuz e impor taxas de trânsito ao petróleo, surgiu horas depois de o vice-presidente JD Vance ter afirmado que as conversações registavam “grandes progressos” para garantir um cessar-fogo no Líbano. As negociações, que envolvem também o Paquistão e o Catar como mediadores, decorrem no quadro de um memorando de entendimento de 14 pontos assinado na semana anterior, que previa o fim das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano, e um período de 60 dias para se chegar a um acordo definitivo.

A posição norte-americana, conforme ecoada por Vance e pelo próprio Trump, condiciona a paz à capacidade de Teerão de conter o Hezbollah — que Washington descreve como força “paga” — e de manter aberto o Estreito de Ormuz. Em declarações à Fox News, Trump afirmou ter advertido as autoridades iranianas de que “se fecharem o estreito, ficarão sem país”. O Irão, por seu lado, acusa os EUA e Israel de violarem o cessar-fogo ao manterem ataques no sul do Líbano e justifica as restrições à navegação como resposta ao “incumprimento do acordo”. Fontes iranianas sublinham que a participação nas conversações técnicas visa precisamente obrigar Washington a respeitar os compromissos assumidos.

A retórica de Trump, ao mesmo tempo que o processo diplomático tenta consolidar-se, lança incerteza sobre a estabilidade regional e sobre os mercados energéticos. Segundo analistas em Brasília, a crise no Golfo tem impacto direto nos preços do petróleo, afetando a economia brasileira e os países africanos de língua portuguesa, como Angola e Moçambique, cujos orçamentos dependem das exportações de matérias-primas. Diplomatas em Lisboa alertam que o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial, representaria um choque adicional para a Europa, já sob pressão energética. A possibilidade de os EUA assumirem unilateralmente a fiscalização da via marítima e cobrarem 20% do petróleo transportado, aventada por Trump, é vista com preocupação também por potências asiáticas.

O pano de fundo é uma guerra iniciada em fevereiro passado, quando Washington e Telavive lançaram ataques ao Irão, alegando que o programa nuclear de Teerão representava uma ameaça existencial para Israel. Desde então, o conflito alastrou-se ao Líbano, com o Hezbollah a responder aos bombardeamentos israelitas. Apesar do acordo preliminar de cessar-fogo, os combates reacenderam-se nos últimos dias, com dezenas de mortos em ataques aéreos israelitas no sábado. O Congresso dos EUA, entretanto, exige explicações: congressistas democratas de topo pediram ao secretário de Estado, Marco Rubio, um briefing imediato sobre o memorando e a estratégia para o período de tréguas, questionando se o acordo não cede demasiado face às exigências iranianas.

Num ambiente de tensão extrema, a janela de negociação de 60 dias avança com mediação asiática e europeia, mas os sinais contraditórios da Casa Branca dificultam a consolidação de confiança. Enquanto Vance garantiu que “há progressos para que o cessar-fogo no Líbano se mantenha”, o presidente condiciona a diplomacia a resultados imediatos sob ameaça de bombardeamentos. As próximas rondas técnicas devem prosseguir na Suíça, mas o desfecho permanece em aberto, com o risco de que o falhanço nas conversações desencadeie uma escalada militar de consequências imprevisíveis para todo o Médio Oriente — e para a economia global.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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domingo, 21 de junho de 2026

Em plena diplomacia na Suíça, Trump ameaça novos ataques ao Irão e exige contenção de aliados no Líbano

Apesar do início de negociações diretas mediadas por Paquistão e Catar, presidente dos EUA intensifica tensão com ultimato sobre o Hezbollah e ameaça intervir no Estreito de Ormuz.

No domingo, enquanto delegados dos Estados Unidos e do Irão davam início a conversações diretas na localidade suíça de Bürgenstock, o presidente norte-americano Donald Trump publicou na sua rede Truth Social um ultimato a Teerão: se não travar imediatamente os seus “proxies pagos” no Líbano, os EUA desferirão “um golpe muito duro novamente, como fizemos na semana passada, mas ainda mais forte”. A ameaça, que incluiu a possibilidade de assumir o controlo do Estreito de Ormuz e impor taxas de trânsito ao petróleo, surgiu horas depois de o vice-presidente JD Vance ter afirmado que as conversações registavam “grandes progressos” para garantir um cessar-fogo no Líbano. As negociações, que envolvem também o Paquistão e o Catar como mediadores, decorrem no quadro de um memorando de entendimento de 14 pontos assinado na semana anterior, que previa o fim das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano, e um período de 60 dias para se chegar a um acordo definitivo.

A posição norte-americana, conforme ecoada por Vance e pelo próprio Trump, condiciona a paz à capacidade de Teerão de conter o Hezbollah — que Washington descreve como força “paga” — e de manter aberto o Estreito de Ormuz. Em declarações à Fox News, Trump afirmou ter advertido as autoridades iranianas de que “se fecharem o estreito, ficarão sem país”. O Irão, por seu lado, acusa os EUA e Israel de violarem o cessar-fogo ao manterem ataques no sul do Líbano e justifica as restrições à navegação como resposta ao “incumprimento do acordo”. Fontes iranianas sublinham que a participação nas conversações técnicas visa precisamente obrigar Washington a respeitar os compromissos assumidos.

A retórica de Trump, ao mesmo tempo que o processo diplomático tenta consolidar-se, lança incerteza sobre a estabilidade regional e sobre os mercados energéticos. Segundo analistas em Brasília, a crise no Golfo tem impacto direto nos preços do petróleo, afetando a economia brasileira e os países africanos de língua portuguesa, como Angola e Moçambique, cujos orçamentos dependem das exportações de matérias-primas. Diplomatas em Lisboa alertam que o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial, representaria um choque adicional para a Europa, já sob pressão energética. A possibilidade de os EUA assumirem unilateralmente a fiscalização da via marítima e cobrarem 20% do petróleo transportado, aventada por Trump, é vista com preocupação também por potências asiáticas.

O pano de fundo é uma guerra iniciada em fevereiro passado, quando Washington e Telavive lançaram ataques ao Irão, alegando que o programa nuclear de Teerão representava uma ameaça existencial para Israel. Desde então, o conflito alastrou-se ao Líbano, com o Hezbollah a responder aos bombardeamentos israelitas. Apesar do acordo preliminar de cessar-fogo, os combates reacenderam-se nos últimos dias, com dezenas de mortos em ataques aéreos israelitas no sábado. O Congresso dos EUA, entretanto, exige explicações: congressistas democratas de topo pediram ao secretário de Estado, Marco Rubio, um briefing imediato sobre o memorando e a estratégia para o período de tréguas, questionando se o acordo não cede demasiado face às exigências iranianas.

Num ambiente de tensão extrema, a janela de negociação de 60 dias avança com mediação asiática e europeia, mas os sinais contraditórios da Casa Branca dificultam a consolidação de confiança. Enquanto Vance garantiu que “há progressos para que o cessar-fogo no Líbano se mantenha”, o presidente condiciona a diplomacia a resultados imediatos sob ameaça de bombardeamentos. As próximas rondas técnicas devem prosseguir na Suíça, mas o desfecho permanece em aberto, com o risco de que o falhanço nas conversações desencadeie uma escalada militar de consequências imprevisíveis para todo o Médio Oriente — e para a economia global.

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