
Trump agita cimeira da NATO com ameaças a Espanha e exigência sobre Gronelândia
Presidente dos EUA declara fim do cessar-fogo com o Irão, ordena corte comercial com Madrid e reivindica controlo da Gronelândia, enquanto aliados tentam demonstrar unidade em Ancara.
A cimeira da NATO em Ancara, na Turquia, foi abalada esta quarta-feira por uma série de declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que expuseram divergências profundas com aliados europeus. Trump afirmou que o frágil cessar-fogo com o Irão "acabou", qualificou os dirigentes iranianos de "gente doente" e considerou "uma perda de tempo" negociar com Teerão, ao mesmo tempo que o secretário-geral da Aliança, Mark Rutte, classificou como "absolutamente necessários" os novos ataques norte-americanos contra alvos iranianos na noite anterior. O presidente norte-americano anunciou ainda ter ordenado ao secretário do Tesouro, Scott Bessent, que suspenda todas as relações comerciais com Espanha, país que descreveu como "uma causa perdida" e "péssimo parceiro na NATO", acusando Madrid de não participar nos esforços de defesa e de ter recusado o uso de bases e espaço aéreo para a guerra contra o Irão.
A exigência de Trump de que a Gronelândia, território autónomo da Dinamarca, passe para controlo dos Estados Unidos dominou igualmente a jornada. O presidente justificou a reivindicação com a presença de navios chineses e russos no Ártico e afirmou que a ilha "é muito importante para os Estados Unidos, mas não é importante para a Dinamarca". A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, respondeu de imediato que a Gronelândia "não está à venda" e apelou ao respeito pela soberania do Reino da Dinamarca. O governo autónomo groenlandês reiterou que o futuro do território será decidido exclusivamente pela sua população. Rutte, por seu lado, procurou conter o dano ao recordar que existe um acordo para aumentar a pegada militar norte-americana na ilha, a implementar por fases, e insistiu no "compromisso total" de Washington com a NATO.
As críticas de Trump estenderam-se a outros aliados. O presidente afirmou estar "muito zangado" com a Aliança por esta não ter apoiado os EUA na guerra contra o Irão e por não permitir o uso de espaço aéreo e bases em território europeu. Mencionou que a relação com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, "ficou um pouco má" devido a essa recusa, embora a tenha descrito como "uma pessoa simpática". Fontes diplomáticas europeias, citadas por agências internacionais, sublinharam que os compromissos com as forças norte-americanas foram largamente honrados, apesar de os aliados não terem sido consultados sobre um conflito que abalou as suas economias e é profundamente impopular na Europa. Em contraste, Trump elogiou a "química" com o anfitrião turco, Recep Tayyip Erdogan, e anunciou a intenção de levantar sanções impostas a Ancara após a compra do sistema russo S-400.
A cimeira, que os líderes europeus esperavam que projetasse unidade e apoio à Ucrânia, foi assim ofuscada por tensões transatlânticas. A Aliança anunciou novos contratos de armamento no valor de pelo menos 50 mil milhões de dólares e um aumento de 20% nas despesas de defesa dos aliados europeus e do Canadá face a 2025, ultrapassando os 570 mil milhões de dólares, numa tentativa de demonstrar que os apelos de Trump a uma maior partilha de encargos estão a ser atendidos. A declaração final da cimeira, que reafirma um "compromisso inabalável" com a defesa coletiva, aguarda ratificação pelos líderes. Entretanto, Washington prossegue a revisão da sua presença militar na Europa, enquanto Trump se prepara para um encontro com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e um contacto subsequente com o presidente russo, Vladimir Putin, sobre a guerra na Ucrânia.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.60 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | −0.70 | critical |
| Imprensa russa e CEI | −0.20 | neutral |
| Imprensa latino-americana | −0.40 | critical |
A aliança atlântica denuncia o comportamento disruptivo de Trump, que coloca em risco a coesão do bloco ocidental.
Enfatizam-se as palavras agressivas e as ações unilaterais de Trump, apresentando-as como causa de caos e desordem, para posicioná-lo como antagonista da solidariedade aliada.
Omitem-se as razões apresentadas por Trump para seu descontentamento, como a falta de apoio europeu no Irã e o valor estratégico da Groenlândia, presentes em outros blocos.
A Europa se defende da agressão verbal de Trump, denunciando sua estratégia de intimidação e afirmando sua própria soberania.
Trump é retratado como um valentão que ataca injustamente os aliados, enquanto a Europa é vítima de críticas infundadas, reforçando um senso de solidariedade europeia.
Omite-se o fato de que alguns países europeus, como a Espanha, têm gastos militares abaixo das metas da OTAN, que fundamentam as críticas de Trump.
A Rússia observa com distanciamento as tensões internas da OTAN, registrando as queixas de Trump como um sintoma da fragilidade da aliança.
Relata as críticas de Trump sem comentários, mas adiciona o detalhe das reuniões positivas para equilibrar, criando uma impressão de objetividade que implicitamente destaca as divisões.
Omite o contexto das ameaças comerciais de Trump à Espanha e a reação europeia, concentrando-se apenas nas queixas de Trump contra a OTAN.
A América Latina registra a tensão na cúpula da OTAN, mas enfatiza a capacidade da aliança de avançar com investimentos concretos apesar das disputas.
Equilibra o relato da raiva de Trump com o anúncio de novos fundos da OTAN, sugerindo que a aliança funciona além das polêmicas.
Omite os detalhes das ameaças comerciais de Trump à Espanha e o contexto histórico da Groenlândia, focando no aspecto emocional e na resposta prática.
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