
O voo curto de Supergirl: entre biscoitos caninos e a sombra de Toy Story 5
A estreia da heroína da DC ficou muito aquém das expectativas, enquanto a animação da Pixar continuou a dominar as bilheteiras mundiais.
Na semana de estreia de Supergirl, as prateleiras das lojas de animais nos Estados Unidos exibiam um produto inusitado: biscoitos para cães da marca Milk-Bone com a imagem de Krypto, o companheiro de quatro patas da protagonista. A campanha, liderada pela atriz Jennifer Holland, mulher do diretor criativo da DC Studios, James Gunn, celebrava a relação entre a heroína e o seu cão, cuja orelha caída e personalidade rebelde foram inspiradas diretamente no animal de estimação do casal. Enquanto os corredores dos supermercados se enchiam de embalagens temáticas, as salas de cinema contavam uma história diferente: a afluência do público ficou muito abaixo do que os estúdios esperavam.
O filme, realizado por Craig Gillespie e protagonizado por Milly Alcock, arrecadou 38 milhões de dólares no mercado doméstico norte-americano e 68 milhões a nível global no primeiro fim de semana, números que contrastam com os 50 a 55 milhões projetados pelos analistas. No Brasil, a produção da Warner Bros. levou 218 mil espectadores às salas e faturou 5,29 milhões de reais, tornando-se o 15.º lançamento mais rentável do ano, mas ainda assim uma estreia modesta para um investimento de 170 milhões de dólares. No México, o segundo maior mercado internacional do filme, a bilheteira atingiu 3,4 milhões de dólares, enquanto no Reino Unido e na Irlanda o valor subiu para 4,1 milhões. Em Portugal, os exibidores notaram um interesse inicial contido, sem o entusiasmo que caracterizou a chegada de Superman no ano anterior.
A receção crítica e do público acentuou o cenário de dificuldade. O agregador Rotten Tomatoes registou uma aprovação de apenas 56%, e o CinemaScore atribuiu à obra uma nota B-, um sinal de descontentamento invulgar para o género de super-heróis. Na Indonésia, o copresidente da DC Studios, Peter Safran, reconheceu publicamente que o filme “não correspondeu às expectativas de bilheteira”, mas sublinhou que se trata de “apenas um componente de uma estratégia de longo prazo”. A mesma fonte revelou que o estúdio mantém a confiança no plano de dez anos para o universo DC, apesar de a imprensa norte-americana ter notado que este é o primeiro grande teste à liderança de Gunn como arquiteto da franquia, e não apenas como argumentista e realizador.
Enquanto Supergirl lutava para descolar, Toy Story 5 consolidava um domínio quase absoluto. A animação da Pixar somou 70 milhões de dólares no segundo fim de semana nos EUA e já ultrapassou os 500 milhões globais, com um acumulado de 585 milhões. No Brasil, o filme manteve a liderança com 22,6 milhões de reais no período, totalizando 64,8 milhões desde a estreia. A longevidade da saga, que começou em 1995, contrasta com a fragilidade do novo capítulo da DC, e observadores em Lisboa e São Paulo apontam que o cansaço do público face aos filmes de super-heróis, agravado por uma oferta saturada, pode estar a redefinir as prioridades das famílias na hora de escolher um filme para o fim de semana.
No final da sessão de Supergirl, não há cena pós-créditos. O realizador Craig Gillespie explicou que a equipa debateu intensamente a possibilidade, mas decidiu preservar o impacto emocional do desfecho de Kara Zor-El, evitando desviar a atenção para futuras entregas. A ausência desse gancho, que durante anos funcionou como uma assinatura do género, deixa o espectador a sair da sala com a mesma sensação de interrupção que marcou o voo da heroína: um arranque hesitante, sem a promessa de um destino claro.
| Imprensa latino-americana | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa do Sudeste Asiático | −0.10 | neutral |
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.50 | critical |
The market speaks clearly: Supergirl offered nothing new.
The cost-benefit ratio is emphasized, evaluating the film as a product that did not meet economic expectations.
The potential influence of competition from other blockbusters is not discussed.
The film could not compete with local productions.
The failure is contextualized within a growing regional film industry.
It is not considered that the film may have succeeded in other markets.
Hollywood is losing touch with audiences; Supergirl is the latest sign.
The crisis is personalized onto a specific production to generalize a systemic problem.
Recent successes of other superhero films are not mentioned.
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