
Sob o sol de junho, mãos dadas contra o vício em três continentes
Do clamor por pena de morte em Rangamati aos passeios de bicicleta em Penang, o Dia Internacional contra o Abuso de Drogas revelou um mosaico de estratégias e desesperos.
Na tarde abafada de Rangamati, no sudeste do Bangladesh, um jornalista ergueu a voz diante da sede da administração distrital. Anwar Al Haq, presidente do clube de imprensa local, não pedia apenas consciência: exigia a criação de um tribunal especial e a inclusão da pena de morte para traficantes na legislação do país. A sua fala, proferida durante uma corrente humana organizada pelo jornal Prothom Alo, ecoava uma exasperação partilhada por muitos — a de que as leis atuais permitem que os acusados regressem às ruas e ao crime. Enquanto seguravam cartazes com dizeres como “O vício é uma doença, não um casamento”, os manifestantes de Rangamati expunham a ferida de uma região onde, segundo os oradores, circulam 24 tipos de drogas e os grandes traficantes raramente são apanhados.
A mesma urgência, porém com uma gramática distinta, atravessava o norte da Malásia. Em Kepala Batas, no estado de Penang, cerca de 1500 pessoas reuniram-se na praça Dataran Sungai Muda para um programa de “Jelajah Aspirasi Bebas Dadah” — uma jornada de sensibilização comunitária. A vice-diretora da Agência Antidrogas Nacional, Shobah Jamil, descreveu o evento como uma plataforma para fortalecer a cooperação entre governo, empresas e ONGs. Ali, a pedagogia vestiu-se de festa: houve um passeio de bicicleta de 18 quilómetros, uma “Pocket Talk” educativa, um festival de durian e cortes de cabelo gratuitos. A abordagem malaia, na leitura de observadores do Sudeste Asiático, aposta na capilaridade social e na descontração para desarmar o estigma, tratando a prevenção como um gesto de proximidade e não como um confronto.
A milhares de quilómetros dali, em Abu Dhabi, a doutora Lamia Al Zaabi, do órgão nacional de combate às drogas dos Emirados Árabes Unidos, oferecia uma síntese que poderia servir de legenda para todos esses esforços. “A dependência não é uma escolha passageira, mas um estado de enfraquecimento do controlo”, afirmou, sublinhando que a resposta do seu país assenta num tripé: firmeza na repressão, consciência na prevenção e apoio no tratamento. A sua análise, divulgada pelo jornal Al Ittihad, destacava o sucesso de uma estratégia que combina operações preventivas de alta tecnologia com centros de reabilitação que garantem confidencialidade total — um modelo que, na perspetiva do Golfo, procura esvaziar o mercado sem abandonar o consumidor.
No Bangladesh, porém, o dia 26 de junho foi sobretudo um coro de vozes da sociedade civil. Em Jamalpur, estudantes e membros da organização Bhandhusabha repetiram que o desporto, a leitura e a cultura são os antídotos mais eficazes contra o “veneno azul” que paralisa a juventude. Em Rangpur, um advogado denunciou, com visível constrangimento, a existência de uma “imperatriz da droga” na cidade, enquanto um dirigente local classificou o narcotráfico como “o cancro da sociedade”. A dureza das palavras contrastava com a fragilidade dos apelos: em todas as cidades, pedia-se aos pais que vigiassem com quem os filhos se relacionam e que não escondessem um familiar dependente. A tónica, notam analistas em Daca, recai sobre a responsabilidade coletiva e a vergonha pública, num país onde o consumo de metanfetaminas e de xaropes de codeína se alastra entre adolescentes.
Ao cair da tarde, a imagem que persistia era a de um planeta a travar a mesma guerra com armas desencontradas. De um lado, a bicicleta que serpenteia por Penang com a leveza de quem acredita na conversa; do outro, o cartaz empunhado em Rangamati que sentencia: “A cadeia de abastecimento tem de ser quebrada”. Entre os dois, a clínica discreta de Abu Dhabi onde um jovem se reergue longe dos olhares. Três continentes, três sotaques, uma única certeza partilhada: a de que o vício, antes de ser um caso de polícia, é uma hemorragia lenta no tecido das famílias.
| Imprensa indiana e sul-asiática | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa iraniana e afins | +0.30 | aligned |
The South Asian parliament updates drug and cyber laws, turning an international observance into routine legislative business.
The bloc normalizes the anti-drug day by reducing it to a technical parliamentary matter, avoiding any celebratory or alarmist tone.
No mention of the durian, bicycle, or execution demand symbols that appear in other Asian coverage.
Iran dedicates its coverage to security, projects, and state figures, leaving the anti-drug day off the media agenda.
The bloc omits the observance entirely, implicitly asserting that national sovereignty matters more than global campaigns.
No event related to the day is reported, while other Asian blocs cover it, albeit differently.
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