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Sociedade & Culturaquarta-feira, 1 de julho de 2026

Sob o relvado de Berlim, o último bunker nazi enfrenta a picareta

Plano de luxo para terrenos da antiga chancelaria de Hitler reacende o debate sobre a preservação dos vestígios do regime.

Sob um montículo de relva num terreno baldio no centro de Berlim, escondido atrás dos edifícios dos estados de Hesse e Brandemburgo, um portal de tijolos meio soterrado conduz ao subsolo. É tudo o que resta da Nova Chancelaria do Reich, o centro nevrálgico do poder nazi. Em março, o jornal BZ revelou que um investidor de Hamburgo planeia demolir este bunker — o mais antigo da era nazi ainda de pé na capital — para erguer um prédio de luxo com 66 apartamentos e um edifício de escritórios. A notícia acendeu um debate aceso sobre o que fazer com as cicatrizes físicas de um passado que a Alemanha não consegue esquecer.

O bunker, com 1200 metros quadrados e paredes de 1,7 metros de espessura, serviu de abrigo ao pessoal da chancelaria e, nos últimos dias da guerra, de hospital militar. Não se confunde com o Führerbunker, situado a cerca de 120 metros, onde Hitler e Eva Braun se suicidaram a 30 de abril de 1945. Esse foi destruído e soterrado, e sobre ele existe hoje um parque de estacionamento com uma placa informativa, colocada apenas em 2006 para evitar peregrinações neonazis. O bunker da chancelaria, porém, permaneceu esquecido sob um monte de terra, com a sua entrada oculta, enquanto o terreno à volta era disputado por projetos imobiliários.

A proposta de demolição dividiu a cidade. O senador da Construção, Christian Gaebler, afirmou que a autarquia não travará a construção de habitação tão necessária para preservar um bunker que pode tornar-se local de romaria. A diretora de urbanismo, Petra Kahlfeldt, lembrou que Berlim já dispõe de numerosos sítios históricos subterrâneos abertos ao público. Do lado oposto, o historiador Dietmar Arnold, que visitou o bunker pela última vez em 2007 e o encontrou em excelente estado, classificou a demolição como “loucura total”. Arnold defende a criação de um museu em parceria com o Museu do Holocausto, argumentando que a Alemanha já destruiu demasiada história, tanto nazi como comunista.

O Conselho de Monumentos de Berlim emitiu uma recomendação interna contra a demolição, sublinhando que a Nova Chancelaria foi o centro de planeamento e o ponto de partida da Segunda Guerra Mundial, além de simbolizar o fim catastrófico do regime. O órgão pediu que o estado de conservação do bunker fosse avaliado para eventual classificação como património. A tensão entre a memória e o desenvolvimento urbano não é nova na capital alemã. Durante décadas, os vestígios do nazismo foram apagados ou deixados sem identificação, temendo-se que se transformassem em santuários para a extrema-direita. Agora, a pressão imobiliária numa cidade em crescimento coloca a questão de forma mais premente.

O projeto da firma BLRM, de Hamburgo, prevê um edifício de sete andares com fachadas envidraçadas, que contrastaria com a solidez cega do bunker. Arnold sugere que seria possível construir por cima da estrutura sem a demolir totalmente, preservando as entranhas de betão como testemunho. Enquanto o debate prossegue, o montículo de relva continua a esconder o portal de tijolos, à espera de uma decisão que definirá se a última pegada física do centro de poder de Hitler desaparecerá sob o luxo residencial ou se tornará um lugar de memória.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 2 idiomas

48%
TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Imprensa israelenseImprensa europeia continental
Imprensa israelense/ Segurança
IndignaçãoAlarme

Os planos para demolir o último bunker nazista intacto de Berlim e construir apartamentos de luxo provocaram forte condenação. O bunker, parte do complexo da Chancelaria do Reich, é visto como um testemunho histórico essencial dos crimes do Terceiro Reich e de sua queda. Críticos alertam que sua destruição não apenas apagaria um memorial crucial, mas também criaria um vazio que grupos de extrema direita poderiam explorar.

Imprensa europeia continental/ DACH+
PragmatismoDistanciamento

Em Berlim, um debate opõe preservação histórica e desenvolvimento urbano em torno de um bunker nazista abandonado. O plano diretor de 2006 já previa a construção de novas moradias no local, mas grupos locais pedem que o bunker seja conservado e aberto ao público como documento histórico. A controvérsia reflete a tensão contínua entre lembrar o passado e atender às necessidades habitacionais do presente.

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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Sob o relvado de Berlim, o último bunker nazi enfrenta a picareta

Plano de luxo para terrenos da antiga chancelaria de Hitler reacende o debate sobre a preservação dos vestígios do regime.

Sob um montículo de relva num terreno baldio no centro de Berlim, escondido atrás dos edifícios dos estados de Hesse e Brandemburgo, um portal de tijolos meio soterrado conduz ao subsolo. É tudo o que resta da Nova Chancelaria do Reich, o centro nevrálgico do poder nazi. Em março, o jornal BZ revelou que um investidor de Hamburgo planeia demolir este bunker — o mais antigo da era nazi ainda de pé na capital — para erguer um prédio de luxo com 66 apartamentos e um edifício de escritórios. A notícia acendeu um debate aceso sobre o que fazer com as cicatrizes físicas de um passado que a Alemanha não consegue esquecer.

O bunker, com 1200 metros quadrados e paredes de 1,7 metros de espessura, serviu de abrigo ao pessoal da chancelaria e, nos últimos dias da guerra, de hospital militar. Não se confunde com o Führerbunker, situado a cerca de 120 metros, onde Hitler e Eva Braun se suicidaram a 30 de abril de 1945. Esse foi destruído e soterrado, e sobre ele existe hoje um parque de estacionamento com uma placa informativa, colocada apenas em 2006 para evitar peregrinações neonazis. O bunker da chancelaria, porém, permaneceu esquecido sob um monte de terra, com a sua entrada oculta, enquanto o terreno à volta era disputado por projetos imobiliários.

A proposta de demolição dividiu a cidade. O senador da Construção, Christian Gaebler, afirmou que a autarquia não travará a construção de habitação tão necessária para preservar um bunker que pode tornar-se local de romaria. A diretora de urbanismo, Petra Kahlfeldt, lembrou que Berlim já dispõe de numerosos sítios históricos subterrâneos abertos ao público. Do lado oposto, o historiador Dietmar Arnold, que visitou o bunker pela última vez em 2007 e o encontrou em excelente estado, classificou a demolição como “loucura total”. Arnold defende a criação de um museu em parceria com o Museu do Holocausto, argumentando que a Alemanha já destruiu demasiada história, tanto nazi como comunista.

O Conselho de Monumentos de Berlim emitiu uma recomendação interna contra a demolição, sublinhando que a Nova Chancelaria foi o centro de planeamento e o ponto de partida da Segunda Guerra Mundial, além de simbolizar o fim catastrófico do regime. O órgão pediu que o estado de conservação do bunker fosse avaliado para eventual classificação como património. A tensão entre a memória e o desenvolvimento urbano não é nova na capital alemã. Durante décadas, os vestígios do nazismo foram apagados ou deixados sem identificação, temendo-se que se transformassem em santuários para a extrema-direita. Agora, a pressão imobiliária numa cidade em crescimento coloca a questão de forma mais premente.

O projeto da firma BLRM, de Hamburgo, prevê um edifício de sete andares com fachadas envidraçadas, que contrastaria com a solidez cega do bunker. Arnold sugere que seria possível construir por cima da estrutura sem a demolir totalmente, preservando as entranhas de betão como testemunho. Enquanto o debate prossegue, o montículo de relva continua a esconder o portal de tijolos, à espera de uma decisão que definirá se a última pegada física do centro de poder de Hitler desaparecerá sob o luxo residencial ou se tornará um lugar de memória.

Divergência das fontes

Sociedade & Cultura · 3 veículos · 2 idiomas

48%Média

Quanto as fontes relatam os mesmos fatos de maneira diferente.

Como se dividem

Neutro40%
Crítico60%

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 2 idiomas

TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Imprensa israelenseImprensa europeia continental
Imprensa israelense/ Segurança
IndignaçãoAlarme

Os planos para demolir o último bunker nazista intacto de Berlim e construir apartamentos de luxo provocaram forte condenação. O bunker, parte do complexo da Chancelaria do Reich, é visto como um testemunho histórico essencial dos crimes do Terceiro Reich e de sua queda. Críticos alertam que sua destruição não apenas apagaria um memorial crucial, mas também criaria um vazio que grupos de extrema direita poderiam explorar.

Imprensa europeia continental/ DACH+
PragmatismoDistanciamento

Em Berlim, um debate opõe preservação histórica e desenvolvimento urbano em torno de um bunker nazista abandonado. O plano diretor de 2006 já previa a construção de novas moradias no local, mas grupos locais pedem que o bunker seja conservado e aberto ao público como documento histórico. A controvérsia reflete a tensão contínua entre lembrar o passado e atender às necessidades habitacionais do presente.

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