
Setor bancário suíço entre normalização e tensão regulatória: Julius Baer retoma clientes de risco e UBS contesta banco central
Enquanto o Julius Baer se prepara para encerrar restrições a clientes politicamente expostos, o UBS critica o Banco Nacional Suíço por um relatório que considera 'enganoso' sobre as novas exigências de capital.
O banco suíço Julius Baer prepara o fim da proibição de aceitar pessoas politicamente expostas (PEPs), uma categoria de clientes de maior risco, sinalizando a normalização das operações após mais de dois anos de consequências do escândalo de crédito envolvendo o magnata austríaco Rene Benko. A medida, relatada por fontes próximas ao banco, é apoiada pelo avanço da investigação da autoridade reguladora Finma, que se encontra em etapas finais. O encerramento formal do processo, que permitiria ao Julius Baer retomar a recompra de ações, é esperado para o segundo semestre, dependendo da decisão final da Finma. As ações do banco reagiram com alta de 2,86% na bolsa de Zurique.
Paralelamente, o UBS contestou de forma veemente o Banco Nacional Suíço (SNB) após este afirmar, no seu relatório anual de estabilidade financeira, que o maior banco do país já detém capital suficiente para cumprir as reformas propostas pelo governo para instituições consideradas “grandes demais para quebrar”. O UBS classificou o relatório de “enganoso”, argumentando que a análise do banco central distorce o impacto operacional das regras pendentes e subestima as causas do colapso do Credit Suisse. O SNB, por sua vez, defendeu a exigência de cobertura total de capital para as unidades estrangeiras do UBS como uma medida “proporcionada”, que colocaria a instituição em linha com os seus pares internacionais.
A disputa reflete a tensão mais ampla no centro financeiro suíço, onde o parlamento debate o pacote de reformas pós-Credit Suisse. O governo pretende obrigar o UBS a aumentar o capital ordinário alocado às suas subsidiárias estrangeiras de 60% para 100% do valor patrimonial de cada unidade, o que o banco estima exigir um aporte adicional de cerca de 20 mil milhões de dólares. O UBS considera que tal exigência prejudicaria severamente o seu modelo de negócio e a competitividade do setor, tendo já admitido avaliar opções como a transferência da sede. A comissão parlamentar responsável voltará a reunir-se em agosto, e há expectativas de que os legisladores suavizem as propostas do executivo, embora exista consenso sobre a necessidade de elevar as exigências de capital face aos níveis atuais.
Na perspetiva de Zurique, o SNB e a Finma têm defendido consistentemente a cobertura total de capital, posição também endossada pelo Fundo Monetário Internacional. O Julius Baer, por seu lado, concentra-se em recuperar a capacidade de captação de novos negócios, depois de a revisão da carteira de clientes e o encerramento da unidade de dívida privada terem limitado a atuação dos seus gestores em várias regiões. O banco, que gere mais de 500 mil milhões de dólares em ativos, viu o colapso do império imobiliário de Benko resultar em perdas de 700 milhões de dólares e na saída do anterior CEO. O atual presidente executivo, Stefan Bollinger, lidera um programa de reestruturação plurianual que conta com amplo apoio dos investidores, tendo as ações subido cerca de 12% este ano.
O desfecho dos dois processos — a conclusão da investigação da Finma ao Julius Baer e a votação parlamentar sobre as exigências de capital ao UBS — definirá o equilíbrio entre a competitividade e a resiliência da praça financeira suíça nos próximos meses. Enquanto o Julius Baer aguarda a decisão da Finma para normalizar totalmente as suas operações, o UBS continuará a contestar publicamente os números do banco central, num braço de ferro que deverá prolongar-se até 2026.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A mídia latino-americana cobre a história dos bancos suíços com distanciamento, focando nos aspectos econômicos e regulatórios. Julius Baer sai do escândalo com cautela, enquanto o UBS debate os requisitos de capital. Predomina um tom descritivo, sem alarme.
Continental European media frame the story with skepticism toward Swiss banks' normalization ambitions. Julius Baer emerges from scandal but governance doubts remain; UBS contests capital requirements amid regulatory uncertainty. The analysis is sober and long-term oriented.
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