
Sal em planeta rosa e galáxias em formação marcam semana de astrofísica
Observações do telescópio Webb revelam nuvens de sal em atmosfera fria, enquanto outros instrumentos preparam resgate e lançamento de nova geração de observatórios.
O Telescópio Espacial James Webb (JWST) detectou pela primeira vez nuvens de sal na atmosfera de um objeto subestelar de baixa temperatura, resolvendo um quebra-cabeça de mais de uma década. O GJ504b, popularizado como “planeta rosa”, orbita uma estrela similar ao Sol a 57 anos-luz da Terra e exibe temperatura atmosférica de cerca de 290 °C — baixa para os padrões de companheiros subestelares diretamente imageados. Com massa estimada em 25 vezes a de Júpiter e idade entre 2,5 e 4 mil milhões de anos, o corpo está na zona de transição entre gigante gasoso e anã marrom.
O espectro infravermelho obtido pelo Webb, após eliminar o brilho ofuscante da estrela hospedeira, revelou água, metano, dióxido de carbono e amônia. Os modelos atmosféricos padrão, entretanto, não se ajustavam aos dados até que a equipe da Universidade de Northwestern introduziu camadas de nuvens de sais condensados nas simulações. As partículas, provavelmente halogenetos, bloqueiam assinaturas moleculares mais profundas, tornando o espectro observado fisicamente coerente. O achado valida teorias de que, no intervalo de 500 a 700 °F, exoplanetas frios poderiam abrigar essas estruturas.
Em outra frente, o mesmo telescópio espacial flagrou um protoaglomerado de galáxias, o TGSS J1530+1049, quando o Universo tinha apenas 1,5 mil milhões de anos. A equipe internacional contou com papel central da pesquisadora brasileira Catarina Aydar, atualmente doutoranda no Instituto Max Planck, em Heidelberg, e egressa da Universidade de São Paulo. Foram identificadas ao menos seis galáxias massivas em rápida interação e um núcleo ativo com buraco negro supermassivo. Na perspectiva de cientistas em São Paulo, o resultado, publicado no The Open Journal of Astrophysics e na Astronomy & Astrophysics, reforça a capacidade de grupos nacionais de se inserirem na fronteira observacional.
Os avanços do Webb ocorrem enquanto outros observatórios espaciais enfrentam marcos práticos. O satélite Neil Gehrels Swift, da NASA, vê sua órbita decair a ponto de ameaçar sua reentrada; a startup Katalyst Space Technologies prepara uma missão de reboque com o veículo LINK, a ser lançado em um foguete Pegasus XL antes de outubro. Simultaneamente, o telescópio Nancy Grace Roman, com campo de visão 100 vezes maior que o do Hubble, chegou ao Porto de Cabo Canaveral para embarque rumo ao ponto Lagrange L2, com lançamento previsto para agosto. O Roman levará coronógrafos equipados com câmaras ultrasensíveis fabricadas em Montreal e Québec, capazes de imagear exoplanetas rochosos próximos de suas estrelas. A convergência de descobertas inesperadas, resgates tecnológicos e novos instrumentos inaugura um período de transição na astronomia espacial.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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The Iranian press highlights the astonishing discovery by the James Webb telescope of a 'pink planet' with salty clouds at extreme temperatures, calling it a breakthrough that defies previous understanding. The coverage emphasizes the unique chemistry and the challenge of classifying this object, portraying it as a curiosity that expands the boundaries of exoplanet science.
The Atlantic bloc focuses on the urgent rescue of NASA's Swift telescope by an Arizona startup, framing it as a race against time due to atmospheric drag intensified by solar activity, alongside coverage of the upcoming Roman telescope with Quebec-made cameras, blending anxiety about aging infrastructure with pride in new technology.
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