
Relatórios indicam que mais de 90% de Gaza foi destruída e colonatos israelitas controlam quase um quinto da Cisjordânia
Enquanto operações militares israelitas intensificam a devastação em Gaza, novos dados de ONG israelitas e palestinianas documentam uma anexação de facto acelerada na Cisjordânia e uma vaga de violência interna.
Segundo o Centro de Comunicação do Governo Palestiniano, as operações militares israelitas destruíram mais de 90% da Faixa de Gaza e intensificaram-se na última semana em Khan Younis, Rafah e Cidade de Gaza, causando oito mortos e novos deslocamentos forçados. O mesmo relatório, citado por agências internacionais, descreve bombardeamentos a zonas residenciais, demolições de casas e uma expansão das incursões na Cisjordânia ocupada, com rusgas, detenções e encerramentos de estradas em cidades como Ramallah, Nablus e Hebron.
Na perspetiva das autoridades palestinianas, a violência dos colonos israelitas agravou-se, com ataques a pastores, incêndios a estabelecimentos comerciais e destruição de 2.559 oliveiras, sobretudo em Salfit, Jenin e Nablus, causando perdas de 11,78 milhões de dólares a 125 agricultores. Paralelamente, um relatório das organizações israelitas Peace Now e Kerem Navot, divulgado esta semana, revela que o governo de Benjamin Netanyahu acelerou a anexação de facto da Cisjordânia, com a construção de 185 novos colonatos desde 2023, 130 dos quais são explorações agrícolas que controlam 18% do território. O estudo documenta ainda a expulsão de 118 comunidades palestinianas e a aprovação de mais de 40 mil novas habitações em três anos.
De acordo com o relatório das ONG israelitas, a estratégia governamental incluiu a legalização retroativa de postos avançados, a alteração de leis e o financiamento de infraestruturas exclusivas para israelitas, como 223 quilómetros de estradas. Observadores em Jerusalém notam que o ritmo de expansão se intensificou após o regresso de Donald Trump à Casa Branca em janeiro de 2025: só nesse ano, 42 comunidades palestinianas perderam as suas terras e foram aprovadas 27.941 unidades habitacionais, mais do dobro do ano anterior. Enquanto isso, no norte de Israel, a polícia conduziu uma vasta operação contra o crime organizado na comunidade árabe israelita, apreendendo dezenas de veículos e armas em Sakhnin e localidades vizinhas, numa tentativa de, segundo um comunicado policial, "cortar o oxigénio económico" das redes criminosas.
A operação policial surge num ano particularmente violento: 150 cidadãos árabes israelitas foram assassinados em 2026, incluindo um adolescente de 17 anos morto a tiro em Haifa, o que levou o comissário da polícia a convocar uma reunião de emergência. Analistas em Telavive associam a aceleração dos colonatos à necessidade de Netanyahu garantir o apoio dos partidos de extrema-direita de Smotrich e Ben-Gvir, que representam cerca de 13% do eleitorado, num contexto de possível antecipação eleitoral. A combinação de ofensiva militar em Gaza, expansão de colonatos e crise de segurança interna desenha um cenário de tensão múltipla que, na leitura de diplomatas europeus, dificulta qualquer retoma de negociações políticas.
| Imprensa do Sudeste Asiático | −0.80 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa israelense | −0.50 | critical |
| Imprensa europeia continental | −0.90 | critical |
As autoridades palestinas acusam Israel de destruição sistemática de Gaza e pedem intervenção internacional urgente.
O bloco usa o relatório oficial do governo palestino como fonte primária, conferindo autoridade e legitimidade à narrativa palestina. O uso repetido do termo 'forças de ocupação' reforça um quadro de vitimização.
O bloco omite perspectivas israelenses, incluindo relatórios de ONGs israelenses que criticam a política de assentamentos, e não menciona operações policiais israelenses no setor árabe.
As ONGs israelenses Peace Now e Kerem Navot denunciam a anexação de facto da Cisjordânia, criticando o governo pela expansão sem precedentes dos assentamentos. Enquanto isso, a polícia israelense reivindica sucesso no combate ao crime no setor árabe, deslocando o foco para a segurança interna.
O bloco usa relatórios de ONGs israelenses para dar credibilidade à crítica, enquanto a história separada da polícia equilibra a narrativa com uma ação estatal positiva, criando um duplo quadro de autocrítica e segurança.
O bloco omite o relatório do governo palestino sobre a destruição de 90% de Gaza, concentrando-se apenas nos assentamentos da Cisjordânia e no crime interno.
A Europa denuncia a anexação de facto da Cisjordânia por Israel, usando linguagem jurídica e relatórios de ONGs para destacar violações do direito internacional.
O bloco enquadra a questão em termos legais e de direitos humanos, citando ONGs israelenses e usando termos como 'anexação de facto' para criar um quadro de ilegalidade e urgência.
O bloco omite a destruição de Gaza e as vítimas palestinas, concentrando-se exclusivamente nos assentamentos da Cisjordânia.
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