
Putin acusa NATO de preparar guerra e Lavrov sinaliza abertura para negociar com Ucrânia
Em discurso a militares, presidente russo diz que aliança atlântica aumenta gastos e usa falsa ameaça; chanceler afirma que Moscovo está pronto para retomar diálogo.
O Presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que os países da NATO estão a preparar-se abertamente para uma guerra contra a Rússia, aumentando os orçamentos de defesa e a militarização. A declaração foi feita durante um encontro com finalistas de academias militares, no mesmo dia em que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, disse que Moscovo está pronta para retomar as negociações de paz com a Ucrânia a partir do ponto em que foram interrompidas. As duas mensagens, emitidas em paralelo, delineiam a postura do Kremlin num momento de impasse diplomático e de exercícios militares da aliança atlântica no flanco oriental.
Segundo a presidência russa, os líderes da NATO e da União Europeia recorrem a 'declarações falsas' sobre uma suposta ameaça militar russa para justificar o reforço dos gastos militares. Putin descreveu um padrão em que o Ocidente cria ameaças, força Moscovo a adotar medidas de autodefesa e depois responsabiliza a Rússia pelas suas reações. O chefe de Estado evocou a invasão nazi de 1941, afirmando que a Alemanha de Hitler tentou então acusar a União Soviética de agressão contra o 'Ocidente coletivo'. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Alexander Grushko, acrescentou que Moscovo acompanha as manobras da Polónia, Lituânia e França no corredor de Suwalki — uma faixa estratégica entre a Bielorrússia e o enclave russo de Kaliningrado — e dispõe de meios para responder a 'qualquer cenário'.
Em capitais ocidentais, a narrativa é distinta. O encontro de 7 de junho em Londres entre os líderes de França, Reino Unido, Alemanha e o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, resultou numa declaração conjunta que fixou cinco condições para negociações de paz, entre as quais um cessar-fogo ao longo da atual linha da frente sem reconhecimento de alterações de fronteiras pela força e garantias de segurança para a Ucrânia. Lavrov classificou esse documento como uma exigência de 'capitulação' da Rússia. Fontes ucranianas citadas pela imprensa internacional indicam que Zelensky deu instruções para preparar o país para a continuação dos combates durante os próximos dois a três anos. Kiev rejeita a exigência russa de retirada das suas forças das regiões de Donetsk, Lugansk, Zaporíjia e Kherson.
O impasse negocial persiste. As últimas conversações mediadas pelos Estados Unidos decorreram em fevereiro, antes do início das operações militares norte-americanas e israelitas contra o Irão. O assessor presidencial russo Yuri Ushakov afirmou, num fórum académico, que o confronto entre a ordem multipolar emergente e o modelo ocidental de relações internacionais se intensificará. Na perspetiva de Moscovo, a NATO trabalha com um horizonte de preparação até 2030, enquanto a Rússia insiste que não tem planos de atacar países da aliança. Observadores em Lisboa e Brasília notam que a escalada retórica coincide com um contexto de reconfiguração geopolítica global, no qual potências médias procuram preservar canais de diálogo.
O dossiê permanece sem perspetivas de avanço imediato. A Rússia condiciona um cessar-fogo à renúncia da Ucrânia à adesão à NATO e à retirada das tropas de Kiev dos quatro territórios anexados. A Ucrânia e os seus aliados europeus consideram essas condições inaceitáveis. Enquanto a retórica de preparação para a guerra se intensifica, os canais diplomáticos continuam formalmente abertos, mas sem calendário para novas rondas negociais.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A Rússia acusa a OTAN de se preparar abertamente para a guerra, ultrapassando o mero apoio ao regime ilegítimo de Kiev. Os líderes ocidentais exploram a falsa narrativa da 'ameaça russa' para justificar o disparo dos orçamentos de defesa. Moscovo está pronta para dar uma resposta rápida e proporcionada a qualquer agressão.
Putin alertou que as potências ocidentais, incluindo Israel, estão se preparando abertamente para a guerra contra a Rússia. Fontes militares iranianas sinalizaram simultaneamente a prontidão para operações preventivas, enquadrando o momento como parte de uma ordem global instável que demanda um realinhamento multipolar.
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